CPR, Rali de Portugal: Pedro Almeida estreia-se, campeonato equilibra-se
Um rali de emoções e reviravoltas, Pedro Almeida conquista vitória inédita após desfecho dramático
O Rali de Portugal voltou a provar que, por vezes, o desfecho de uma prova pode ser mais digno de um “thriller” do que de um guião previsível. Quando tudo indicava que Kris Meeke somaria mais uma vitória ao seu palmarés, uma quebra de suspensão no derradeiro troço atirou-o para fora de prova, abrindo caminho para a consagração histórica de Pedro Almeida.
O jovem piloto português, que já havia capitalizado o furo de Armindo Araújo para subir ao segundo lugar, aproveitou o golpe de teatro final e celebrou, com apenas 2.7 segundos de vantagem, o seu primeiro triunfo absoluto no CPR – um feito construído com consistência, resiliência e alguma sorte num dos dias mais imprevisíveis da temporada.
Os ralis têm este condão de, de vez em quando, se ‘soltarem’ por completo do argumento que estava a ser escrito, e se tornarem, em autênticos ‘thrillers’. Se o abandono de Dani Sordo já foi algo fora da caixa, porque o espanhol já estava a 15 segundos de Meeke e sem dar grandes sinais de lhe poder dar luta, contudo, um problema mecânico que pode suceder a qualquer um, colocou-o fora de prova.
A anormalidade desse troço da Lousã 2 foi o facto de também Kris Meeke ter tido um azar. Furou e viu o seu avanço cair para metade. 48.3s.
Não que isso fosse um grande problema, porque logo a seguir subiu para 57.5s, no final de Arganil 2 já era 1m13.7s, com Armindo Araújo a afastar-se de Pedro Almeida com consistência, mas com este a dar-lhe uma luta que não era muito habitual até aqui. E isto significa que Pedro Almeida estava a fazer uma prova acima do que tinha mostrado antes.
Os troços foram passando, mas à entrada da última secção do dia, Armindo furou, e ficou a 24.7s de Pedro Almeida e do segundo lugar, na altura. Faltavam os dois troços de Águeda/Sever/Albergaria, e no primeiro, Armindo Araújo atacou e ganhou 11.5s a Pedro Almeida, e no último 10.5, terminando a prova a 2.7s do seu adversário.
Lá na frente, o azar bateu à porta de Kris Meeke, quando uma quebra da suspensão o deixou fora de prova, com Pedro Almeida a terminar o rali 2.7s na frente de Armindo Araújo, triunfando pela primeira vez na sua carreira, que tem apenas uma década, sendo que somente em 2018 começámos a ver Pedro Almeida com um Skoda Fabia S2000, primeiro, Ford Fiesta R5/Skoda Fabia R5, depois. Recuou em 2020, para ‘aprender’ bases, fê-lo em 2020 e 2021, mas em 2022 voltou ao Rally2, o ano passado já foi duas vezes ao pódio e agora a saborosa vitória.
Pedro Almeida (Skoda Fabia RS Rally2) foi um surpreendente vencedor depois de um enorme “golpe de teatro” na última classificativa [Sever/Albergaria], quando o líder destacado, Kris Meeke, se debateu com graves problemas na suspensão traseira do Toyota GR Yaris Rally2 e já nem conseguiu chegar ao controlo horário final, em Matosinhos (Exponor). A nível de tempo total, o britânico ganharia por uma margem de 9.5 segundos, mas teria, para certificar aquela que parecia ser a quarta vitória da época, que cumprir uma longa ligação até à “meta”…o que era pouco menos de impossível de conseguir, pois não poderia rodar rodar em três rodas…
Meeke dominou em absoluto, apesar de um furo, e chegou à décima e derradeira classificativa com um pecúlio de 2m13.9s em relação a Pedro Almeida, que aproveitara o furo de Armindo Araújo (Skoda Fabia RS Rally2) já na parte final do dia para ascender ao segundo lugar e melhor português e mais tarde vencedor.
Numa prova bastante dura – a primeira etapa do rali português do WRC comportava 149,48km em dez classificativas –, devido ao estado dos pisos aquando da passagem das equipas do CPR, o piloto da Toyota destacou-se sempre de Dani Sordo (Hyundai i20 N Rally2). O espanhol da Hyundai, tal como sucedera nas três provas anteriores, nunca conseguiu superiorizar-se a Meeke e quando saiu de estrada, na quinta classificativa, estava a 15.1 segundos do líder. Depois e, na sequência do despiste, um problema elétrico impediu-o de continuar.
A segunda passagem pelo troço da Lousã foi pródiga em incidentes, já que Meeke sofreu um furo, perdendo bastante tempo, e Sordo despistou-se, permitindo ao seu rival manter a liderança, com 48.3s face a Armindo Araújo (Skoda Fabia RS Rally2). Este ascendeu ao primeiro lugar entre os pilotos portugueses logo em Mortágua, apesar da oposição de Pedro Almeida (Skoda Fabia RS Rally2) desde o início. Ricardo Teodósio (Toyota GR Yaris Rally2) ainda rondou essa luta, com José Pedro Fontes (Citroen C3 Rally2) e Pedro Meireles (Skoda Fabia RS Rally2) muito por perto. Contudo, alguns contratempos surgidos ao algarvio fizeram-no perder tempo para aqueles adversários. Para além de Sordo, também Ernesto Cunha (Skoda Fabia Evo Rally2), devido a uma saída de estrada sem consequências, desistiu na Lousã.
O “golpe de teatro” na liderança entre os pilotos portugueses aconteceu em Mortágua 2, quando Armindo Araújo furou e Pedro Almeida assumiu o segundo lugar, com 24.7s de vantagem para o piloto do Skoda. E José Pedro Fontes, que era quarto classificado, teve pior sorte, ao desistir devido a uma avaria na bomba de óleo do Citroen C3 Rally2. Quando o primeiro lugar parecia entregue a Meeke, que tinha 2m13.9s de vantagem para Almeida, surge novo volte-face, com a quebra da suspensão traseira do Toyota. Embora tivesse concluído a “especial” e totalizasse uma vantagem de 9.5s para aquele último, já não teve possibilidade de concluir o rali. O “forcing” de Armindo Araújo nesse troço, que era a power stage do CPR, deixou-o a 2.7s de Almeida, depois de ter dominado entre os portugueses em mais de metade da prova. Quem esteve algo discreto, para o que também contribuíram dois furos, foi o jovem Gonçalo Henriques (Hyundai i20 N Rally2).
Classificação final (Oficiosa)
1º, Pedro Almeida/António Costa (Skoda Fabia RS Rally2), 1h50m37.4s
2º, Armindo Araújo/Luís Ramalho (Skoda Fabia RS Rally2), 1.50.40.1
3º, Pedro Meireles/Mário Castro (Skoda Fabia RS Rally2), 1.51.36.5
4º, Gonçalo Henriques/Inês Veiga (Hyundai i20 N Rally2), 1.52.49.4
5º, Ricardo Teodósio/José Teixeira (Toyota GR Yaris Rally2), 1.52.51.6
6º, Diogo Marujo/Jorge Carvalho (Skoda Fabia Evo Rally2), 1.55.44.7
CAMPEONATO (Classificação oficiosa)
1º, Kris Meeke, 81 pontos; 2º, Armindo Araújo, 76; 3º, Dani Sordo, 66; 4º, Ricardo Teodósio, 50; 5º, 6º, Pedro Almeida, 37; 6º, Pedro Meireles, 36; 7º, Gonçalo Henriques, 31; 8º, José Pedro Fontes, 29; 9º, Rúben Rodrigues, 18; 10º, Ernesto Cunha, 17.
A próxima prova (quinta) do Campeonato de Portugal de Ralis, e que marca a entrada na fase de pisos de asfalto da temporada, é o Rali de Castelo Branco e Vila Velha de Ródão (13/14 junho), organizado pela Escuderia de Castelo Branco.
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