Não está a correr de acordo com as aspirações de Fernando Peres esta transição para a nova geração de carros da categoria R5. Só a espaços, por exemplo nos Açores, o piloto mostrou bom andamento e agora em Mortágua o saldo final foi um sétimo lugar, numa prova em que o próprio piloto admite que deveria ter ficado mais à frente, atribuindo à sua falta de entendimento com a eletrónica do motor do Ford Fiesta R5, que não estando ainda a seu gosto, não lhe tem permitido fazer melhor:
“Esta prova correu muito mal, tivemos uma questão com a afinação do carro, que não foi a correta, e depois não pudemos mudar durante o rali o que se refletiu no resultado. Eu também não tinha feito as duas últimas provas, porque tive um problema com a coluna cervical, e portanto as coisas não correram como estava à espera. Por isso andámos abaixo do que estou convicto que podemos andar” começou por dizer Peres, que fez um balanço do campeonato: “tivemos duas provas em terra e uma em asfalto. Na primeira prova em terra, Fafe, andávamos por ali no quarto, quinto lugar, quando demos um pequeno toque. Estavam 12 ou 13 R5, portanto acho que o nosso andamento foi razoável até ao toque.”
“Nos Açores, segunda prova de terra, enquanto esteve seco andámos em segundo dos portugueses, mas quando veio o nevoeiro e a chuva o carro já não estava afinado para essas condições e por isso baixámos na classificação. No asfalto, que era onde eu estava a contar ter mais dificuldades andámos razoavelmente num ou noutro troço, mas noutros falhámos, temos que aprender mais este carro no asfalto, e portanto estamos à espera de ver as próximas provas. Por tudo isto, o balanço não é mau nem bom, temos que aprender muita coisa, guiei durante muitos anos Mitsubishi, e acho que ainda temos alguma coisa para aprender do carro, sobretudo ao nível das afinações. Uma coisa é guiar o carro de ‘volante’, isso não traz muitos problemas a outra é como o carro tem que ser guiado. Andei muitos anos de Mitsubishi, e este carro (Fiesta R5) não tem muito torque, portanto o motor tem que ser ‘guiado’ como um S2000, que é atmosférico, sempre em alta rotação, e eu não guio carros atmosféricos desde os anos 80. Portanto sempre que se tira um pouco o pé do acelerador e se volta a dar gás, a válvula pop off dispara. Temos que afinar o carro de acordo com a maneira como eu guio, tem que ser feita uma nova eletrónica para o carro, de maneira a que a pressão do turbo não seja tão elevada e não faça a válvula disparar”.
“São questões técnicas que temos de melhorar para adaptar melhor à minha condução e para eu ir adaptando a minha condução às características do carro. E há outras coisas que descobrimos e que temos que corrigir com a M-Sport. Sabemos que em determinadas condições podemos andar depressa, por exemplo nos Açores, e eu já não corria nos Açores há sete anos, e aqui em Mortágua ficámos um pouco surpreendidos, pois andámos abaixo do que sabemos podemos andar, mas a partir do momento em que escolhemos aquelas afinações já não podíamos voltar para trás. Penso que foi daí que os tempos não saíram. O rali não correu bem, eu tenho que me adaptar melhor ao carro, por exemplo na super especial a válvula pop off, abriu logo ao fim de trinta segundos de troço, portanto são tudo limitações, mas a verdade é que o Ford com o novo motor tem dado alguns problemas, isto pode ser também uma regulação de turbo excessiva, vamos analisar os dados todos e ver o que se passou. Posso não ter guiado o que devia, mas não posso perder tanto tempo quanto perdi. Tem que haver uma explicação porque a diferença foi muito grande. E isso nos Açores não aconteceu. Há qualquer coisa que não está como devia, mas enfiam, vamos ver…”, disse o piloto que tarda em encontrar um equilíbrio certo para a sua pilotagem atual.










