Hugo Magalhães, navegador, entre outros, de Bernardo Sousa, que recentemente decidiu terminar a sua carreira nos ralis, e Bruno Magalhães, que passou na Madeira por um caso polémico quando estava bem posicionado para vencer o rali, e também Diogo Gago, escreveu no seu Facebook temer que depois de Bernardo Sousa, Marco Cid, outros pilotos entendam seguir o mesmo caminho, insurgindo-se também contra a confusão que existe por vezes nas regras, e estende a sua preocupação ao facto de não se vislumbrarem grandes possibilidades de um ‘render da guarda’ ao mais alto nível nos ralis nacionais e mesmo de piloto a correr nas competições do WRC.
Rui Madeira e Nuno Rodrigues da Silva abriram um caminho de sucesso nos anos 90, venceram a Taça FIA de Grupo N em 1995 e só quando falhou o apoio de um grande empresa nacional a dupla teve de sair do WRC, competição para onde subiram e onde estava a crescer e a fazer resultados cada vez melhores. Depois vieram outros, a espaços, Adruzilo Lopes, Miguel Campos quase foi Campeão Europeu, Bruno Magalhães andou a lutar pelos primeiros lugares do IRC e ERC, Armindo Araújo foi duas vezes Campeão do Mundo de Grupo N, Bernardo Sousa começou a aparecer lá fora a andar bem e também a crescer, mas de repente tudo começou a desmoronar-se, e neste momento, com a saída do Bernardo, só mesmo as poucas provas que faz Diogo Gago permite aos portugueses poderem dizer que têm um piloto a correr lá fora. Gil Antunes faz o Clio Trophy, Marco Cid estava a fazer o ERC, Renato Pita também não tem feito nada no ERC. Enquanto isso, o CNR está pujante, mas Hugo Magalhães levanta uma excelente questão? “Porque razão ninguém fala no futuro da modalidade no que aos jovens diz respeito?”
É realmente muito estranho num país em que se gostava mesmo muito de ralis não ser possível criar condições para termos pilotos no pináculo dos ralis. Na velocidade, nunca deixámos de ter pilotos ao mais alto nível, e neste momento temos uma mão cheia deles nas principais competições, e só não temos na F1, por mero azar. Não por falta de mérito. Bastava que Mark Webber tivesse decidido sair um ano mais cedo. Voltando aos jovens dos ralis. Olhando para o panorama, o CNR está bom, mas estão a aparecer poucos jovens, a renovação do plantel está a fazer-se muito lentamente. Mesmo muito! Felizmente o Vítor Calisto luta muito para manter o Challenge DS3 R1, tenho a certeza que dali vão sair pilotos que farão nome nos ralis do futuro, mas até lá chegarem têm um longo caminho pela frente e se há um boa plataforma de iniciação, depois disso é tudo muito mais difícil. Não há bons degraus intermédios.
Quanto Portugal teve troféus, Peugeot, Renault, Citroën, vejam a quantidade de pilotos que daí saíram e este é de momento o grande problema. Se olharmos para o CNR e outros campeonatos europeus, nos primeiros dez das listas de inscritos, Portugal não fica a ‘dever’ nada a quase ninguém, mas quando continuamos a olhar para as listas de inscritos, há países em que se atiram para a centena e meia de inscritos na maioria das provas e quanto a factos desses não há argumentos. Acho que faz todo o sentido o desafio que o Hugo lança, “Porque razão não se apresentam soluções para os apoiar e potencializar?” “Porque razão não se criam regras e métodos para se enveredar por caminhos certos e quando se apostar em campeonatos internacionais estejamos capacitados para lutar contra os pilotos estrangeiros?”
O Hugo lança as questões certas, mas todos sabemos que é fácil apontar caminho, o difícil é concretizá-lo. É fácil dizermos que devia ser assim ou assado, mas o difícil é depois quem tem que concretizar todas as teorias, quem sem ‘prática’, leia-se dinheiro, são muito complicadas. De qualquer forma, se o assunto não se discutir, então é que não surge luz de certeza. Por isso, faz todo o sentido olhar para este problema, lançar seriamente a discussão. Porque razão temos uma das melhores provas do WRC e não temos agora um único piloto numa das suas categorias? Tal como diz o Hugo Magalhães, o “futuro dos ralis pertence aos jovens, que são eles que vão dar continuidade à modalidade”. É preciso olhar para esta questão seriamente, porque é tão bom Portugal ter tantos e tão bons pilotos nas melhores competições de velocidade e uma pena não os ter nos ralis.Por nós, AutoSport, já nos estamos a preparar para lançar o debate. É só uma questão de esperar pela melhor altura…
José Luis Abreu











