Entrevista a Henrique Moniz: adaptação ao Rally2, desafios e expetativas no CPR
Henrique Moniz estreou o seu novo Skoda Fabia Rally2 da Domingos Sport no Rali Serra da Cabreira, a primeira prova do Campeonato Promo e Norte de Ralis, como preparação para o CPR, que arranca dentro de duas semanas com o Rali Terras d’Aboboreira.
Aos 42 anos, Henrique Moniz, depois de trocar o ‘regional’ açoriano em 2025 pelo CPR duas rodas motrizes, que terminou em segundo lugar após um triunfo no Rali Vidreiro, passa agora para os RC2 com o novo Skoda Fabia Rally2 evo da Domingos Sport. O Rali Serra da Cabreira serviu como mais um teste, desta vez em ritmo mais competitivo, e ainda irá realizar outro antes do arranque do CPR na Aboboreira.

AutoSport (AS): Como foi a estreia com um Rally2 depois de vários anos a correr de 2RM?
Henrique Moniz (HM): “Foi muito bom. Acho que as coisas correram muito bem. A adaptação correu bem, apesar de ainda sentir que tenho alguns vícios das duas rodas motrizes. Temos de trabalhar mais para tentar eliminar esses pequenos vícios, mas, no geral, em algumas secções das classificativas já consegui ser rápido, ter um bom ritmo e fazer bem as linhas de trajetória com o 4×4. Agora é continuar a trabalhar para melhorar. Vamos testar novamente em breve para continuar a nossa adaptação ao carro, para ver se chegamos ao Rali Terras d’Aboboreira com um ritmo um pouco mais alto.”
AS: Já tinhas testado o carro, mas agora em competição é diferente. Qual foi o maior “choque” neste primeiro rali: a tração, a travagem ou o chassis, face ao que estavas habituado? No que sentiste mais diferença?
HM: “Principalmente, a travagem. A travagem destes carros é impressionante. Num teste vamos experimentando sempre mais um pouco e melhorando, mas sempre no mesmo troço. É muito mais fácil encontrar o ponto ideal de travagem, de aceleração e de inserção nas curvas. Mas no rali, em que passamos só uma vez, temos de fazer bem logo à primeira. Aquilo que nos surpreendeu mais foi a travagem do carro, porque temos de acreditar que vamos parar o carro num curto espaço, vindo muito mais depressa do que nos outros carros. É difícil e é aquilo que, para já, sinto mais dificuldades. Mas claro, com quilómetros e com mais ritmo competitivo, penso que vou conseguir eliminar essa dificuldade. Ainda assim, acho que o trabalho nesse campo ainda vai ser um pouco demorado.”
AS: Era a questão que tinha para colocar: no que é que sentes que tens de trabalhar mais? Provavelmente, é nesta questão da travagem…
HM: “Sim, é. Felizmente, a Domingos Sport, em conjunto com quem nos tem ajudado nos últimos anos, já tem uma boa base de afinação. Fizemos um excelente trabalho já no primeiro teste. Agora experimentámos outras coisas no carro, que também resultaram. Fomos sempre evoluindo o carro ao longo do rali, e a base do carro, em si, já está muito boa. Essa parte deixa-me bastante tranquilo. Isso reflete também o grande esforço que a equipa faz para nos dar sempre um carro muito competitivo. Temos de trabalhar mais e já temos algumas coisas identificadas para trabalhar no próximo teste. Não tenho dúvidas de que, todos juntos, vamos conseguir ultrapassar as dificuldades.”
AS: Quais são os teus objetivos para este ano?
HM: “Este ano, o objetivo passa essencialmente por voltar a conhecer as provas, porque passar com o Peugeot 208 Rally4 é completamente diferente de passar com o Skoda Fabia Rally2 evo. É bastante diferente porque o ritmo é diferente, a atitude. Nas duas rodas motrizes temos de ser muito agressivos e confiar nas notas. Agora, com o Rally2, a sensação é que, além de ser também exigente como era nos duas rodas motrizes, aqui temos de ter outro tipo de ‘juízo’, digamos assim, porque as coisas se passam muito mais depressa e há coisas que temos de afinar também nas notas, de forma que eu possa andar mais à vontade.”
AS: Portanto, o objetivo é ir crescendo prova a prova e melhorando?
HM: “Exatamente. Temos pilotos tão bons no nacional, com palmarés que falam por si. O exemplo do Armindo Araújo, do Zé Pedro Fontes e do Ricardo Teodósio. Temos um historial de muita boa gente a dar boa conta de si e agora, além disso, ainda temos o Gonçalo Henriques e o Hugo Lopes. São tantos pilotos com mais experiência do que eu no nacional que, neste momento, honestamente, não consigo ver onde é que nos vamos situar no meio desses tubarões todos.”
AS: Vais fazer todas as provas do ano?
HM: “Não. Não vamos ao Rali de Portugal. Para nós não faz tanto sentido. Partimos muito atrás e, mesmo da parte da comunicação e divulgação dos nossos patrocinadores, não acho que faça grande sentido no meio de um espetáculo tão grande como é o WRC. Para mim faz mais sentido, eventualmente, se for possível, correr no Azores Rallye. Portanto, à partida, vamos estar fora do Rali de Portugal, mas estaremos presentes nas restantes provas do CPR.”
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