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Rali Vinho Madeira: Miguel Nunes cumpre sonho

José Luis Abreu by José Luis Abreu
10 Agosto, 2020
in Autosport Exclusivo, CPR, CRM, Ralis
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Rali Vinho Madeira: Miguel Nunes cumpre sonho

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Há muito que Miguel Nunes e João Paulo perseguiam o sonho de vencer o ‘seu’ Rali Vinho da Madeira. Foi agora, e merecidamente. Bruno e Carlos Magalhães levaram a melhor entre os concorrentes do CPR, numa prova em que Pepe Lopéz foi ao pódio e Pedro Paixão brilhou.

Há muito que os pilotos madeirenses dão cartas na ‘sua’ prova, e um dos pilotos que há muito perseguia o sucesso, era Miguel Nunes. Já tinha estado perto mais do que uma vez, mas por um motivo ou outro o objetivo não era concretizado. Chegou a hora, e com total merecimento. Miguel Nunes e João Paulo (Skoda Fabia R5 Evo) levaram de vencida o Rali Vinho Madeira, depois de um rali em que passaram 75% a ser pressionados, reagindo sempre bem aos ataques doutra dupla de destaque desta prova: Pedro Paixão/Luis Rodrigues. Como sempre, o Rali Vinho Madeira tem mais vencedores, pois com a prova a contar para o Campeonato de Portugal de Ralis, este é outro grande pólo de interesse deste evento, embora nesse aspeto várias condicionantes tenham levado a que Bruno Magalhães e Carlos Magalhães (Hyundai I20 R5) tenham vencido com algum à vontade, pois cedo se destacaram dos seus ‘pares’ continentais. Mas já lá vamos.
O Clube Sports Madeira está de parabéns, já que coloco de pé um evento complicado, em tempos difíceis, mas o plano foi seguido À risca e não há sinal de problemas, se bem que a perfeição não existe. As imagens que fomos vendo mostravam muitos milhares de pessoas na estrada, muitas delas, arriscamos a grande maioria, de máscara. A festa não se pode fazer como noutros anos, mas nem por isso deixou de haver.


Em termos desportivos o principal destaque vai para Miguel Nunes e João Paulo, autores duma prova exemplar, lideraram do princípio ao fim, ganharam metade dos troços do rali, quase todos na fase em que o vencedor ainda era incerto. Não ocmeteram erros, fizeram as escolha táticas certas e por isso venceram. É verdade que ficaram pelo caminho, mas temos que destacar fortemente a prestação de Pedro Paixão, um piloto que não nos cansamos de escrever que merecia ter apoios para dar sequência à sua carreira, pois fazer o que fez depois de tanto tempo parado, é exemplar. Se não fosse o motor do Skoda ceder, não sabemos, sinceramente até onde conseguiria levar a pressão a Miguel Nunes e João Paulo. Chegou a estar somente a sete segundos, um pouco antes do motor começar a apresentar problemas. É verdade que na Ponta do Pargo 1, Miguel Nunes ‘arrasou’ toda a concorrência direta, mas logo a seguir o motor do Skoda de Paixão cedeu e nunca saberemos o que poderia acontecer nos cinco troços seguintes. Uma bela prestação do jovem Pedro Paixão, um talento que tem de se manter na estrada a competir.

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Sequência de Camacho terminou
Sem culpa dos azares à sua frente, no segundo lugar final a 13.1s dos vencedores ficaram Alexandre Camacho/Pedro Calado (Citroën C3 R5), que depois de três triunfos seguidos na ‘sua’ prova, a Covid-19 trocou-lhes as voltas, pois o arranque tardio do Campeonato da Madeira de Ralis, na Calheta há três semanas, uma prova em que fizeram apenas um troço antes de sair de estrada, impediu que a dupla chegasse ao Rali da Madeira com uma melhor adaptação e conhecimento do seu novo carro, fator que foi decisivo no desfecho, já que Miguel Nunes cedo ganhou ascendente, enquanto Alexandre Camacho andou sempre atrás do prejuízo, sem nunca conseguir reverter a situação, pois Miguel Nunes fez uma prova muito inteligente fazendo a diferença, como já referimos, na PE11, Ponta do Pargo 1, que ‘aviou’ toda a concorrência com 4.9s e 5.1s, colocando a margem para cima dos 10 segundos.
Depois de ter chegado ao fim do primeiro dia com 9.0s de avanço, ao triunfo claro desta especial juntaram-se depois os problemas de Pedro Paixão na PE12, passando a margem de 11.9s para 19.7s. A luta pelo triunfo acabava aí e para piorar as coisas, Paixão já não saiu da assistência, algo que o motor do Skoda a funcionar em três cilindros já deixava antever. Até aqui o rali foi super interessante na luta pela liderança.
Pepe Lopez/Borja Rozada (Citroen C3 R5) terminaram no pódio, após uma prova em que, ao contrário do ano passado, nunca estiveram em posição de lutar na frente. Logo na PE2 o espanhol perdia o segundo lugar, na seguinte já estava em quarto, pouco depois, em quinto, e por aí foi ficando enquanto a diferença para os primeiros se avolumava. Nunca teve o carro afinado para fazer melhor, e tem capacidade para isso. Chegou ao pódio por dois motivos. Porque Bruno Magalhães não tentou sequer lutar pela posição pois o seu interesse era única e exclusivamente o CPR, e porque Paixão desistiu.

Bruno Magalhães foi o melhor do CPR
Bruno Magalhães/Carlos Magalhães (Hyundai I20 R5) foram quartos classificados e fizeram um boa operação para o campeonato, pois o líder, Armindo Araújo, começou logo a condicionar esta prova quando bateu no Rali da Calheta, e não foram além da terceira posição no CPR, o que permitiu ao piloto do Hyundai recuperar muitos pontos no campeonato, quando este ainda nem sequer chegou a meio. A dupla da Hyundai, depois de chegar ao fim do primeiro dia de prova com 22.8s de avanço, passou a controlar o andamento, minimizando os riscos de qualquer eventual azar. Com dois segundos lugares e uma vitória, Bruno Magalhães tem agora uma margem marginal para Armindo Araújo, que ainda lidera o campeonato, mas o que até aqui parecia um forte embalo do piloto do Skoda, o azar que teve na Madeira, fez recuar tudo quase para a estaca zero.
Bom quinto lugar para João Silva/Victor Calado (Skoda Fabia R5 Evo), que depois duma longa ausência, dificilmente poderiam fazer mais. Ainda tentaram chegar ao quarto lugar, mas já não foi possível. Tal como o piloto referiu mais do que uma vez durante a prova
a ligação dos pneus Pirelli com o Skoda requerem habituação, pois os pilotos mostram-se excelentes até meio dos troços, mas depois, dependendo das afinações e da utilização, sofrem um ‘drop’ muito repentino, e coloca dificuldades na fase final dos troços. Quando terminou o rali, João Silva estava ‘au point’ para iniciar outro e aí talvez outro galo cantasse.

Mais ‘baixos’ que ‘altos’ no CPR
Sexto lugar para José Pedro Fontes/Inês Ponte (Citroen C3 R5), que nunca se entenderam com a afinação do carro, começando cedo a perder tempo, mesmo na luta pelo CPR. No final do primeiro dia, o ‘estrago’ já era 22.8s, e aí já era muito difícil reverter alguma coisa. Nessa altura, mudou o foco para Armindo Araújo, preferindo resguardar o segundo lugar no CPR ao invés de arriscar demasiado na tentativa de recuperar tempo para Bruno Magalhães. Fez sentido a tática, pois na verdade obtiveram o melhor resultado do ano para a equipas, mas tendo em conta que já se disputaram duas provas de asfalto, o cenário não é o melhor em termos de campeonato. E o mais estranho é que os três C3 R5 tiveram todos problemas com as afinações escolhidas.
Armindo Araújo/Luís Ramalho (Skoda Fabia R5 Evo) foram sétimos da geral e terceiros do CPR num rali que começaram a perder quando bateram no Rali da Calheta. O facto do carro que trouxeram à Madeira ser o de testes, criou um problema já que o diferencial, uma peça que não se pode mexer ‘à vontade’, não estava igual ao que a equipa utilizou na Calheta e todo esse trabalho foi por água abaixo. Muito Armindo Araújo lutou contra o carro, mas era quase impossível fazer melhor e o terceiro lugar final é um mal menor.
Continuam na frente do campeonato, mas a competição está, basicamente, ‘empatada’.
Ricardo Teodósio/José Teixeira (Skoda Fabia R5 Evo) foram oitavos, quartos no CPR, um lugar muito diferente do que almejavam e para o qual trabalharam muito. O problema é que apesar do algarvio ter chegado bem preparado à Madeira, a sua prestação é sempre vista à luz do que fazem os adversários e nesse contexto, numa prova em que nunca foi especialmente rápido, embora já tenha conseguido resultados positivos para o CPR, desta feita foi impossível fazer melhor que o quarto lugar, o que é um mal menor, mas que o deixa também mais longe do seu objetivo, que é renovar o título.
Ainda é cedo para contas, mas o ano passado com três provas tinha três vitórias e um terceiro lugar. Neste momento conta com dois terceiros e um quarto lugar. Bem diferente.
Pedro Meireles/Mário Castro (W Polo GTI R5) foram nonos, ainda tentaram aproveitar o menor andamento de Teodósio, mas o algarvio reagiu sempre nunca permitindo veleidades aos homens do Polo, que basicamente terminaram na ‘sua’ posição, tendo em conta o que é atualmente a correlação de forças do CPR. Seja como for, não andaram nada mal, mas o nível do CPR tem vindo a subir, mas Pedro Meireles ainda não consegue entrar com facilidade nas lutas mais à frente. O que é curioso, é que andaram bem melhor do que têm feito nos últimos ralis.

Muitas provas ‘interessantes’ lá para trás
Filipe Freitas/Daniel Figueiroa levaram o bonito Porsche 991 GT3 Cup ao décimo lugar da geral, um tarefa que não se afigurou fácil: tiveram problemas embraiagem, e conseguiram-na mudar sem penalizar, o que não é fácil num Porsche. Terminaram na frente de Luís Rego/Jorge Henriques (Skoda Fabia R5 Evo) que tiveram uma estreia muito difícil na Madeira. Sem conhecimento absolutamente nenhuma daquelas estradas, fizeram uma boa prova.
Paulo Neto e Vítor Hugo correram pela primeira vez com um carro com o Skoda Fabia R5 na Madeira, o que não é fácil, especialmente quando ainda se está a explorar e a evoluir a condução do carro. Depois de vários anos na Madeira com o DS3 de duas rodas motrizes, fazê-lo de R5 deve ser um ‘choque’. Saíram-se bem.
Filipe Pires e Vasco Mendonça fizeram uma prova sozinhos, no RC2N, e andaram bem. Destacamos ainda a luta de Vítor Sá e Rubina Gonçalves com Rui Jorge Fernandes e João Freitas que só terminou no último controlo. Assim dá gozo.
António Dias já avisava onde ia fazer piões, e limitou-se a dar espetáculo. Boa luta também a que tiveram nos RC4B, André Silva e Adruzilo Lopes, nos Peugeot 208 R2
Pedro Almeida e Hugo Magalhães conseguiram pontuação máxima, com a vitória entre os pilotos que pontuavam para o Campeonato de Portugal de Ralis (CPR) nas duas rodas motrizes (2RM) no Rali Vinho da Madeira. A dupla venceu a categoria RC4, foram os terceiros classificados à geral entre os 2RM e concluíram o rali na 17ª posição da geral
já a dupla Gil Antunes/Diogo Correia, em Dacia Sandero R4, continuou a sua aprendizagem, e tendo em conta a posição final, os ‘testes’ foram complicados. Claramente um ano de aprendizagem pois o carro é capaz de mais.
O Rali Vinho Madeira foi uma boa prova, ficou claro que os pilotos continentais estão a ter cada vez mais dificuldades de acompanhar os pilotos locais. Se Pedro Paixão e João Silva estivessem a correr a tempo inteiro, seriam cinco os lugares ‘reservados’ da classificação geral. Miguel Nunes, Pedro Paixão e Alexandre Camacho, poderiam valorizar imenso o CPR ‘continental’, com algum tempo de ‘aprendizagem’.

José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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