Crónica de um espectador no Rali de Portugal
Quem vos escreve é nascido e criado no Sul, não perdi uma única edição do Rali de Portugal no Algarve, e até gosto bastantes das especiais do “Alengarve”, mas no Norte…as serras são mais altas, os pisos mudam muito, o entusiasmo é bem maior. Até há problemas de pneus…
Tudo nos fazia prever um rali muito caótico na estrada, cheio de fãs mais ou menos endiabrados, com a excitação do início da prova.
À chegada à nossa (por uma noite) quinta, a dois passos do troço de Caminha, volveu-nos à ideia, a noite de espera em Arganil, tendas por todo o lado, carros em bermas, morros e quintais, sem ordem de estacionamento algum, barbecues improvisados e por aí a fora. Só que desta vez a festa não era nas beiras do troço, mas sim nos cruzamentos dos acessos. Tudo indicava o pior… nas notícias o incêndio de Ponte de Lima a ensombrar o dia seguinte (já o tínhamos ‘cheirado’ no caminho) depois de algumas aguardentes de mel da serra d’Arga fomos prá caminha em Caminha.
Nasce o sol e com ele, podemos da nossa janela, constatar o milagre das tendas, tinham-se multiplicado a um nível bíblico. Saímos de casa a pé como convém nestas situações e mal chegamos à ZE, muita gente, mas com possibilidades de assistir convenientemente ao espetáculo.
O prato forte estava para vir, a serra de Santa Luzia, com muito tempo lá fomos andando serra acima, de maneira a estacionar a 1 km da especial, o que é muito bom para estas andanças. Mais uma caminhada e aqui sim, uma ZE a sério, enorme e com hipótese de escolhas, ao fundo o mar, no outro lado o incêndio de Ponte de Lima a adivinhar a anulação da especial, o que acabou por acontecer.
Primeira impressão, esta estrada não é a mesma! Um piso de auto-estrada de terra escorregadia que serpenteia pelo meio das eólicas, mas o espectáculo que se previa aconteceu!
Segundo dia, ainda a recuperar duma posta maronesa ingerida na noite anterior, digo bem, maronesa do Marão, para mim a melhor carne do país e em Mondim há um sitio onde é elaborada ao mais alto nível por anfitriões excecionais, procurem no site do mocho e das letras verdes que descobrem, lá nos pusemos ao caminho para a primeira do dia, Fridão a mais longa.
Como gostamos de guardar o melhor bocado para o fim e o rali a sério é lá no alto, Marão connosco. A procissão do costume para chegar à capela de São Rali e no topo do Marão mandam os que lá estão, rojões e verde tinto! Outra larga ZE com possibilidade de escolha.
Estes ralis de agora, das 9 às 5 têm alguma vantagens, como são de rondas, permitem ligações mais calmas sem o lufa-lufa de antigamente.
Com o papo cheio de condução servido à la carte por Ogier e com acompanhamento fornecido pelos outros, lá fomos serra abaixo ao ritmo da autocaravana que parecia rebolar à nossa frente, tão devagar que ia! Tínhamos violado uma regra de ouro dos acessos às especiais dum rali. Uma autocaravana deve-se sempre ver pelo retrovisor nunca pelo pára brisas!
Terceiro e último dia. Queremos acabar o rali duma forma relaxada! O Spa da Cabreira estava mesmo ali, com vista para o verdadeiro Gerês e onde podemos desfrutar das melhores massagens ao ego automobilístico que cada aficionado tem desde pequeno. Sem o reboliço do Confurco ou o ‘wow’ da Pedra Sentada, por aquelas paragens reina a calma aparente de um troço que seria decisivo para a vitória no Rali de Portugal 2015. Como deve de ser, para analisar e desconstruir a condução de cada um dos artistas que nos passavam à frente. O rali é aqui, é na estrada que se toma o pulso do andamento e das diferenças entre pilotos e marcas, deste para o ano anterior e para os outros atrás, para depois percebermos melhor o que pode vir para a frente. Não é em frente duma tabela de tempos dum wrc.com ou fechado numa sala de imprensa com toda a informação que se pode ter. Isto não é matemática pura é sentida paixão. Como diria um nosso companheiro de viagem, Vou daqui com um monte de ‘orgasmos automobilísticos’! (ele disse por outras palavras mas o sentido é mesmo este).
Ainda com tempo para ir à Última de Fafe, a PowerStage, resolvemos não ir…
Há vinte anos não seria assim, mas a idade não perdoa. Trocámos o tapete de ‘minIs’ pelo tapete em frente à minúscula TV (para os dias de hoje) da nossa casinha da serra.
Para o ano há mais, assim todos esperamos. Fica o desejo. Este ano o nosso rali esteve na sala de estar do país, para o ano espero que fique para jantar, na sala que todos bem sabemos onde fica.
Pedro Palheiro





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