Jovens promessas, veteranos e ‘WRC-Boys’ em destaque: o Cenário do CPR após seis provas
Com seis provas já disputadas, o Campeonato de Portugal de Ralis tem mostrado um nível competitivo elevado, com várias histórias individuais a marcar a temporada. Se Kris Meeke arrancou a época em clara superioridade, pilotos como Armindo Araújo, Dani Sordo, têm assumido papéis centrais nas lutas da frente, outros como Pedro Almeida, Ricardo Teodósio, José Pedro Fontes, Rúben Rodrigues e Pedro Meireles têm proporcionado momentos de destaque e muita competitividade. Por fim, o lugar aos jovens, com Gonçalo Henriques e Hugo Lopes a ‘crescer’ para mais tarde serem eles a ‘dar cartas’. Nas 2RM também tem havido diversos vencedores, mas ainda muito para resolver.
Evolução do campeonato
Após seis ralis, Kris Meeke mantém a liderança do CPR absoluto, sem que Armindo Araújo esteja muito longe em termos pontuais, e Dani Sordo, neste caso, no que ao andamento diz respeito.
Pedro Almeida estreou-se a vencer no CPR, no Rali de Portugal, Gonçalo Henriques espantou toda a gente com o pódio no Algarve e o 4º lugar no Rali de Portugal, enquanto Hugo Lopes, já nesta segunda metade da época, está a melhorar a olhos vistos…
Nas 2RM, Ricardo Sousa assumiu a dianteira, mas sente alguma pressão de Henrique Moniz e Guilherme Meireles, num campeonato que promete ser decidido ao detalhe nas últimas duas provas.

Kris Meeke: arranque demolidor e primeiros percalços
O britânico arrancou a época em grande estilo, vencendo em Fafe, no Algarve e em Terras d’Aboboreira. No Rali de Portugal parecia lançado para a quarta vitória consecutiva, mas problemas de suspensão ditaram o abandono à beira do fim. Em Castelo Branco foi o mais rápido na estrada, mas uma penalização de 15 segundos fê-lo cair para segundo, atrás de Dani Sordo. Ainda assim, mantém-se líder do CPR e continua a ser o grande favorito ao título, mesmo que já não com a tranquilidade inicial.

Dani Sordo: experiência que já dá frutos
Dani Sordo tem sido o principal opositor de Kris Meeke, em termos de andamento, com várias exibições fortes, embora quase sempre secundadas por problemas mecânicos ou pequenos erros. Em Castelo Branco beneficiou da penalização aplicada ao rival e somou a primeira vitória da época, mantendo-se bem colocado na luta pelo título.
Sempre competitivo, o espanhol tem mostrado grande consistência ao volante do Hyundai, que tem sido a parte fraca deste binómio, num carro que deixa muito a desejar face à concorrência da maioria das restantes marcas dos Rally2, com o espanhol a fazer o que pode, sem fazer milagres.

Armindo Araújo: regularidade a favor da luta pelo título
Armindo Araújo tem sido o português mais constante e rápido e tem quase o dobro dos pontos dos seus adversários lusos. Sem ainda ter conseguido vencer – estrangeiros têm vencido as provas todas – tem somado segundos e terceiros lugares, mostrando consistência, experiência e resistência em ralis exigentes. Apesar de alguns pequenos contratempos, como o furo em Mortágua no Rali de Portugal, segue firme no segundo lugar do campeonato e é a principal esperança lusa para contrariar Kris Meeke e Dani Sordo, estado (quase) sempre lá para aproveitar quando os ‘big ones’ do WRC, falham.
Pedro Almeida: o triunfo que mudou a carreira
O jovem de Famalicão assinou a surpresa da temporada ao vencer no Rali de Portugal, após o abandono de Kris Meeke e o azar de Armindo Araújo. Foi a primeira vitória à geral de Pedro Almeida no CPR. Voltou a brilhar em Castelo Branco, onde fechou o pódio e confirmou-se como um dos bons valores do CPR.
Contudo, a quebra da suspensão do seu Skoda em Fafe e o abandono cedo na Aboboreira não lhe permitem estar mais à frente no campeonato. Mostra na estrada um andamento que não tem correlação com os números do campeonato.

Ricardo Teodósio: intermitência a travar ambições
Ricardo Teodósio conseguiu alguns top 5, mas ainda sem brilhar ao nível esperado. O algarvio, campeão em anos anteriores, não tem conseguido traduzir a sua experiência em resultados mais cima na tabela. Algumas boas especiais mostram que a velocidade está lá, mas erros e problemas mecânicos têm-no impedido de somar muitos mais pontos. Não conseguiu sequer um pódio este ano, e a ligação ao binómio, Toyota/pneus Hankook ainda não resultou bem para ele, embora se notem melhorias, sendo certo que tem vindo a trabalhar nisso.
Desde 2019, foi Campeão três vezes, ficou no pódio do campeonato noutras alturas, mas este ano ainda nem sequer nas provas o conseguiu.

José Pedro Fontes: Pouca terra, bem mais asfalto…
José Pedro Fontes passou pela fase de terra do campeonato com as dificuldades habituais, com dois sextos e um sétimo lugar, para lá do abandono no Rali de Portugal, mas no asfalto de Castelo Branco teve azar com a penalização quando lutava pelo pódio, e na Madeira, onde já tinha andado bem melhor, terminou no pódio do CPR sem que tenha feito uma grande exibição.
Como se percebe, o piloto do Citroën não tem os pontos que o andamento merecia, mas só em Castelo Branco.
A rapidez em troços específicos mostra que continua a ser rápido e competitivo, embora a irregularidade lhe comprometa muitas das hipóteses de voltar a lutar pelo título. Contudo, especialmente no asfalto, é sempre candidato aos pódios, ou mesmo vencer.

Gonçalo Henriques: a grande revelação
Na estreia absoluta com o Hyundai i20 N Rally2, o jovem piloto rapidamente chamou a atenção ao conquistar o terceiro lugar no Rali do Algarve. Continuou a mostrar andamento sólido, ainda que uma desistência em Terras d’Aboboreira tenha travado o embalo. Voltou a estar entre os mais rápidos no Vodafone Rally de Portugal e em Castelo Branco, mostrando que pode já discutir lugares mais à frente com os mais experientes. É, sem dúvida, até aqui, a revelação da temporada – os dois resultados que fez foram um terceiro e um quarto lugar nas duas provas que realizou, e com isso tem cimentando a sua imagem de jovem promissor.
Hugo Lopes: destaque em Castelo Branco
O jovem piloto, estreante nos Rally2, assinou duas boas provas ao terminar em sétimo absoluto no Rali de Castelo Branco e em quinto do CPR na Madeira. Resultados que confirmam a razão de ter ficado no radar dos principais observadores, realizando prestações que confirmam o seu potencial para dar o salto para resultados ainda mais expressivos, isto apesar de um pequeno azar em Fafe não lhe ter permitido acumular mais quilómetros.
Está a fazer o seu caminho, num carro que não é fácil, mas sem deslumbrar, tem cumprido e confirma-se como valor seguro.

Pedro Meireles: lampejos de competitividade
Pedro Meireles tem alternado entre bons resultados e abandonos, mas conseguiu um pódio no Rali de Portugal.
Depois de algumas temporadas menos regulares, o vimaranense mostra ainda sinais positivos aqui e ali como o pódio na prova do WRC. Contudo, esse resultado tem sido exceção numa época marcada por altos e baixos.
Já não tem a mesma consistência para voltar a ser presença regular entre os cinco primeiros, mas aqui e ali ainda mostra a rapidez que lhe permitiu ser Campeão em 2014.

Rúben Rodrigues: solidez a merecer destaque
Rúben Rodrigues tem vindo a assinar prestações sólidas, com destaque para o quarto lugar em Terras d’Aboboreira.
O açoriano tem feito uma temporada em crescendo. No Rali Terras d’Aboboreira destacou-se com um quarto lugar absoluto, provando que consegue estar perto dos homens da frente em ralis exigentes… mas que já conhece.
Esse tem sido o seu grande handicap, o que é perfeitamente natural, basta ver o que sofrem, os ‘continentais’ quando vão à Madeira, ou iam aos Açores, com os pilotos locais. Mesmo sem pódios, soma pontos importantes e mostra evolução constante, o que significa que, se mantiver a presença no CPR é competitivo o suficiente para continuar a galgar posições.

Diogo Marujo: a afirmar-se nos Rally2
É mais um jovem que está a fazer o seu tirocínio nos ralis ‘dos grandes’, tem muito ainda a aprender, mas já começa a dar sinais interessantes. Está para já a andar melhor na terra do que no asfalto, mas está também, globalmente, a mostrar bons desempenhos, se olharmos para o seu contexto.

Ernesto Cunha: consistência como cartão de visita
Outro dos nomes que têm aproveitado a categoria Rally2 Evo para andar mais à frente, mas continua muito irregular, e este ano não está a produzir semelhante à forma que lhe permitiu ser sexto classificado no campeonato do ano passado. Terminou este ano provas importantes sem erros, somando quilómetros e pontos, mas sem ter dado muito nas vistas e os dois acidentes no Rali de Portugal e Madeira não ajudaram à confiança que tem vindo a ganhar com o passar das provas.

Duas rodas motrizes: equilíbrio total
Ricardo Sousa e Guilherme Meireles começaram o campeonato a destacarem-se, mas o piloto da Prolama embalou, e apesar do abandono na primeira prova em Fafe, venceu três ralis seguidos, comandando por isso o campeonato, para já bem na frente.
Contudo, a época tem sido marcada por alguma alternância com três vencedores distintos em cinco provas.
Ricardo Sousa venceu no Algarve, em Terras d’Aboboreira e em Castelo Branco, assumindo-se como favorito ao título. Henrique Moniz é agora o principal rival, com dois segundos lugares e prestações consistentes.
Guilherme Meireles, prejudicado por furos e abandonos, perdeu terreno depois de ter começado bem em Fafe. Anton Korzun e Sérgio Dias também já subiram ao pódio, o ucraniano três vezes, e até venceu na Madeira, enquanto Gil Antunes, Pedro Silva e Hélder Miranda têm somado pontos levando a que o meio do pelotão esteja muito equilibrado.
Agora vem aí o Rali da Água Transibérico Eurocidade Chaves-Verín realiza-se entre os dias 19 e 20 de setembro, sexta e sábado, dividindo-se por 2 Etapas com 10 Provas Especiais, num total de 115,07 km cronometrados.
O percurso desenha-se nos emblemáticos troços em redor de Chaves, atravessando a fronteira para a região espanhola de Verín, num exigente percurso em asfalto que vai colocar à prova os participantes desta importante jornada para as contas dos títulos.
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