Rafael Rêgo prepara estreia com a Toyota: “Este é um ano para aprender…”
Aos 20 anos, Rafael Rêgo assume o desafio Toyota GR Yaris Rally2: “a Toyota acredita em mim”, diz, preparando-se para o seu novo capítulo nos ralis
Aos 20 anos, Rafael Rêgo vive um dos momentos mais marcantes da sua jovem carreira. Após se destacar no CPR duas rodas motrizes e no FPAK Junior Team, o piloto português chega agora à estrutura oficial da Toyota Gazoo Racing Caetano Portugal, onde alinhará ao volante de um GR Yaris Rally2 no Campeonato de Portugal de Ralis, preparado pela Sports & You.
Reconhecido pela sua determinação e rápida evolução, Rêgo encara 2026 como um ano de aprendizagem, essencial no patamar mais alto, e está preparado para absorver experiência, e consolidar o seu percurso entre a nova geração de talentos nacionais.

Em entrevista ao AutoSport, o jovem piloto fala sobre a oportunidade inesperada de integrar uma equipa oficial, o papel determinante da FPAK na sua formação, as expectativas para a adaptação ao Rally2 e a importância de crescer com regularidade e maturidade competitiva. Entre ambição e humildade, Rafael Rêgo mostra-se consciente do desafio que o espera e determinado em justificar a confiança que lhe foi depositada, num projeto que poderá marcar o início de uma nova fase no seu percurso desportivo.
AutoSport: Aos 20 anos, com um lugar oficial na Toyota e num Rally2, em que momento é que esta oportunidade se tornou real para ti? Houve um momento em que sentiste que isto era possível?
Rafael Rêgo: Tivemos uma proposta, que não podíamos negar. Nunca pensei que pudesse surgir tão cedo, não pensei que fosse possível. Mas ainda bem que surgiu, acreditam em mim e tendo em conta que gostava de fazer parte de uma equipa oficial, foi ótimo!”

AS: Qual tem sido o papel da FPAK e do FPAK Junior Team neste caminho até ao CPR e a um programa oficial? Sem esse apoio, achas que este salto aos 20 anos seria viável?
RR: A FPAK deu-me a oportunidade do FPAK Junior Team, a mim e a muitos outros, e agora também neste processo com a Toyota. No FPAK Júnior Team, não fui campeão por pouco, e nessa altura nem sequer pensava poder logo competir de Rally4, e aconteceu, dois anos, e muito menos agora chegar aos Rally2, e logo numa equipa oficial da Toyota. Nunca pensei, mas ainda bem que aqui estou, pronto para o desafio.”
AS: Que tipo de adaptação esperas ao GR Yaris Rally2, vindo das duas rodas motrizes e dos troféus monomarca? Quais são as maiores diferenças que antecipas ao nível de condução, notas e gestão dos ralis?
RR: “Estou ansioso pela experiência, ainda não andei, mas dizem-me que é um carro mais fácil de guiar, curva mais, trava mais, mas para já, como nunca andei, não sei. Andei somente uma vez ao lado. Contudo, já me estou a preparar em termos físicos, já tenho um plano traçado, ando a fazer ginásio todos os dias, também vou correr diariamente, estou a começar a preparar-me melhor fisicamente, porque vai ser preciso, é um um carro que há-de exigir muito mais do piloto.”
AS: Quando está previsto guiar o carro?
RR: “Está previsto para março, ainda não sei uma data concreta. É pena o que sucedeu com as tempestades e o que sucedeu na zona centro, mas para nós foi bom este atraso, porque acaba por nos dar mais tempo para trabalhar…”
AS: Definiste 2026 como um ano de aprendizagem. Em termos concretos, que objetivos internos colocas para ti: quilómetros, regularidade, evitar erros, lutar por certos resultados em provas específicas? Como é?
RR: “O que a equipa quer – o que toda a gente quer que eu faça – é que este seja um ano de aprendizagem.
Um ano para aprender. Eles não querem resultados, o objetivo é que, no segundo ou terceiro ano, possamos vir a ser campeões nacionais. Sabemos que é difícil, mas vamos tentar.
Para já é tentar ser o mais regular possível, terminar ralis, acumular quilómetros, porque nos Rally4 tive alguns azares. Tenho de ser mais regular, ganhar consistência, experiência. Dar o meu melhor, sim, gostava de apresentar bons resultados, ainda sem o objetivo de ganhar, mas objetivamente evoluir como piloto, e ir melhorando prova a prova a todos os níveis. Basicamente, é para aprender e assimilar tudo, para depois assumir objetivos mais ambiciosos…”
AS: Quando olhas para o para o teu percurso desde a estreia no Rally de Lisboa em 2023, quais foram os momentos chaves, os bons e os maus que mais te moldaram como piloto?
RR: Os meus acidentes. São maus, mas ajudam a perceber melhor como são as coisas, o que é o que é que são os exageros.
AS: Em que é que achas que tens que trabalhar mais?
RR: “Às vezes, se calhar, se tenho uma dúvida, dou um ‘passo atrás’. Por exemplo, bati duas vezes de Rally4, e essas duas vezes que bati, foi assim do nada, não estava à espera. Não ia a exagerar, sempre fui um piloto super confortável, não arrisco, só que às vezes acontece, ou um furo como em Chaves do ano passado, em que bati na última curva, a 50 metros do fim do troço, bati na última curva, e mais recentemente em Lisboa, era uma reta grande, a descer, na chuva, só que travei num sítio que tinha um ‘saltinho’ e ao travar no salto, quando as rodas voltaram ao asfalto o carro não ‘pegou’ aderência e não não deu para travar mais. Eu acho que foi um bocado de azar, mas talvez também falta de experiência, pois um piloto mais experiente ali, se calhar que com o ‘salto’ teria de travar um bocadinho antes…
E tive também momentos muito bons, claro, o que andei em Chaves, estava a fazer um bom rali. Fomos para essa prova “OK, vamos fazer as coisas em condições, vamos lá para tentar ganhar”. E fizemos um grande rali, vencemos os RC4 e os Júnior com quase um minuto.
Também gosto muito do Rali Terras d’Aboboreira, é um rali que gosto bastante, também estava a correr muito bem. Estava na frente já na parte final do rali, raspei com com para-choques num muro e fiquei num barranco, de onde não deu para sair. O carro nem ficou estragado, só ficámos entalados. Eu tento ser sempre consistente com a minha condução, mas por vezes acontece alguma coisa, que não me permite fazer melhores resultados, mas o andamento está lá…”
AS: Preferes asfalto e terra? É diferente ou é mais ou menos a mesma coisa para ti?
RR: Para já estou mais à vontade no asfalto, mas também gosto muito dos pisos de terra. Adoro a terra!, Também já fiz alguns bons resultados em terra. Agora com o Rally2 acho que vai ser mais fácil em terra, mas para já como nunca andei, não posso saber, nesta altura.
Mas com o Rally4 sentia que em asfalto não tinha que trabalhar tanto no carro como nos ralis de terra.
Por exemplo, eu trabalho muito a ver vídeos, que me ajudam bastante a andar mais depressa, e nos ralis de asfalto, dois ou três dias é suficiente a ver vídeos, mas em terra demora bastante mais, há muito menos referências na estrada, a maior parte é só árvores. No asfalto temos um pino, uma casa de uma cor. É muito mais fácil…”
AS: Em termos de futuro, onde é que te vês dentro de 5 anos? Consolidado no CPR a lutar pelo título absoluto ou pensar num programa internacional? Já pensaste nisso ou ou ainda só pensas neste ano que tens pela frente?
RR: “Eu sei o que quero! Gostava de um dia conseguir ir lá para fora. Mas tenho perfeita consciência que neste momento o que eu preciso é aprender, aprender muito, evoluir como piloto, subir degraus, e então depois, ir por onde o caminho nos levar….”
AS: Onde achas que precisas de amadurecer mais? Leitura do terreno, trabalho de equipa, feeling técnico ou outra coisa qualquer?
RR: “Para já eu acho que é ser mais consistente. Ganhar experiência para não cometer erros, não exagerar, procurar a consistência e depois ir aumentando o ritmo gradualmente…”
AS: Que mensagem é que deixas a quem te apoiou? Equipas, patrocinadores, família, adeptos. O que é que lhes podes prometer para esta nova fase com a Toyota?
RR: “Agradecer a todos, porque sem eles nada disto seria possível. O que prometo é trabalhar muito e bem para conseguir no futuro conseguir dedicar-lhes vitórias e dar visibilidade aos meus patrocinadores, e claro, à Toyota…”
FOTOS ZOOM MotorSport/António Silva
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