Rali Terras d’Aboboreira: CPR arranca com várias estreias e um pelotão renovado
O Rali Terras d’Aboboreira volta a assumir-se como uma das provas mais mediáticas do Campeonato de Portugal de Ralis e abre a temporada de 2026 com um elenco marcado por mudanças de fundo, estreias sonantes e uma renovação visível no parque de assistência.
Entre 17 e 18 de abril, nas classificativas de Amarante, Baião e Marco de Canaveses, a prova organizada pelo Clube Automóvel de Amarante reunirá 59 inscritos e colocará no centro da atenção o regresso da Lancia aos ralis portugueses, a reformulação de várias equipas de topo e a entrada de novos nomes em carros Rally2.
Armindo Araújo, em Škoda Fabia RS Rally2, volta a apresentar-se como uma das referências da prova e parte para a nova época com a ambição de alcançar o oitavo título nacional, depois de nos últimos três anos se ter destacado entre os portugueses nas edições ganhas por Kris Meeke e, em 2025, também na presença de Dani Sordo.
O cenário, porém, surge mais aberto em termos de novidades técnicas e desportivas, com José Pedro Fontes a estrear o Lancia Ypsilon Rally2, Ricardo Teodósio a mudar para o Citroën C3 Rally2 e a Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal a renovar profundamente a sua formação.
Regresso da Lancia marca a lista
A principal atração simbólica da prova será a estreia de José Pedro Fontes ao volante do Lancia Ypsilon HF Integrale Rally2, assinalando o regresso da marca italiana aos ralis em Portugal. Num campeonato onde as mudanças de carro podem pesar tanto quanto o andamento puro, a presença do novo Lancia acrescenta um dado de curiosidade técnica e mediática a uma prova já tradicionalmente forte em notoriedade.
Também Ricardo Teodósio chega à Aboboreira com novo pacote competitivo, agora ao volante de um Citroën C3 Rally2, numa tentativa de relançar a candidatura num rali que, em anos recentes, lhe trouxe sorte variável. Já Rúben Rodrigues mantém-se fiel ao Toyota GR Yaris Rally2, depois de em 2025 ter deixado bons indicadores na prova, concluindo-a como quarto classificado entre os concorrentes do CPR e com uma exibição considerada prometedora.
Toyota e Hyundai apostam na juventude
Na Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal, a renovação é profunda, com dois Toyota GR Yaris Rally2 entregues aos jovens Pedro Almeida e Rafael Rêgo. A aposta reforça a ideia de transição geracional num campeonato que tem vindo a abrir espaço a novos nomes, sobretudo em estruturas oficiais ou semioficiais que procuram combinar aprendizagem com exposição competitiva.
Movimento semelhante verifica-se no Team Hyundai Portugal, onde Gonçalo Henriques e Hugo Lopes sobem aos Hyundai i20 N Rally2. A promoção de ambos dá sequência a sinais já observados em anos anteriores, com Hugo Lopes a destacar-se nas duas rodas motrizes em 2024 e Gonçalo Henriques a surgir entre os jovens com margem de progressão, ainda que a Aboboreira de 2025 lhe tenha reservado um abandono quando realizava uma prova positiva.
Um plantel alargado e competitivo
A lista de inscritos inclui ainda nomes experientes e habituais do panorama nacional, como Pedro Meireles, Paulo Neto, Ricardo Filipe, Henrique Moniz e Paulo Caldeira, todos em máquinas Rally2, bem como os jovens Diogo Martins e Guilherme Meireles. No CPR 2RM, a animação promete manter-se intensa, com destaque para o pelotão dos Peugeot 208 Rally4 e para Pedro Câmara Jr., que em 2025 dominou o FPAK Júnior Team e chega agora a esta abertura de temporada como um dos focos naturais de interesse.
A profundidade da lista ajuda a perceber a centralidade crescente do Terras d’Aboboreira no arranque da época. Não se trata apenas de discutir a vitória absoluta, mas também de medir novas duplas, novas montadas e diferentes ritmos competitivos num rali que, pelo seu perfil, costuma separar cedo os candidatos mais sólidos dos projetos ainda em fase de construção.
Estrangeiros voltam a marcar presença
Tal como nas edições anteriores, a prova do Clube Automóvel de Amarante voltará a contar com participação internacional, ainda que em número mais reduzido. O maior destaque vai para os seis jovens integrados no Toyota Gazoo Racing WRC Challenge Program, distribuídos por duas equipas e divididos entre diferentes patamares de evolução, numa iniciativa pensada para identificar e acelerar novos talentos da estrutura japonesa.
Shotaro Goto, Takumi Matsushita e Jaspar Vaher surgem aos comandos de Toyota GR Yaris Rally2, enquanto Rio Ogata, Kanta Yanaguida e Jarkko Nikara conduzirão Renault Clio RS Rally3. A presença destes pilotos confirma o valor da Aboboreira como palco de observação e aprendizagem, juntando-se ainda às participações do francês Mattéo Chatillon, em Škoda Fabia RS Rally2, e do neozelandês Bryn Jones, em Peugeot 208 Rally4.
Uma abertura de campeonato com mais perguntas do que respostas
À entrada para a primeira prova do CPR, a Aboboreira apresenta-se como um rali de forte simbolismo competitivo: há mudanças de carro em pilotos de referência, há equipas renovadas, há um regresso histórico com a Lancia e há uma nova geração a ganhar espaço em estruturas de fábrica ou próximas disso. Num terreno tradicionalmente seletivo, o rali poderá começar por responder à pergunta mais imediata da temporada: quem chega melhor preparado para transformar novidade em rendimento.
O contexto recente sugere prudência nas leituras antecipadas. Nas últimas edições, a prova tanto serviu para confirmar favoritos como para expor fragilidades, seja por via da meteorologia, de furos, de erros estratégicos ou de diferenças de andamento em troços exigentes, pelo que a edição de 2026 arranca sob o signo da expectativa, mas também da incerteza competitiva.

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