Armindo Araújo exige clarificação da lei dos Campeões de Portugal de Ralis

Por a 20 Fevereiro 2026 16:02

Em entrevista ao jornal de hoje, 20 de fevereiro, de ‘A Bola’, Armindo Araújo revela que avançou para tribunal depois de ter sido o melhor português no Campeonato de Portugal de Ralis, em 2024 e 2025, e não ter sido declarado campeão, sendo os títulos entregue a estrangeiros. Quer ver Lei esclarecida porque “Sinto-me injustiçado e numa zona cinzenta”.

Armindo Araújo decidiu levar até ao Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) a disputa em torno da atribuição dos títulos de campeão nacional de ralis de 2024 e 2025, alegando existir uma “zona cinzenta” na interpretação da lei que define quem pode ser campeão de Portugal em modalidades individuais.

Em ambos os anos, o piloto foi o melhor português classificado no Campeonato de Portugal de Ralis, mas viu o título ser atribuído a pilotos estrangeiros: primeiro ao irlandês Kris Meeke (2024) e, depois, ao espanhol Dani Sordo (2025).

Araújo sustenta que a questão não é desportiva, mas jurídica e de princípio. Afirma não querer “ganhar na secretaria”, mas sim clarificar “qual é a lei que prevalece relativamente aos pilotos estrangeiros estarem a correr nos campeonatos portugueses e se o título de campeão nacional é atribuído ao primeiro português ou a qualquer pessoa”.

“Um piloto que não é português não pode lutar pelo título de campeão nacional”

Em entrevista ao jornal A Bola, conduzida por Edite Dias, o pluri campeão nacional reitera que é favorável à participação de estrangeiros no campeonato, sublinhando que “aumentam a competitividade, aumentam o retorno nos media” e obrigam os portugueses a elevar o nível. No entanto, considera que deve existir um estatuto distinto entre poder correr e vencer ralis e poder ser consagrado campeão nacional: “Um piloto que não é português não pode lutar pelo título de campeão nacional.”

A posição de Araújo apoia‑se na Lei das Federações Desportivas, que no artigo 62º, nº 2, estabelece que, em modalidades individuais, o título de campeão nacional apenas pode ser atribuído a cidadãos portugueses. O piloto lembra que este entendimento é aplicado em várias modalidades – como padel, atletismo, ténis ou surf – e questiona porque razão o mesmo princípio não está a ser seguido no caso dos ralis.

Divergência entre TAD, federações e lei

O advogado Nuno Cerejeira Namora, que acompanha o caso, já tinha alertado que a lei “à primeira vista, é clara e inequívoca”, mas que o TAD (Tribunal Arbitral do Desporto) acolheu uma interpretação diferente, invocando o princípio da igualdade para admitir a atribuição de títulos nacionais a estrangeiros, desde que em igualdade de condições competitivas. Essa leitura abriu um precedente que, na perspetiva da defesa de Araújo, abalou a certeza jurídica e empurrou o desporto português para um terreno pouco definido, em que a consagração de campeões passa a depender de decisões de tribunal e não de critérios transparentes e uniformes.

Araújo contesta, em particular, dois momentos. Em 2024, a decisão do TAD que, sem o ouvir, validou o título de Kris Meeke, com base numa providência cautelar, é considerada pelo piloto “incompreensível” e objeto de recurso ainda pendente. Em 2025, a crítica dirige‑se à FPAK, que terá atribuído o título a Dani Sordo sem existir, segundo a sua versão, qualquer decisão judicial que o fundamentasse, o que os seus advogados também entendem não ser legal.

“Não estou a lutar pelos meus títulos, estou a lutar pelas regras”

O piloto de Santo Tirso insiste que a sua intervenção é motivada por sentido de responsabilidade para com o desporto nacional e as gerações futuras. “Pelo meu estatuto como desportista português, tenho responsabilidade social… de tentar clarificar o caminho para os jovens pilotos que possam estar na condição em que estou agora”, afirma. Garante não pretender alimentar “qualquer guerra pública” e sublinha manter boas relações com a federação, apesar de visões distintas sobre o problema.

A sua exigência resume‑se a um ponto: que seja definida, de forma clara e uniforme, “qual é a verdade desportiva” e “quais são as regras do jogo” em matéria de títulos nacionais, para que quem entra num campeonato saiba, à partida, em que condições luta pelo estatuto de campeão de Portugal.

Jornal “A Bola, 20 de fevereiro”

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1 comentários

  1. [email protected]

    20 Fevereiro, 2026 at 20:26

    Tive a oportunidade de conhecer o Armindo e tenho-o em elevada consideração… por isso acho que ele então devia lutar para que o tal artigo 62º, nº2 seja alterado:
    Porque não um estrangeiro ser campeão, ou vencedor do campeonato… tal como acontece em MUITOS países?
    Não sei o porquê disto já não ter sido esclarecido, sem margem p’ra dúvidas!!
    (Como “cámone” que efectivamente acabo por ser, apesar de me considerar algarvio… teria-me contentado como vencedor do campeonato.)

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