Hugo Magalhães: “o dia mais difícil e doloroso de toda a minha carreira”
Depois do calor do Rali Dakar, Hugo Magalhães passou estes dias por uma situação muito complicada no Rali do Ártico. A navegar o espanhol Ott Nicolas Boehringer, num Ford Fiesta Rally3, a dupla teve que abandonar a prova porque o navegador fafense se viu confrontado com temperaturas extremas de 32 graus negativos, e, exposto ao frio intenso dentro do carro, começou a ter sérios problemas com a perda quase total de sensibilidade nas extremidades, mãos e pés.
Embora tenha conseguido completar as duas primeiras especiais, a tentativa de recuperação na assistência revelou-se infrutífera. Pelo contrário, o quadro clínico agravou-se no reabastecimento, onde a circulação sanguínea reduzida e o risco elevado levaram os enfermeiros da prova a aconselhar a desistência imediata. Após duas horas de cuidados médicos para recuperar o fluxo sanguíneo e a sensibilidade, o piloto admitiu o impacto psicológico do susto, lamentando sobretudo a desistência da equipa devido a fatores externos incontroláveis. Apesar da dor e do sentimento de culpa, o foco está agora na recuperação.
Não conseguimos chegar à fala com o Hugo, para nos explicar o que aconteceu, mas certamente algo se passou com o carro, pois isto não é normal, os carros de ralis com motor a funcionar ficam quentes por dentro, e para algo deste tipo suceder é porque algo estava mal no carro, provavelmente a chaufagem.
A seguir, as palavras de Hugo Magalhães no vídeo que publicou nas redes sociais: “Hoje foi sem dúvida o dia mais difícil e doloroso, de toda a minha carreira no desporto motorizado, independentemente da prova da modalidade.
Fui vencido pela natureza, incapaz de contornar, solucionar esta adversidade. Fora do carro estavam 32° negativos e desde o momento em que saí em direção à primeira especial, senti o meu corpo a arrefecer de uma forma abrupta, e a juntar a isto ter de sair do carro para ver a pressão dos pneus, equipar-me, fez com que perdesse toda a sensibilidade nas mãos. Nos pés era uma situação mais fácil de controlar, mas as mãos, muito mais difícil, mesmo doloroso. Foi extremamente difícil. Nunca pensei que virar a folha de um caderno fosse a tarefa mais complicada a ter numa prova, ou seja, a minha mão ficou numa posição inerte só conseguia virar as folhas com a mão toda, não com os dedos.
Apesar do sacrifício e da dor, consegui terminar as duas primeiras especiais e quando regressei à assistência, pensando que iria recuperar aquecendo, bebendo alguma coisa quente, sucedeu o contrário.
Comecei a ficar cada vez pior, ainda controlamos na saída da assistência, mas no reabastecimento, verifiquei que era impossível, corria demasiado riscos, recorri aos enfermeiros da prova e aconselharam-me a não arrancar, apesar de ter alguma sensibilidade, a circulação sanguínea já era reduzida e então pediram-me para ficar para aquecer.
Foi algo que ainda demorou cerca de duas horas, a seguir surgiu uma dor enorme nas mãos, uma dormência, mas felizmente passou. Estou cá. Diria, que novo.
Apesar do susto, porque outras coisas foram passando pela cabeça, mas custa, e custa essencialmente, porque vejo uma equipa a ter de desistir de uma prova ou pelo menos do dia 2, por minha culpa.
Apesar de serem fatores externos que eu jamais conseguiria contornar, mas dói.
Felizmente, foram todos compreensivos, e ainda tentámos solucionar mais algumas coisas para o dia seguinte.
Podemos partir, porque dentro do carro o frio é imenso e nós acabamos por sofrer com todas essas consequências.
Portanto, agora é pensar positivo. E preparar-me mentalmente, e esperar que amanhã a gente consiga estar à partida”. Não conseguiram. As melhoras, Hugo.
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31 Janeiro, 2026 at 18:47
Suponho que não aconteceu aos outros porque estão habituados…
Billy Bob
31 Janeiro, 2026 at 21:52
Por mero acaso já tinha reparado na desistencia. Mas não sabia os motivos. Boa recuperação.