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1984-2024: Novamente Renault 40 anos depois | AutoSport

1984-2024: Novamente Renault 40 anos depois

Por a 9 Dezembro 2023 11:50

Quarenta anos depois da estreia oficial, a Renault Portugal está de regresso ao automobilismo nacional, com a organização de um competitivo e acessível troféu de ralis para 2024: o Clio Trophy Portugal.

Uma competição disputada em pisos de asfalto e de terra, mais vocacionada para os muitos jovens pilotos que querem fazer carreira nos ralis e que vai ter como base o modelo Clio desenvolvido de acordo com os regulamentos técnicos da categoria Rally5.

Um competitivo e fiável carro de ralis, com 180 cv de potência, equipado com caixa de velocidades sequencial, diferencial autoblocante e com um custo de aquisição que é sensivelmente metade do de outras propostas do mesmo âmbito.

História emblemática

Tal como na velocidade, também nos ralis a Renault deixou a sua marca em Portugal. A epopeia começou em 1984 com o envolvimento oficial no Campeonato Nacional de Ralis, com um Renault 5 Turbo ‘Tour de Corse’ entregue à dupla Joaquim Moutinho e Edgar Fortes. Em todo o caso, estava reatada uma tradição que remontava aos finais da década de 60, quando Carpinteiro Albino e José Lampreia brilharam nos ralis ao volante dos ‘pequenos’ Renault 8 Gordini. A vingança surgiu nos dois anos seguintes, com a conquista do bicampeonato e um total de 10 vitórias à geral.

Depois, banidos os modelos de Grupo B, o R5 Turbo foi substituído pelo R11 Turbo que, em dose dupla, foi entregue a Manuel Mello Breyner (depois substituído por Bento Amaral) e a Inverno Amaral, conseguindo este último o título nacional de ralis em 1987.

Sem um carro ganhador, a Renault direciona a sua atividade para a Velocidade e só regressa aos ralis em 1992, constituindo a equipa Renault Galp, assegurando os serviços de

José Carlos Macedo, a quem confiou a condução de um Clio 16V. Mas só em 1993, o pequeno Clio começa a mostrar resultados sólidos, quando Macedo domina entre os F2, confirmando o primeiro título nacional na categoria para a equipa. Em 1995, a equipa entrega um segundo Clio a Pedro Azeredo e volta a exercer um claro domínio entre os F2, então já com o imponente Clio Maxi. O ‘tetra’ na F2, nunca havia de chegar mas, para compensá-lo, a Renault conquista o título de Marcas em 1996 neste agrupamento.

Em 1997,os Clio Maxi são rendidos pelos Mégane Maxi. Mas sem as últimas especificações de suspensão, a equipa vê-se batida pela rival Peugeot. Na época seguinte, a aposta nos Mégane Maxi (então preparados pela Bozian) é reconduzida mas, apesar da evolução, a equipa não consegue melhor que o seu último título absoluto ao nível das Marcas. A temporada de 99 é de despedida, tanto dos Mégane Maxi como da própria equipa Renault. Contudo, Pedro Azeredo ainda se evidencia, conquistando o vice-campeonato e ajudando a Renault a assegurar mais um título de Marcas na F2.

Um novo interregno é interrompido em 2003 quando a marca do losango regressa às provas de estrada, apostando no pequeno e ágil Clio S1600, com Pedro Matos Chaves ao volante. Com um regulamento penalizador para as viaturas de apenas 2 WD, o ano seguinte não é fácil para a Renault que cedo fica afastada da discussão do título.

Duplicar a aposta é o passo seguinte, com um segundo Clio S1600 para José Pedro Fontes, que não se faz rogado, e logo em 2005 conquista o título para viaturas Até 1600cc. De resto, a conquista de Fontes foi mesmo a última para a Renault que, por razões de ordem estratégica, abandonou o palco dos ralis no final de 2006, deixando a porta aberta para um dia regressar…

1984: O ano de estreia e da polémica

Em 1984, a Renault Portugal fazia a estreia oficial na competição e, nos ralis, em particular. A aposta recaía num Renault 5 Turbo e na dupla Joaquim Moutinho/Edgar Fortes.

Na época, muitas foram as vozes céticas que se fizeram ouvir. A equipa não tinha experiência, a equipa Diabolique Motorsport e os Escort “passeavam” a sua superioridade e o 5 Turbo parecia apenas talhado para ralis de asfalto.

Mas a Renault rapidamente contrariou as previsões. O “amarelinho” só não foi campeão nacional no ano de estreia, por ter sido vítima de uma armadilha – no sentido estrito do termo! – na última prova do calendário, naquele que foi (talvez) o maior escândalo da história do desporto automóvel nacional.

1984 foi o ano em que surge no CNR um ‘enorme’ adversário para a Diabolique, a equipa oficial da Renault, que, com Joaquim Moutinho, venceu seis provas da competição, enquanto Santos tinha vencido três.

Mas tudo estava por se decidir no Algarve, quando na 1ª etapa uma pedra e um tronco levam Moutinho a rebentar dois pneus no momento em que comandava o rali. Não satisfeitos, em Monchique, na última etapa, uma barra de ferro com pregos de 7 cm foi atravessada na estrada, furando os quatro pneus do R5.

Há uns anos perguntámos a Moutinho o que sentia quando se recordava do episódio: “Nojo! Repulsa pelo que certo tipo de gente é capaz de fazer, ou de mandar fazer, para atingir os seus objetivos! Estupefação pela ingenuidade de alguns amigos meus em acreditarem que ainda existe a Branca de Neve… Revolta comigo mesmo por ter sido tão imbecil ao ponto de ter feito tudo para sair da frente dos concorrentes em prova.

Assim como fui tão bem intencionado em deixar passar toda a gente. O rali continuou como se nada se tivesse passado. Apenas assisti, estupefacto, aos festejos da coisa adquirida com a desgraça alheia, sem mérito. Triste…” Palavras que disseram tudo!

No entanto, nos dois anos seguintes, nada nem ninguém impediu a equipa de se sagrar bicampeã nacional de ralis. Em 1987, o modelo 11 Turbo permitiu à Renault (com a dupla Inverno Amaral/Joaquim Neto) sagrar-se tricampeã nacional de ralis, enquanto na década de 90 e, até 2006, a marca foi uma das que mais apostou no automobilismo nacional, com diferentes versões do Clio e do Mégane a somarem sucessos e a proporcionarem momentos de emoção e de espetáculo, tanto em ralis como em circuitos.

Curiosamente, 40 anos depois da estreia e 18 anos depois do último projeto oficial, a Renault Portugal está de regresso à competição, com o Clio Trophy Portugal.

Um competitivo e acessível troféu de ralis vocacionado para jovens pilotos e uma iniciativa inédita para a Renault Portugal. É que apesar do histórico de organizações de troféus monomarca, fundamentalmente com o modelo Clio e sempre na velocidade, esta vai ser a primeira vez que a filial da marca vai promover um troféu de ralis.

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#99
#99
2 meses atrás

Saúdo com muito agrado esse retorno, mas à pala do sucedido em 1984, parece- me que esses mesmos energumenos das pedras, barras com pregos e outros artefactos ainda continuaram a sua nojenta carreira em anos seguintes, pois em rallies do Nacional de Promoção entre 1997 e 2000, foi vítima, e inúmeras vezes, em Santo Tirso, Abrantes, Algarve entre outros rallyes de atos de sabotagem como, tubos de travão seccionados, barras estabilizadora desapertadas na calada da noite e em pleno dia: pedras de calçada na trajetória, cerca de vedação no meio do troço etc etc. De se lamentar mas parece ser… Ler mais »

FRL
FRL
2 meses atrás

Excelente regresso e esperemos que num futuro próximo, outras marcas sigam o exemplo.

Billy Bob
Billy Bob
2 meses atrás

A Renault Galp foi brutal. Uma senhora estrutura, e a escolha do piloto não podia ser mais acertada, o saudoso Joaquim Moutinho. Foi Bi Campeão, deveria ter sido Tri Campeão, uns energúmenos com acesso a uma maquina de soldar isso impediram.
Que estejam á altura do seu passado na modalidade, e que seja um êxito o Clio Trophy Portugal.

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