Armindo Araújo dizia no final do segundo troço da manhã: “é bizarro escolher pneus para dois troços destes” e com isso disse tudo. O Rali de Monte Carlo ganhou boa parte da sua fama e do seu misticismo precisamente pelo facto das condições meteorológicas baralharem toda e qualquer lógica que se pretenda aplicar. O primeiro troço do dia, Le Moulinon-Antraigues, realizou-se numa zona ainda baixa da Ardéche, e por isso, apesar de se realizar bem cedo, estava completamente seco. Esta especial, com três dezenas e meia de quilómetros, só poderia realizar-se com pneus de asfalto, com os concorrentes a levarem dois pneus na mala para colocar antes do Burzet, que se encontrava com muita neve, “verglas”, (camada de gelo sobre o alcatrão) e neve já a derreter, nas zonas mais altas, e por isso, pode assistir-se a uma enorme discrepância nos tempos das duas especiais.
A Ford acertou na “mouche”ao contrário da Citroen. Sébastien Loeb (Citroen DS3 WRC) queixou-se da muita neve na especial, enquanto Jari-Matti Latvala (Ford Fiesta WRC) estava feliz: “Realizámos uma super-escolha de pneus e atacámos forte.” Dani Sordo (Mini WRC) que tinha sido o único a acompanhar o ritmo de Loeb no primeiro troço fez um pião e bateu, Armindo Araújo teve uma saída de estrada e ficou preso quatro minutos numa vala, Pierre Campana (Mini WRC) fez um pião, Paulo Nobre (Mini WRC) saiu de estrada, Thierry Neuville (Citroen DS3 WRC) perdeu 20 segundos devido ao MINI de Nobre à sua frente e assim se desenrolou o mítico Burzet, que, de regresso ao WRC, volta a fazer “vítimas”.
A segunda passagem pelos troços já começou…












