Hiroki Arai e Armindo Araújo vencedores em Mortágua

Por a 28 Abril 2018 23:25

Hiroki Arai e Glenn Macneall (Ford Fiesta R5) dominaram por completo do Rali de Mortágua, mostrando que o ritmo que se ganha no Mundial de Ralis nada tem a ver com os diversos campeonatos locais, e esta prova do CPR foi o perfeito exemplo disso. O piloto do Toyota Gazoo Racing Rally Challenge Program, onde milita – em aprendizagem para, mais ano, menos ano, conforme a sua evolução, ascender ao WRC com a Toyota – deixou provado que o andamento do Mundial está a ‘milhas’ do nosso campeonato, e depois do exemplo que tivemos há uns meses, neste mesmo rali com Craig Breen, foi agora amplamente confirmado por um jovem piloto que está ainda de ‘fraldas’ no WRC. Mesmo assim chegou a um rali que não conhece, reconheceu-o como no Mundial, com duas passagens, e venceu cinco troços, deixando o melhor português a mais de um minuto.

O jovem japonês, filho do lendário piloto japonês Toshiiro Arai vem com um ritmo que os nossos pilotos só adquirem em ‘sonhos’, e isso faz toda a diferença. Nem sequer o desconhecimento dos troços se nota, pois no Mundial, com apenas duas passagens de reconhecimentos por troço, os pilotos ganham um virtuosismo diferente.
No final da manhã, Arai já tinha 38s de avanço para Pedro Meireles, e sem tirar o pé, porque o seu objetivo era aprender, e isso só sucede se andar sempre no máximo das suas possibilidades, o jovem japonês terminou o rali com 1m02.60s face a Armindo Araújo e Luís Ramalho, que com o seu Hyundai I20 R5 bem mais cooperante do que em Fafe, chegou ao triunfo duma forma brilhante.

Naquela que foi, recorde-se, apenas a sua segunda prova depois do regresso aos ralis, o piloto do Team Hyundai Portugal ultrapassou o furo que sofreu na primeira especial do segundo dia de prova, foi sempre recuperando e tudo decidiu no último troço, para onde entrou a 2.3s de Pedro Meireles: “Foi uma vitória muito saborosa após um rali onde tivemos que lutar muito depois do atraso que sofremos logo de manhã devido a um furo. Nas duas últimas especiais ataquei ao máximo e conseguimos recuperar toda a desvantagem e subir ao lugar mais alto do pódio no Campeonato de Portugal de Ralis. É um enorme prazer poder, logo no segundo rali, proporcionar a primeira vitoria nacional do Hyundai i20 R5 que se mostrou irrepreensível durante todas as especiais”, referiu o piloto que é agora terceiro no campeonato: “Alcançámos um resultado muito bom para os objetivos que traçámos nesta temporada. Ficou demonstrado que os nossos adversários estão igualmente muito fortes e que teremos muito que lutar até final”, disse o piloto de Santo Tirso, que chegou a estar a 14.70s de Meireles, no final da PE5, e em quatro especiais, ‘virou’ o resultado…

A fechar o pódio ficou o outro japonês, Katsuta Takamoto, que com Marko Salminem ao lado, venceu uma especial com o Ford Fiesta R5, mas nesta prova esteve um degrau abaixo das prestações do seu colega de equipa, acabando mesmo por perder o segundo lugar final no último troço, para Armindo Araújo.

Pedro Meireles e Mário Castro (Skoda Fabia R5) terminaram no quarto lugar da geral, perdendo o pódio por menos de um segundo e o rali ‘luso’ (CPR) pir 3.5s: “Perder por uma diferença tão pequena custa, mas é inteiramente meritório, o Armindo atacou muito na parte final e fomos surpreendidos. Mas fizemos o que pudemos, demos o nosso melhor, talvez devesse ter arriscado mais um bocado, mas é um excelente resultado.

Carlos Vieira e Jorge Carvalho terminaram no quinto lugar da geral e terceiro do CPR. O piloto do Hyundai i20 R5 oficial iniciou a manhã do segundo dia na segunda posição absoluta, e a liderança do CPR, mas na terceira PE furou, perdendo mais de 40 segundos . No início da tarde, Vieira foi surpreendido pela chuva, que embaciou demasiado o para brisas do Hyundai, fazendo com que a equipa perdesse mais algum tempo, ficando assim em definitivo fora da luta pela vitória. Ainda assim, o último degrau do pódio permite ao piloto de Fafe manter o segundo lugar nas contas provisórias do CPR: “Estou satisfeito com o meu ritmo e com o excelente comportamento do Hyundai i20 R5, que correspondeu, que em termos de fiabilidade como competitividade. Penso que poderia, pelo menos, ter lutado pela vitória. Foi pena o furo que nos limitou bastante o andamento na PE5. No entanto, o balanço é positivo”, disse Carlos Vieira.

Ricardo Teodósio e José Teixeira (Skoda Fabia R5) foram sextos classificados, mas o algarvio ‘pagou’ o desconhecimento da prova, que nunca tinha disputado. Em alguns locais que os adversários passavam a fundo, Teodósio hesitava e a diferença foi-se acumulando: “Preciso ter a certeza absoluta dos terrenos que piso. Este era um rali praticamente novo para nós, e este foi o melhor resultado possível. Precisamos de rolar mais nos troços para que tudo possa correr naturalmente. Corri muito mais riscos da parte da tarde, e por isso fomos mais rápidos, mas fiquei sempre com a sensação de que é necessário ter um melhor conhecimento do terreno. Infelizmente, não deu para chegar ao pódio”, disse Teodósio.

Joaquim Alves contou com um carro ‘vencedor’ o Skoda Fabia R5 de Ricardo Moura nos Açores, e com navegador campeão, António Costa, e as coisas correram bem, porque foi fácil a adaptação ao Skoda: “Finalmente a sorte esteve comigo e o 5º lugar para o CPR, acaba por ser um excelente resultado. Acabei por ter uma boa adaptação ao carro, com uma manhã muito positiva, embora o registo da tarde não fosse tão bom, devido à chuva”, disse.

Manuel Castro e Luis Costa levaram o seu Hyundai I20 R5 ao oitavo lugar, numa prova em que finalmente não tiveram contratempos mecânicos: “conseguimos chegar ao fim sem problemas no carro que era algo que já me estava a preocupar um pouco. Denotei falta de tração no carro que não consegui corrigir, penso que estará aí um bocado o trabalho que devia ter feito. O carro escorregava de frente e traseira e não me dava a confiança que precisava.”

Miguel Barbosa e Hugo Magalhães (Skoda Fabia R5) tiveram um primeiro dia com altos e baixos, já que depois de terem vencido as duas primeiras super especiais, cometeram um erro na super especial de Mortágua, ao darem uma volta a mais numa rotunda, sendo penalizados em três minutos por “erro de percurso”, numa penalização que segue a letra da lei, mas não do bom senso, e que o CCD não conseguiu corrigir, mesmo tendo poderes para o fazer. Um bom juíz, quando julga, tem à sua frente o livro das leis, mas também tem o bom senso de perceber, ou não, se a pena aplicada é correta face ao ocorrido.

Pedro e Nuno Almeida (Ford Fiesta R5) fecharam o top 10: “As coisas não correram nada bem, mas foi importante ter passado por mais esta experiência. O resultado até acabou por ser positivo, mas como também aprendemos com os nossos erros, recordo uma Super Especial que começou mal, erros no início do dia que motivaram um furo, uma distração que originou uma saída de estrada e um susto no penúltimo troço, apesar de ter realizado aí um excelente tempo. Fica uma válida experiência nesta evolução ao volante do Fiesta, e uma grande vontade de continuar a competir”, disse Pedro Almeida.

António Dias e Daniel Pereira continuam a sua evolução e adaptação à nova realidade, o Skoda Fabia R5, terminando na frente do espanhol Daniel Villaron (Ford Fiesta R5).

Pedro Antunes e Paulo Lopes (Peugeot 208 R2) venceram novamente as duas rodas motrizes, depois duma bela luta com Daniel Nunes e Rui Raimundo (Peugeot 208 R2), que só terminou quando Paulo Neto se despistou e o piloto da Inside Motor teve que rodar vários quilómetros no pó do carro do seu adversário. Sabendo que Pedro Antunes estava com problemas no motor do 208, tentaram recuperar, mas acabaram por capotar após a tomada de tempos do troço. ‘Game Over’ na luta pelo triunfo nos 2WD mas ainda ‘safaram’ o segundo lugar.

José Pedro Fontes e Paulo Babo terminaram o rali na 14ª posição, numa prova com uma conjunto de pequenos azares que não permitiram um melhor resultado. Um furo na parte da manhã, e o embaciamento dos vidros do Citroen DS3 R5 à tarde condicionaram muito, e só mesmo no último troço, Fontes deu um ar da sua graça. Se tivesse feito todo o rali assim, a classificação teria sido bem diferente…

Classificação

1 Hiroki Arai/Glenn Macneall Ford Fiesta R5 1:13:31.20
2 Armindo Araújo/Luís Ramalho Hyundai I20 R5 1:02.60
3 Katsuta Takamoto/Salminem Marko Ford Fiesta R5 1:05.20
4 Pedro Meireles/Mário Castro Skoda Fabia R5 1:06.10
5 Carlos Vieira/Jorge Carvalho Hyundai I20 R5 1:44.80
6 Ricardo Teodósio/José Teixeira Skoda Fabia R5 2:14.00
7 Joaquim Alves/António Costa Skoda Fabia R5 3:12.90
8 Manuel Castro/Luis Costa Hyundai I20 R5 4:01.50
9 Miguel Barbosa/Hugo Magalhães Skoda Fabia R5 4:09.70
10 Pedro Almeida/Nuno Almeida Ford Fiesta R5 5:22.00
11 António Dias/Daniel Pereira Skoda Fabia R5 5:33.60
12 Daniel Villaron/Candido Carrera Ford Fiesta R5 7:13.10
13 Pedro Antunes/Paulo Lopes Peugeot 208 R2 7:18.90
14 José Pedro Fontes/Paulo Babo Citroen DS3 R5 8:04.90
15 Daniel Nunes/Rui Raimundo Peugeot 208 R2 8:29.20
16 Fernando Teotónio/Luís Morgadinho Mitsubishi Evo IX 8:32.40
17 Diogo Salvi/Valter Cardoso Skoda Fabia R5 9:31.00
18 Gil Antunes/Diogo Correia Renault Clio RS R3T 10:09.20
19 Cameron Davies/Gilbey Michael Peugeot 208 R2 10:16.40
20 Miguel Correia/Pedro Alves Renault Clio RS R3T 11:03.90
21 Filipe Nogueira/Bruno Abreu Citroen C2 R2 15:19.20
22 Paulo Neto/Vítor Hugo Citroen DS3 R3T Max 16:19.20
23 Joana Barbosa/Sofia Mouta Ford Fiesta R2T 17:16.80

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christopher-shean
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christopher-shean

Ref. ao Teodósio… embora ‘teja de acordo com as limitações dos reconhecimentos, claro, isto vai sempre dar vantagem aqueles que têm muita mais experiência do terreno!

FRL
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FRL

Uma cambada de pesudos! Aparece um puto e dá-lhes um atesto que até mete pena. Metam a cara num saco e vão para casa, no Rali de Portugal até os R2 lhes atestam a marmita.

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