“O feedback foi bom”: Guilherme Meireles faz balanço da estreia no Skoda Fabia Rally2 Evo
Rali Serra da Cabreira marcou o primeiro contacto de Guilherme Meireles com os Rally2.
Guilherme Meireles iniciou no Rali Serra da Cabreira uma nova etapa da carreira, ao estrear-se ao volante de um Skoda Fabia Rally2 Evo depois de três temporadas a correr no Peugeot 208 Rally4. Num fim de semana marcado pela adaptação à tração integral, ao novo ritmo competitivo e a um carro de exigência superior, o piloto de Guimarães privilegiou a aprendizagem, a acumulação de quilómetros e a evolução progressiva ao longo da prova.

AutoSport: Estreaste-te com o teu novo Skoda Fabia Rally2 evo, um passo natural depois de três anos com o Peugeot 208 Rally4. Como foi para ti este primeiro fim de semana de Rally2?
Guilherme Meireles: “O feedback foi bom, entrámos. Estamos a conhecer a nova realidade. É tudo novo, o carro é completamente diferente daquilo que tínhamos nas duas rodas motrizes. Foi a primeira vez que conduzi um carro de tração às quatro rodas, não tinha qualquer tipo de experiência.
Neste primeiro rali era importante fazer todos os quilómetros, voltar ao ritmo competitivo, que também já não corríamos desde o Rali Vidreiro.
Portanto, tratou-se de voltar a ganhar confiança, fazer quilómetros e ir crescendo ao longo do rali.
Entrámos um bocado nervosos, para ser sincero. Faz parte, mas depois acho que foi bom, porque senti que fui evoluindo ao longo do rali, e cheguei bastante melhor ao último troço do que como comecei, e era esse o objetivo principal.”

AS: Estás a pensar fazer o campeonato todo?
GM: “Não, tudo não vamos fazer. Neste momento, o Rali de Portugal é certo que não vamos fazer. O Rali da Madeira também, muito provavelmente, não vamos fazer. Podemos vir a fazer! Mas, à partida, não vai ser possível.
Depois, as provas do continente, à partida, vamos tentar fazer o máximo possível. Acredito que vamos fazê-las todas.”
AS: E entre Lisboa e Castelo Branco, estás a querer ir às duas ou só a uma delas?
“Ainda não tenho a certeza. Gostava muito de ir a Castelo Branco, porque é um rali de que eu gosto muito. É, talvez, o meu rali de asfalto favorito. Mas também gostava de ir a Lisboa, porque não conheço, e acho que, sendo um rali que pode permanecer no campeonato para os próximos anos, acho que é importante começar a ter bom conhecimento do que é o rali. Mas ainda não temos nada decidido, podemos, eventualmente, até fazer os dois, porque, numa ótica de, mesmo não pontuando, podemos ir fazer para ganhar experiência. Depois, logo se vê…”

AS: E quanto ao ‘choque de realidade’ do fim de semana no Rali da Cabreira? Nas 2RM, o segredo era manter o motor em alta rotação, qual foi o maior ‘choque’ neste primeiro rali com o Rally2: a forma brutal como o carro ‘sai’ das curvas ou a confiança que é precisa para travar 20 ou 30 metros mais tarde do que estavas habituado?
GM: “Eu diria que é tudo! Este carro, basicamente, faz tudo muito melhor do que o outro. Curva muito melhor, trava muito melhor. Aquilo que, talvez, ainda me surpreende mais é o poder de travagem do carro.
Porque nós, talvez, em algumas zonas, no Peugeot, não chegássemos muito mais lento, não era assim tanta a diferença, porque aquele carro, de velocidade de ponta, também chegava mais ou menos aos 160, 170 km/h, só que este carro, a travar, é uma coisa completamente diferente.
Então, esse – entre todas as outras coisas – foi realmente aquilo que mais me surpreendeu, porque eu, com a minha memória visual adaptada ao outro, travava ainda bastante mais cedo. Estou a travar bastante mais cedo e, portanto, isso vai requerer adaptação.
Mas depois, o carro faz tudo e, se nós começarmos a confiar e a acreditar que ele trava, que curva, o carro realmente tem um poder de tração, de trabalho de chassis, é tudo um mundo completamente diferente. Portanto, vai requerer um bocado de adaptação, mas acho que, neste primeiro impacto, o que me surpreendeu mais foi, talvez, a travagem.”
AS: Sim, é efetivamente outro mundo, vais ter que fazer essa gestão da curva de aprendizagem. E geriste o lado mental no fim de semana, para não te deixares levar pelo entusiasmo e focar-te apenas em terminar a prova e em acumular quilómetros de aprendizagem?
GM: “Sim, no momento em que nós pomos o capacete, queremos ser o mais competitivos possível, quer conte para o campeonato, quer não, ou seja, há sempre aqui um lado de vertente competitiva que nós gostamos de assumir, gostamos de tentar ser o mais rápidos possível. Termos lá alguns Rally2 foi algo bom para termos um termo comparativo, até para ver como é que nos situamos nesta fase, e como é que íamos evoluindo ao longo do rali.
Mas tentei abstrair-me disso, nós tínhamos um objetivo claro, que passava por fazer quilómetros, adaptar-me ao carro, voltar a competir, aprender e pronto.
Fui melhorando, fui-me soltando um pouco ao longo do rali e tentei abstrair-me um bocado dos tempos.
Num rali do campeonato, temos sempre a tendência para olhar, e para nos focarmos naquilo, mas aqui tentei fazer um bocado desse exercício de abstração, até porque era mesmo um rali de preparação e encarámos isto como se fosse um teste. Fazer quilómetros, rodar, ganhar experiência com o carro e aprender, portanto, foi esse o exercício que fizemos. Acima de tudo, evoluir, quilómetro a quilómetro. Temos muita coisa para melhorar e é nisso que eu me vou focar.”
AS: E como é que foi com a diferença nas notas? Com o Rally2 as coisas acontecem muito mais depressa e o tempo de reação encurta. Sentiste necessidade de mudar alguma coisa?
GM: “Para já não, ainda não o fizemos, mas é uma coisa em que eu já estive a pensar. Acredito que não vá haver muita diferença, mas eu acho que vai ter que haver aqui um trabalho da minha parte de readaptação à leitura das notas, porque eu vou ter de perceber, sendo as mesmas distâncias, que chegam agora mais depressa, e se antes eu tinha de abordar de uma determinada maneira, agora, se calhar, vou ter que abordar de outra, porque 20 ou 30 metros vão ser suficientes para travar. Acho que aqui e ali podemos fazer uns ajustes, mas o sistema de notas mantém-se no seu essencial, para já mantém-se exatamente o mesmo.”
AS: E quanto a este rali, já conhecias a maior parte dos troços?
GM: “Não, por acaso não. Só conhecia o último e parcialmente. Já tínhamos testado na zona do início e a meio. Mas de resto não conhecia nada, o que também acabou por ser mais um fator de dificuldade. Claro que acabei por, naturalmente, me sentir mais confortável nas partes que conhecia.”
AS: Pondo tudo isso na balança, carro novo, não conhecer a maioria dos troços, ao contrário da maioria dos pilotos de Rally2, o que é que achaste, as tuas expectativas versus a realidade depois do que te ‘disse’ o cronómetro?
GM: “No primeiro dia, eu acho que estávamos muito longe do ritmo. Mas eu não sabia mesmo se me ia situar a 1 segundo por quilómetro, a 2 segundos por quilómetro, portanto, não fazia a mínima ideia.
Achei que no primeiro dia, efetivamente, pela maneira como estava a conduzir e a abordar, estava um pouco nervoso, abaixo daquilo que seria um bom ritmo, mas no segundo dia, principalmente no segundo troço de cada ‘loop’, já conseguimos um ritmo bastante interessante. Principalmente no último troço, onde conseguimos andar ali já bastante mais próximo do que são os primeiros. É certo que também eles não estavam a puxar ao máximo, como se fosse num rali de campeonato, mas acho que já fizemos um último troço bastante interessante.
Mas, muito naturalmente, ainda há muito trabalho para fazer, eu acredito que sei onde posso trabalhar essencialmente da minha parte, tanto tecnicamente como na maneira como vou abordar as provas, e acho que vou conseguir melhorar algumas coisas no curto prazo e apresentar um ritmo já bastante mais interessante. Estou convicto, sem dúvida.”
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