CRÓNICA: O inesquecível troço do Seixoso

Por a 12 Abril 2018 11:17

Os carros do Mundial de Ralis voltaram hoje a fazer ouvir no troço do Seixoso – que esteve no Rali de Portugal entre 1994 e 1998 – com o início dos testes para as duas próximas provas do WRC, a Argentina e Portugal. A Hyundai está presente em Portugal, e se os testes por esta altura são uma ‘coisa’ perfeitamente natural, o local escolhido é mítico, e palco de uma das fotos mais fantásticas de simbiose do público com os ralis que há na história da competição.

Curiosamente, faço parte dos milhares de aficionados que estão naquela foto, de ‘avental’ amarelo, de máquina fotográfica na mão, junto aquele jovem que de camisola bordeaux, dança ao pé do Toyota. A primeira vez que olhei para a foto, arrepiei-me, como era possível estar ali sentado, com com carro que sai a dançar da passagem de água. Mas aqueles eram outros tempos, e sendo verdade que o perigo era grande, quem já passou por momentos daqueles sabe bem que a adrenalina era diretamente proporcional ao perigo. Hoje ‘isto’ é impensável, e ainda bem.

Recordo-me bem de César Torres parado a seguir à passagem de água, a tentar perceber o que fazer ‘aquele’ público. não havia escolha possível. Sair dali ninguém sairia, a solução era anular o troço. César Torres não anulou, e tudo correu bem. Veja-se o que escrevemos no AutoSport naquela altura:

Assegurar a segurança
É histórica a ebulição popular que sempre reinou durante o Rali de Portugal, em especial quando este passava pela Serra de Sintra, durante a noite – a temível (para os organizadores) Noite de Sintra. Ora, afastada de vez após o acidente de Joaquim santos em 1986, nem por isso o povo deixou de estar presente e gritar bem alto a sua predileção pela prova portuguesa. Porém, com esfoço, dedicação e muito profissionalismo, os homens (ainda) liderados por César Torres, sempre conseguiram resolver as situações. E, em 1994, isso não foi exceção – em especial, com quilo que se assou no troço do Seixoso.
Numa prova em que a FIA estreou logo em Arganil, ‘um novo sistema de segurança, que tinha uma câmara para filmar todo o troço’, avaliando onde o público estava colocado em demasiada quantidade, revelando-se um perigo para si mesmo ou para os pilotos, no ‘final do troço do Seixoso o pânico instalou-se entre as hostes, já que a direção da prova verificou que havia certas zonas da classificativa onde a aglomeração de espetadores era bastante grande.’ Nomeadamente, e conforme referiu César Torres, “na zona do charco (…) porque há algumas vendas e o público (…) acorreu em massa (…) Há também uma ‘parede’ de fotógrafos (…) que está mesmo de frente para o salto, o que não é muito correto.” Estas palavras foram ditas antes de chegarem José Pedro Borges e Santinho Mendes, que pilotavam os carros ‘000’ e que garantiram que “há muita gente, mas está tudo bem. A polícia atuou da melhor maneira e, mesmo depois de atravessar a água via-se perfeitamente o caminho.”

O WRC volta a fazer-se ouvir no troço do Seixoso

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