Polémica da gasolina no CPR: José Pedro Fontes e Armindo Araújo esclarecem a situação…
Na sequência do comunicado da ARC Sport, em que Augusto Ramiro se insurge contra a FPAK por esta ter feito uma alteração provisória do regulamento do CPR no que à utilização de combustíveis diz respeito, referindo que a alteração foi feita em cima da hora, aludindo à alegada falta de diálogo entre as partes, sendo também referido que: “a única vez que fomos contactados devido a este problema, foi na passada sexta-feira, pelo José Pedro Fontes que, penso, não ter legitimidade para tratar de assuntos que só dizem respeito à FPAK”.
Tendo em conta esta acusação, o AutoSport contactou o piloto, que nos expressou a sua visão das coisas: “Em primeiro lugar agradeço a oportunidade de esclarecer esta situação, a única razão porque eu falei com as equipas, a Racing 4 You e a ARC Sport foi na sequência de um telefonema que recebi do Armindo Araújo sobre o problema que ele tinha e todos os Skoda com a Evo 2025 vão ter, pois penso que as outras equipas vão também atualizar os seus carros.
Tendo em conta o problema colocado pela Armindo, tinha que se encontrar uma solução para todos terem gasolina e foi na qualidade de Presidente da Associação de Pilotos de Ralis, porque um piloto, o Armindo, me contatou, que eu tentei encontrar uma solução.
Não consegui que houvesse unanimidade das equipas, a única equipa que se pôs ao lado desta solução foi a Sports & You. Na verdade, se pensarem um pouco, eu coloquei-me ao lado de um dos meus maiores adversários, tentei ajudá-los a resolver um problema, e agora estou a ser acusado de andar a manobrar alguma coisa, o que é desagradável e lamentável.
Recordando a história, a partir do momento em que a P1 faliu, no CPR ficámos dependentes de uma só gasolina, a ETS LPC 4 o que não me parece bom para o campeonato.
Começou a haver a necessidade de pensarmos o que vamos fazer no futuro.
A minha posição é que devemos estar alinhados com a regulamentação do WRC2. Mas não me refiro à utilização do combustível único, o do WRC2, mas sim da regulamentação, porque com essa regulamentação, cada marca de gasolina existente no mercado, ‘faz’ a gasolina para aquela regulamentação, dessa forma temos a garantia da qualidade técnica, porque as marcas automóveis trabalham essencialmente dentro dessa regulamentação, e depois porque eu acredito que é importante continuarmos com uma mensagem de sustentabilidade ambiental e como tal defendo a utilização de gasolina renováveis.
Dito isto, a minha proposta à Federação por escrito foi, que no futuro devíamos alinhar-nos com a regulamentação WRC2 sem fornecedor exclusivo. Esta questão pôs-se logo em Fafe! Fomos deixando as coisas andar, e a semana passada fui surpreendido pelo Armindo, que o Skoda de 2025 não tem mapa para esta gasolina ETS LPC4. Portanto, tivemos que arranjar uma solução, porque não podemos por equipas fora, hoje é a Skoda e amanhã pode ser a Citroen, Hyundai ou Toyota.
A solução era virmos, pontualmente, para as gasolinas convencionais e depois decidirmos o que vamos fazer para o resto campeonato.
Aqui, o que eu disse foi: se vamos dar um passo atrás e estamos a uma semana de começar um rali, temos que ter a garantia de que as marcas que estão no mercado têm gasolina para toda a gente. E tendo em conta que há gasolinas melhores que outras, teríamos que ter a garantia dos fornecedores que tinham disponibilidade de stock para todos, pois não me parece justo, uns terem gasolina, e outros eventualmente, não. Perguntou-se à ETS, Panta e ELF, e no sábado só a Panta deu garantias, de ter gasolina para Castelo Branco para todos. A igualdade estava garantida para todos.
Desta forma, existia uma solução que viabilizava a presença do Armindo e de outros eventuais carros com a evo 2025 neste rali.
Quanto à legitimidade, sou Presidente da Associação de Pilotos de Ralis que é a Associação que tem lugar na Comissão de Ralis.
Portanto, a única coisa que eu fiz foi pegar no telefone, falar com o Racing 4 You e com a ARC e dizer: “Temos este problema, quais são as soluções?” Sei que a Racing for You falou com a FPAK, se a ARC não falou é um assunto que não me diz respeito.
Se repararem, se estivesse de má fé, o Armindo Araújo é o principal adversário dos carros assistidos pela Sports & You, e se os Skoda não corressem, quem era o principal beneficiado? Os principais adversários dos carros da Sport & You são os pilotos que competem de Skoda.
No limite, eu era o principal interessado a bloquear esta situação, mas não, trabalhei para encontrar uma solução provisória. Eu só tentei ser parte da solução e agora estão a colocar-me como causador do problema?
É no mínimo caricato, mas cada um saberá quais as verdadeiras razões para não se encontrar soluções para todos participarem.”
Posto isto, tendo em conta que o piloto foi referido, falámos também com Armindo Araújo, confrontando-o com o que dissera José Pedro Fontes e o piloto da Skoda contou-nos como tudo se processou: “tudo partiu de um esclarecimento a por parte da The Racing Factory à Federação a dizer: “Vamos receber um carro com as novas especificações de 2025 e a Skoda não tinha mapa de motor. Eu perguntei ao Ni Amorim que disse “a Federação não pode, não permitir que um carro FIA corra em Portugal. Vamos ter que nos adaptar”, e foi isso que fez.
Eu falei com o Zé Pedro, que é o meu maior concorrente, como equipa, e ele teve grande atitude…
Já andávamos a falar disto há algum tempo, que iria dar problema, porque as marcas não estão a construir carros para esta gasolina 100% sintética, porque a P1 faliu. O Zé Pedro fez a ligação com a FPAK e terá feito com as equipas, e chegou-se a esta conclusão, que era ninguém ficar em vantagem sobre outros e o único fornecedor que assumia ir pôr a gasolina em Castelo Branco era a Panta.
E, portanto, foi decidido que iríamos todos nas mesmas condições, para ninguém se ficar a queixar.
O Zé Pedro portou-se muito bem neste assunto, o Ni Amorim esteve muito bem neste assunto, e disse: “Eu quero que toda a gente corra, mas não quero ninguém em vantagem. Portanto, eu vou pôr todos os carros a correr, mas não vou dar vantagem a ninguém. Vai tudo igual. Era a questão dele. E para o Rali da Madeira, e em diante, vamos-nos alinhar com a regulamentação WRC2. Regulamentação e não é monopólio de marca.
Basicamente, montou-se um cavalo-de-batalha numa coisa que não tem nada a ver, e eu, por acaso, estou dentro deste assunto desde o início e sei que não houve aqui nada. Foi tudo mal interpretado”, disse Armindo Araújo ao AutoSport.
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jose melo
13 Junho, 2025 at 15:28
José Marques. Começando pelo fim, se há organizador que não merecia que os pilotos se recusassem a participar (se se tivessem arregimentado) era a Escuderia. Nesse aspeto ainda bem que não aconteceu. Parece-me que a posição do Meireles e do Ricardo Filipe, embora com pressupostos diferentes fica um pouco a ideia que na prática foram colocados perante factos consumados, e não foram ouvidos. Já a ARC, porque também envolve alguns pilotos que têm objetivos diferentes, e face ao que disse o Ramiro, parece-me que se o contacto tivesse vindo da FPAK (como eu acho que devia) e não do Zé Pedro, também ficaria resolvido. Acaba por ser um problema que insisto não devia existir, principalmente porque aparentemente houve tempo para resolver, e também continuo a considerar que quando estas coisas surgem deve ser a FPAK a resolver, pois é a única entidade com poder para tal. Como já disse antes, não faço a mínima ideia do desempenho dos carros com um tipo de combustível ou outro. Porque a ARC por exemplo disse que ia manter o que estava regulamentado. Se houver grande diferença e/ou interferir visivelmente nos resultados, acho que ainda vamos ter conversa.
Jose Marques
13 Junho, 2025 at 23:05
José Melo esperemos que não tenhamos mais conversa acerca disso 😅. O campeonato e os seus intervenientes merecem o melhor. Temos duas estrelas mundiais (ou 3, contando com o AA) e é um privilégio tê-los a correr no nosso nacional.
Bem haja para si!
jose melo
15 Junho, 2025 at 9:55
Bom dia José Marques. Voltei à nossa interessante conversa. Infelizmente parece que o pior aconteceu. Vamos ver o que vai agora suceder, mas parece-me que não vai ser nada bom.
Bem haja para si também.