Miguel Campos: “Pode haver 10 ou 15 provas, mas as pontuáveis devem ser cinco ou seis no máximo”

Por a 16 Abril 2020 08:29

Numa altura em que ainda estamos longe de ter condições para saber o que pode fazer a FPAK em termos de calendário do CPR, a discussão entre alguns dos principais ‘players’ do CPR chegou à praça pública, sendo que em termos globais se fala da inevitável redução do número de provas a realizar, mas Miguel Campos, que tem estado ativo no CPR sempre que pode, o ano passado fez alguns ralis, desde o Rallyspirit (carro zero, Hyundai i30 Fastback N), Rali Vidreiro (Porsche 997 GT3 Cup 3.6, carro zero), Leiria R5 Gold Challenge (Škoda Fabia R5), Super Especial Joane – Vila Nova de Famalicão, Hyundai i20 R5 e o Almada Extreme Sprint (Mitsubishi Lancer) tem também algo a dizer sobre o assunto.

Tem-se falado muito de mudanças para o CPR, qual é a tua opinião quanto ao número de provas e pontuações?

Já falo há alguns anos em mudanças, acho que o numero de provas até pode ser 10 ou 15, mas as pontuáveis devem ser cinco ou seis no máximo. Não temos economia que sustente este modelo atual, ao mesmo tempo bloqueamos a participação de pilotos que poderiam estar no ativo, caso o numero de pontuações fosse inferior…”

Não concordas com 10 provas, escolher oito e pontuar em sete, porquê?

Não. Eu concordo com 10 provas ou 20 provas, como já falei várias vezes, já tive o privilégio de fazer parte de equipas de sonho, e de ter patrocínios que qualquer um gostava de ter, com bons orçamentos. Quando isto acontece qualquer piloto nesta situação, vai de imediato lutar pelo campeonato seja com cinco ou seis provas pontuáveis, bem como, se tiver 20 pontuáveis, isto porque, o orçamento chega e sobra, e também neste tipo de casos isolados o motivo destas empresas em patrocinar é com o objetivo bem claro de lutar pelo campeonato e também pela própria divulgação de comunicação e Marketing da empresa. Por isto é que nestes casos estes pilotos tanto fazem 5, 6… ou 20 ralis.

Onde está o problema? Está no facto de se o campeonato tiver 8 provas pontuáveis, só três ou quatro equipas é vão lutar pelo campeonato, e com isso, o desporto vai perder porque está a retirar a possibilidade de outros pilotos, que não tem a possibilidade de fazer todas as provas de lutarem e por vezes até nem fazerem ralis, porque as empresas não o vão apoiar só para fazer quatro ou cinco ralis.

Depois também não vejo lógica nenhuma de um piloto ser obrigado a escolher no inicio do campeonato as provas que vai correr.

Quem tem muito dinheiro até escolhe, porque faz tudo, quem não tem, fica sem opção de viabilizar o seu programa, isto porque os que têm menos possibilidades económicas podem ir ao longo do campeonato viabilizando as suas participações.

Caso contrário, morrem logo à nascença, ficando o campeonato bloqueado a dois ou três participantes, o que não é nada interessante, tanto para a competição como para o público, nem para a comunicação.

Dizes que só deveriam de pontuar os 5 ou 6 melhores resultados de cada piloto. Para ti, faz sentido um piloto que faz apenas 5 provas ser campeão face a outros que façam sete ou oito provas?

Para mim faz muito mais sentido um campeão que faz cinco provas do que aquele que se andou arrastar e a somar pontos o anos todo.

Sou a favor da alta competição, dou valor desportivo ás vitórias e a quem se esforça por elas. Com 5 ou 6 pontuações é a única forma que existe dos pilotos andarem sempre no máximo sem pensar no furo e na regularidade, para pontuar. A característica dos ralis é o sprint.

Imagina este cenário, contam os melhores 5 resultados, um piloto ganha as cinco primeiras provas, o que sucedia ao resto das provas do campeonato, fossem, mais três ou quatro? Faz sentido pontuarem tão poucas face ao número de provas da competição? Há algum exemplo no estrangeiro ou no passado que justifique isso?

Acho que é viável, mas se tivermos 10 ou 12 ralis no calendário, pode haver mais pilotos a ganharem as restantes cinco, o que ainda torna mais competitivo e abre portas como já falei, aos que no início do ano não tiveram apoios mas que possam arranjar ao longo do ano.

Caso contrário, se não tiverem o dinheiro logo em janeiro, podem esquecer a luta pelo campeonato.

Achas que o Rali de Portugal, Açores e Madeira devem fazer parte do CPR?

Acho que todas as provas devem fazer parte do campeonato, por isso deixo cinco para pontuarem. Estas provas são importantes para obtenção de retorno e também de experiência internacional para o piloto. Não hipotecando mesmo para os que têm grandes orçamentos, a verdade desportiva do resultado, porque já não precisam de dar a desculpa que querem lutar pelos pontos preciosos, ficando sempre com hipótese de poder brilhar com um grande resultado.

Aproveito para dizer que nestas provas uma vez que são muito longas deveriam de ter uma pontuação superior, Ex: Rali de Portugal + 30% da pontuação; Açores e Madeira +20% da pontuação. Isto porquê? Assim se o campeonato tiver por exemplo 8 ou 10 ralis com estas pontuações vamos ter a possibilidade de pontuar as 5 melhores em 6 ou 7 ralis pequenos mais o Rali de Portugal com bonificações 30% (10% por dia) e ilhas com bonificações 20% (10% por dia).

Achas que os adeptos e os patrocinadores preferem ver 15 R5 a correr e listas de inscritos de 40 concorrentes, ou preferiam listas de 80 concorrentes sem R5 ou só com um ou dois?

Eu acho que o campeonato tem de ter os melhores carros e melhores pilotos, só assim é que dá retorno, e cria possibilidade de se fazer negócio publicitário à volta deste desporto. Ao reduzir o número de pontuações automaticamente estamos a nivelar economicamente o campeonato, da forma que está hoje, está tudo ao contrário. A equilíbrio resolve os problemas todos, mesmo quem está a iniciar com pouco dinheiro já pode participar e pontuar independentemente se corre de R1 ou R5. Sou a favor até de deixarem correr os WRC e Grupo A antigos juntamente com os atuais, afinal há carros baratos que são espetaculares.

Explica para ti o que apelidas de ‘dimensão portuguesa’ dos ralis.

Quando falo da nossa ‘dimensão portuguesa’, falo que em Portugal há bons pilotos, mas há poucas grandes empresas a dar grandes apoios, são três ou quatro. Tendo este cenário temos de nos sintonizar na nossa dimensão económica, ou seja, temos de estruturar os campeonatos para o estilo de 97% dos participantes que são os que montam o projeto com os patrocínios dos amigos, aquele piloto que tem dinheiro mas que paga tudo do bolso e não tem apoios e faz as corridas para se divertir e quando lhe apetecer e para os pilotos que têm poucos apoios e que têm o direito de lutarem pela verdade desportiva dentro de regras equilibradas.

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2 comentários

  1. [email protected]

    16 Abril, 2020 at 8:37

    Subscrevo.

  2. carlos-ferreira-silvaat-gov-pt

    16 Abril, 2020 at 13:17

    E que tal uma única prova, de preferência uma ganha pelo concorrente identificado ?

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