Uma década de Campeonato de Portugal de Ralis: o período mais competitivo da história
Arranca no final desta semana mais uma edição do Campeonato de Portugal de Ralis, num campeonato que tem todos os ‘condimentos’ para ser o melhor da última década. Desde 2023 que a competição tem recebido pilotos estrangeiros de ‘casta’ mundial, Craig Breen, Kris Meeke e agora também Dani Sordo, que se juntam aos melhores pilotos portugueses, o que tem vindo a tornar o campeonato português alvo de bem mais atenção vinda lá de fora.
O Dirtfish, o promotor não oficial do WRC tem dado muita atenção a estas mexidas no CPR, o mais importante site finlandês de ralis tem feito o mesmo, e provavelmente, vamos ter muita atenção vinda de Espanha. É aproveitar…
Por tudo isto, espera-se mais uma temporada eletrizante no Campeonato de Portugal de Ralis, com a promessa de uma disputa acirrada, especialmente entre Kris Meeke e Dani Sordo, por motivos óbvios, sendo que esta luta pode permitir aos melhores portugueses fazerem o que têm feito nos últimos anos: levar a decisão do campeonato até ao fim…
Na última década de CPR, quase sempre a decisão do título tem sido levada ao limite – se não na última prova, na penúltima – consolidando este como o período mais competitivo da história do ‘Nacional’ de Ralis. Vamos relembrar resumidamente essa trajetória intensa e imprevisível.

2015: Fontes e Moura até ao último troço da época…
José Pedro Fontes e Ricardo Moura lutaram pelo título do CNR até ao último troço da época. Num final de campeonato muito emocionante, o açoriano parecia estar em vantagem até ao furo de Pedro Meireles na penúltima classificativa.
Até aí, três vitórias para cada um com os dois pilotos a chegarem ao Algarve separados por 9,5 pontos. Com 29 pontos em jogo estava tudo completamente em aberto na luta pelo título.
E foi verdadeiramente um fim-de-semana ‘quente’ pois José Pedro Fontes e Ricardo Moura digladiaram-se pelo título do Campeonato Nacional de Ralis até ao derradeiro metro num campeonato onde estes dois pilotos venceram seis das sete provas do CNR antes do Algarve (Pedro Meireles venceu em Mortágua), apesar da consistência de João Barros ter colocado o piloto de Paredes entre os candidatos ao título até ao último terço do ano. Com Barros ausente os outsiders intrometeram-se no duelo entre Fontes e Moura.
Desde logo Carlos Vieira, que venceu três dos quatro troços de sábado e que no final de sábado estava na frente da prova… apenas o seu segundo rali de terra. Só que deu um toque na primeira especial de domingo (PEC5, Ameixial)
e com isso Ricardo Moura recuperou o comando da prova, ao mesmo tempo que via Fontes penar no quarto lugar, a mais de um minuto do açoriano. No troço seguinte, Vieira continuou a perder tempo e Fontes subia ao terceiro lugar, atrás do seu companheiro na Sports&You, Pedro Meireles, que se via na posição ingrata de mediar os dois candidatos ao título. Depois de uma ida ao parque de assistência, eis que surge o grande golpe de teatro no Algarve:
na PEC7, a segunda passagem por Ameixial, Pedro Meireles afirmou ter sofrido um furo que o obrigou a perder mais de quatro minutos, levando Fontes a subir a um segundo lugar suficiente para assegurar o título. Logo surgiram dúvidas entre os apoiantes de Ricardo Moura sobre um possível acordo entre os pilotos da Sports&You, mas o campeão cessante, Meireles – pouco comunicativo com a imprensa no final da prova –, assegurou em comunicado que sofreu de facto um furo numa das rodas dianteiras na fase inicial da PEC7. Com isto, Fontes limitou-se a levar o DS3 até ao final e, apesar da exibição quase irrepreensível de Moura, fez cheque-mate no xadrez do campeonato.
‘Down to the wire’ como dizem os ingleses…

2016: José Pedro Fontes conquistou o título do Nacional de Ralis ao vencer cinco das oito provas disputadas. A temporada começou com um plantel promissor, contando com cinco campeões nacionais à partida, mas a competitividade ficou aquém do esperado devido à irregularidade na participação de alguns dos principais pilotos. Ricardo Moura, Miguel Campos e João Barros, por exemplo, não conseguiram estar presentes em todas as provas, o que afetou o nível da competição ao longo do ano.
A competição começou com cinco campeões nacionais: Fernando Peres, Miguel Campos, Ricardo Moura, Pedro Meireles e José Pedro Fontes. O campeão Fontes teve um desempenho consistente ao longo da temporada. Em Fafe, enfrentou adversários fortes até o final, enquanto em Castelo Branco perdeu no sprint final para João Barros. Nos Açores, enfrentou problemas mecânicos, mas nas provas seguintes, no Rali Vidreiro e na Madeira, venceu e consolidou a sua posição rumo ao título, que confirmou em Espinho com mais uma vitória. Assim, conquistou o bicampeonato, sempre ao lado da navegadora Inês Ponte, que entrou para a história como a primeira mulher a sagrar-se campeã de ralis em Portugal.
Pedro Meireles teve um bom desempenho, mas sentiu o desequilíbrio do calendário, que contou com cinco provas de asfalto e apenas três de terra. Embora seja rápido, no asfalto não conseguiu igualar José Pedro Fontes, enquanto nas provas de terra, como nos Açores e em Mortágua, mostrou o potencial do seu Skoda Fabia R5, terminando à frente do DS3 R5 do campeão.
Miguel Barbosa foi uma das boas surpresas da temporada. Na sua estreia nos ralis, mostrou evolução ao longo do ano, terminando a temporada no terceiro lugar do campeonato. Demonstrou melhor desempenho nas provas de terra, algo esperado, mas foi aprimorando a sua performance também no asfalto.
João Barros, por sua vez, teve uma participação irregular, pois decidiu focar mais na sua vida pessoal e profissional, mas ainda assim participou de algumas provas. Em Fafe, sofreu um abandono, mas em Castelo Branco venceu após uma luta intensa, o que o motivou a seguir competindo em parte do campeonato. No entanto, enfrentou alguns azares ao longo da temporada, embora tenha demonstrado um bom ritmo, especialmente nos ralis de asfalto.
Miguel Campos teve um percurso semelhante. Ele participou de apenas metade das provas do Nacional, o que limitou as suas chances de brigar pelo título.
Carlos Vieira foi outro destaque da temporada. Ele tem uma velocidade natural impressionante, mas ainda precisa trabalhar a consistência para se tornar um candidato sólido a vitórias.
Apesar dos desafios ao longo do ano, a temporada do Nacional de Ralis manteve-se competitiva e emocionante. Se mais pilotos conseguirem disputar todas as provas no futuro, o campeonato poderá recuperar ainda mais força e equilíbrio.

2017: O mais equilibrado de sempre
Tudo se decidiu no Algarve, entre Pedro Meireles (Skoda Fabia R5) e Carlos Vieira (DS3 R5), que partiram para a derradeira prova da competição separados por 8.34 pontos, sendo que Pedro Meireles, tinha uma boa vantagem mas Vieira dependia dele próprio. E conseguiu dar a volta, vencendo facilmente a prova, mais do que isso, venceu os troços que precisava para chegar ao título, por apenas 0.4 pontos. No final, três vitórias para Carlos Vieira, outras tantas para Pedro Meireles.

2018: O regresso de Armindo Araújo
Depois de uma época marcada por quatro vencedores distintos em nove provas realizadas, (Armindo Araújo, 4; José Pedro Fontes, 2; Ricardo Moura, 2 e Ricardo Teodósio, 1), a competição decidiu-se na última prova, no Algarve. Armindo Araújo tinha vantagem, mas Ricardo Teodósio, a correr em casa, tinha ainda hipóteses, e José Pedro Fontes, também, mas poucas. Contudo, depois de cinco anos sem competir, Armindo Araújo regressou em grande. Teodósio protelou o suspense da decisão até onde o motor do seu Skoda Fabia R5 lhe permitiu. Armindo Araújo, venceu o rali, e o campeonato.

2019: Festa rija algarvia
A emoção durou até ao fim, mas a festa rija foi algarvia. Bruno Magalhães venceu o Rali do Algarve, embora o segundo lugar de Ricardo Teodósio tenha chegado e sobrado para a dupla alcançar o sonho de uma vida, o título do CPR. A vitória não foi fácil e por isso ainda mais saborosa. Pelo terceiro ano consecutivo a competição decidiu-se apenas no Algarve, e tal como sucedeu nos dois últimos anos, não faltou emoção, incerteza e muita gente de calculadora na mão.

2020: Curto mas competitivo
Armindo Araújo foi Campeão, numa temporada muito afetada pela pandemia de coronavírus. Apenas seis provas, com o Rali do Algarve a ser cancelado quando tudo se preparava para a decisão do título entre Armindo Araújo e Bruno Magalhães. Depois de muitos meses de incerteza, adiamentos e cancelamentos, a segunda vaga da pandemia no outono chegou em força impedindo que o campeonato fosse até ao fim. Realizaram-se seis provas, ou 5.25 para sermos mais exatos, devido à paragem do Rali Vidreiro na sequência da morte da jovem Laura Salvo.
Mas o que houve foi competitivo. Estiveram em ‘campo’ seis campeões nacionais de ralis, e em termos desportivos, Armindo Araújo (Skoda) venceu três provas, Bruno Magalhães (Hyundai), duas, Pedro Meireles (Volkswagen), uma. A luta durou até ao fim, tudo se resolveria no Algarve, mas afinal foi o Rali Terras da Aboboreira a decidir um campeonato que até aí teve um início de ascendente de Armindo Araújo, com dois triunfos, uma forte reação de Bruno Magalhães que com dois triunfos virou as contas a seu favor. Faltavam duas provas, mas a Aboboreira decidiu o campeonato. Mas só se soube um mês depois…

2021: Segundo título de Ricardo Teodósio
Dois títulos em quatro anos para Ricardo Teodósio e José Teixeira! A dupla algarvia foi novamente campeã absoluta, em mais um ano supercompetitivo, com quatro vencedores distintos em oito provas, três deles venceram mais do que um rali, primeiro e segundo separados por um ponto no final do campeonato.
Ricardo Teodósio e José Teixeira repetiram o feito de 2019, embora desta vez a luta tenho sido ainda mais acirrada, e sofrida, pois apesar de na última prova, Mortágua, Armindo Araújo e Luís Ramalho terem desistido cedo, as coisas também não foram fáceis para os algarvios, devido a problemas iniciais no carro. No final, contas feitas, ganharam a Power Stage e foram campeões nacionais, provando que todo o trabalho que foi feito com a ARC Sport e a estrutura pessoal foi certo, em dois títulos que saem valorizados pela qualidade da concorrência.
Altos e baixos todos tiveram, incluindo os campeões, mas o título é totalmente merecido. Em oito ralis, Teodósio venceu duas vezes, Armindo Araújo, três, mas o abandono de Mortágua foi decisivo. Bruno Magalhães também venceu duas provas e José Pedro Fontes, uma.

2022: Três em cinco anos para Armindo Araújo
Sétimo título para Armindo Araújo, desde o seu regresso em 2018, em cinco anos, foi campeão três vezes e esteve sempre na luta nos outros dois. Mais um feito de um piloto que continua a ‘escrever’ grandes capítulos na história do automobilismo em Portugal. Em 2022, não deu grandes hipóteses aos adversários, corrigindo os poucos erros de 2021. Triunfou em dois ralis, mas foi na consistência e regularidade que esteve a chave do título, que garantiu antes da última prova.
Fazendo um curto filme do ano, esteve imperial em Fafe, deixando a concorrência a ‘milhas’, nos Açores foi na prática, o melhor do CPR, pois Ricardo Moura só fez a ‘sua’ prova, na Aboboreira foi segundo atrás do estreante a vencer, Miguel Correia, e no Rali de Portugal segundo atrás de Teodósio. Venceu em Castelo Branco, e logo aí as portas do título estavam abertas, confirmando o cetro em Chaves. Fontes foi 2º na frente de Bruno Magalhães, num ano mau para Ricardo Teodósio.

2023: Tri de Ricardo Teodósio
Os últimos anos, com uma exceção, as decisões do CPR têm sido todas na última prova, e 2023 isso também sucedeu, mas num grau bem mais elevado de expetativa, pois eram quatro os pilotos que tinham hipóteses de chegar ao título, e para nenhum era preciso um milagre para que isso sucedesse. Como se sabe o ano começou com o triunfo de Craig Breen em Fafe, mas a sua morte nos treinos para o Rali da Croácia ensombrou o mundo dos ralis, e levou a Hyundai Portugal a optar por manter o tipo de aposta: Kris Meeke substituiu o seu compatriota e durante o dos seis ralis que fez venceu quatro. Os azares do Rali de Portugal e Madeira afastaram-no da luta pelo título, que ainda podia vencer, pelo que foram os habituais portugueses na luta, chegando, como já referimos, com quatro candidatos à última prova. O que tinha menos hipóteses, Armindo Araújo – extraordinário como chegou ao fim na luta depois do que sucedeu em Fafe – cedo acabou com as que restavam com uma má escolha de pneus, a luta manteve-se a três, mas com as dificuldades de Miguel Correia, o abandono de José Pedro Fontes quando atacava o título com tudo o que tinha, bateu e abandonou, e a assertividade de Ricardo Teodósio, o algarvio nem precisou de vencer o último rali para festejar o seu terceiro título de Portugal de Ralis.

2024: Kris Meeke campeão, mas luta até ao fim
Kris Meeke conquistou o título do CPR 2024 após temporada marcada por algumas reviravoltas e muita emoção. Armindo Araújo e Kris Meeke protagonizaram uma batalha intensa até a última prova, mas ao domínio de Meeke, Armindo respondeu com consistência e depois a imprevisibilidade moldou uma das temporadas mais emocionantes dos últimos anos.
Meeke dominou as quatro primeiras provas, mas problemas mecânicos em Castelo Branco e na Madeira permitiram a Armindo Araújo recuperar e assumir a liderança. No entanto, um acidente no Rali da Água comprometeu as suas chances, facilitando a retomada da liderança por Meeke. Na última prova, apesar de uma penalização, o irlandês conseguiu garantir o terceiro lugar na prova e os pontos necessários para o título.
Araújo destacou-se pela consistência, vencendo em Castelo Branco, Madeira e Vidreiro, mas ficou a apenas dois pontos do título. Ricardo Teodósio enfrentou uma temporada difícil, sem vitórias, enquanto José Pedro Fontes e Pedro Almeida tiveram desempenhos promissores, apesar de dificuldades. A imprevisibilidade dos ralis marcou a competição, tornando o CPR 2024 emocionante até o final.
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