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Azores Rallye: Alegre Flamenco, triste Fado

José Luis Abreu by José Luis Abreu
28 Março, 2022
in Autosport Exclusivo, CPR, ERC, Ralis
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Azores Rallye: Alegre Flamenco, triste Fado

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Efren Llarena conquistou mesmo sobre a meta do Azores Rali, ao ultrapassar Ricardo Moura na última classificativa do evento, a sua primeira vitória no ERC. O açoriano impôs-se, contudo, nos campeonatos nacional e regional.

Pelo segundo ano consecutivo, Ricardo Moura sai a perder do confronto com Efren Llarena. O ano passado perdeu o pódio para o espanhol no último troço, desta vez a vitória no rali.
Nos ralis não há vitórias morais ou desfechos imerecidos, é o que é, mas Ricardo Moura ainda há-de arranjar forças para oferecer ao ‘seu’ público, que tanto o apoiou durante a prova e lhe deu uma estrondosa ovação à chegada às Portas do Mar, uma vitória. Não foi desta, o espanhol fez pela vida e mereceu o desfecho.
Foram vários os pilotos que se apresentaram à partida do Azores Rali com hipóteses reais de subir ao posto mais alto do pódio em Ponta Delgada. No entanto, a ilha de São Miguel é pródiga em condições climatéricas por vezes difíceis e que, mais uma vez, acabaram por condicionar o lote de concorrentes com possibilidades de saborear o champanhe.
A primeira secção do evento organizado pelo Grupo Desportivo Comercial ficou marcada por chuva e nevoeiro, dificuldade que arredou da luta pelo triunfo várias equipas.
Num rali em que o conhecimento do terreno, principalmente naquelas circunstâncias, é determinante, Ricardo Moura tomou o comando da classificação e manteve-o quase até final.
O herói açoriano com um Skoda Fabia Rally2 Evo distanciou-se da concorrência e parecia, ao final do primeiro dia, ter avanço suficiente para gerir o seu andamento e conquistar aquela que poderia ter sido a sua segunda vitória na prova. A primeira metade do segundo dia de competição veio dar maior razão a esse prognóstico.
No entanto, na passagem intercalar de domingo pelo parque de assistência era visível em Moura alguma preocupação com o desgaste dos pneus da sua viatura e com alguma indefinição meteorológica.
Se o tempo acabou por não afetar o seu resultado, já a falta de borrachas acabou por lhe roubar um triunfo que assentava na perfeição. Com dificuldades de tração, o piloto não conseguiu suster os ataques de Llarena e acabou ultrapassado em termos absolutos.
Magra compensação, foi o melhor nos campeonatos português e açoriano.
Tristeza de uns, alegria de outros. Efren Llarena estava esfuziante na passagem pelas Portas da Cidade de Ponta Delgada.


O espanhol com um Skoda Fabia Rally2 Evo esteve sempre nos lugares do pódio mas houve uma fase da corrida em que chegou a pensar que a sua estreia no lugar mais alto do palanque deste campeonato só iria acontecer lá mais no futuro.
O vice-campeão europeu, no entanto, não só está com um ritmo competitivo muito forte como tem toda a experiência de um passado ditado muitas vezes por lutas até aos últimos metros de um evento bastas vezes decidido por frações de segundo.
O piloto da MRF apoiado pela federação do país vizinho nunca baixou os braços e viu o seu esforço compensado por um triunfo ‘arrancado a ferros’ e por 2,6 segundos.
Efren Llarena e a simpática Sara Fernandez não couberam em si de alegria e, deliciados pelo champanhe da ocasião, sentiram também que este resultado pode ser determinante na caminhada para o título europeu absoluto, dada a sua situação pontual entre os mais fortes candidatos a esta distinção.
Outro piloto em grande destaque nos Açores foi Simon Wagner. O austríaco foi quarto durante os primeiros quilómetros do evento mas chegou a se configurar como o adversário mais direto de Moura a meio da corrida. A chegada da segunda etapa e a entrada em pisos menos instáveis e mais abrasivos veio, contudo, baralhar o seu estágio de forma e, pouco após a entrada no último dia de competição, este piloto que também utilizou um Skoda Fabia Rally2 Evo ficou arredado, em condições normais, de lutar pela vitória. O lugar mais baixo do pódio foi, no entanto, plenamente justificado.
A quarta posição foi ocupada por Simone Tempestini. O piloto com origem italiana mas licença romena não teve um início de prova fácil e era apenas décimo primeiro depois de cumprida a primeira prova especial, Graminhais 1, devido à anulação por falha no piso do primeiro troço cronometrado programado, Coroa da Mata 1. Tempestini foi subindo de forma e no final do primeiro dia de competição era já sexto. Foi o melhor em duas das seis classificativas da etapa complementar e ascendeu mais dois postos.
O lote dos cinco primeiros classificados foi encerrado por Armindo Araújo. Sem o protagonismo assumido duas semanas antes em Fafe, o piloto nacional não só conseguiu se isolar no campeonato português da modalidade como também é agora, com esta pontuação, o primeiro classificado no FIA ERC. Logo atrás, Bruno Magalhães também nunca esteve, com o Hyundai i20N Rally2, em condições de poder discutir o topo da classificação com os protagonistas de um campeonato em que, há poucos anos, foi uma das figuras principais.
Na definição dos lugares pontuáveis destacaram-se dois pilotos que, tal como Llarena, despontaram nas fileiras do ERC Junior. O letão Martins Sesks, com o original Skoda Fabia R4, ainda conseguiu estar no ‘top ten’ final batendo concorrência muito melhor equipada. O britânico Jon Armstrong surpreendeu todos nos difíceis Graminhais 1 e era nono com um Ford Fiesta Rally3 mas acabou por desistir no troço cronometrado seguinte quando a sua viatura falhou após a passagem pela popular passagem por uma ribeira. O ERC volta à estrada entre 12 e 14 de maio com o Rally Islas Canarias.

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FOTOS Oficiais/GDC; @World/A.Lavadinho; AIFA/J. Cunha; Direita3/Tiago Costa/ZOOM
MotorSport/A.Silva

Tags: Azores RallyeCPRERC
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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