Carlos Fernandes bisa triunfo no Rali das Camélias

Por a 8 Fevereiro 2025 22:31

Carlos Fernandes e Valter Cardoso confirmaram o seu domínio no Rali das Camélias ao conquistarem a segunda vitória consecutiva com o Mitsubishi Carisma GT. Numa prova marcada por algumas reviravoltas e grandes desafios, a dupla impôs-se com autoridade, deixando para trás a concorrência dos R5 e assegurando um triunfo incontestável.

Depois do tri de Rui Madeira entre 2021 e 2023, desta feita foi a vez do ‘bi’ de Carlos Fernandes e Valter Cardoso, no Rali das Camélias, repetindo o triunfo do ano passado com o Mitsubishi Carisma GT, fruto duma prova exemplar, nunca deixando os homens dos R5 meter o pé em seara alheia, acabando mesmo por ser a dupla Rui Madeira/Nuno R. Silva (Mitsubishi Lancer Evo III) a terminar em segundo depois de um forte ataque nos dois troços finais de Sintra que levou a dupla do ‘velhinho’ Mitsubishi do quinto para o segundo lugar. Era 17 os segundos que os separaram do então segundos classificados, André Cabeças/Miguel Castro (Ford Fiesta R5) mas estes não aguentaram a posição caindo para o quinto lugar depois de perderem mais de um minuto no derradeiro troço, devido a problemas de visibilidade, com as luzes do seu Ford a ‘desentenderem-se’ com o nevoeiro…

Desta forma, no terceiro lugar terminaram Pedro Clarimundo/Mário Castro (Skoda Fabia R5), que venceram a prova de 2019 e foram segundos em 2021. De referir que o piloto já não fazia ralis desde 2022, precisamente este Rali das Camélias, e mesmo três anos depois mostrou que ainda é capaz de andar forte.

Quem andou ainda melhor foram João Rodrigues/Bruno Carvalho (Renault Clio Rally 4), que por 5.5s não foram ao pódio. Com um carro bem menos competitivo dos que ficaram à sua frente, lutou em todo o rali com o facto de não ter pneus mais indicados para as condições dos pisos. Começaram com um sétimo lugar, para ‘aquecer’, mas foram sempre melhorando posições nos troços, fazendo mesmo um segundo lugar à geral na PEC4, terminando o rali com dois terceiros lugares em Sintra. Um piloto que há muito mostra que merecia poder conseguir por de pé um programa nos ralis em Portugal e com condições semelhantes iria andar entre os melhores.

Como se sabe, esta prova perdeu cedo Paulo Neto/Nuno Ribeiro (Skoda Fabia R5), que saíram de estrada na zona da Peninha, logo no primeiro troço, uma dupla que em condições normais poderia lutar pela vitória. Já Gil Antunes Alexandre Ramos (Dacia Sandero R4) também desistiram na PEC2, depois de se partir uma manga de eixo. Foi pena, pois ambos, poderia ter animado ainda mais o rali nas lutas da frente.

Outra dupla a brilhar foram Diogo Mil Homens/Pedro Oliveira (Toyota Starlet). Terminaram em sexto, mas andaram ao nível dos anos em que fizeram 3º e 4º nas Camélias, só que desta vez a concorrência melhor equipada era maior.

Ainda assim, nos seis troços fizeram um quinto e dois sextos lugares à geral e venceram sempre a sua classe.

Carlos Martins/Francisco Ponte (Ford Fiesta R5) terminaram em sétimo na sua estreia com o Ford Fiesta R5. Tiveram algumas dificuldades, especialmente nos troços de Sintra, que o piloto desconhecia por completo. Os troços da zona de Mafra, que também não conhecia, eram mais normais, mas os de Sintra, especialmente quando sujos, são muito complicados.

João Carlos/Neves João Reis (Renault Clio Sport) terminaram em oitavo uma prova em andaram no sobe e desce no top 10, subiram de 11º para oitavo no derradeiro troço da prova.

Diogo Marujo/Jorge Carvalho Peugeot 208 Rally4, pilotos habituais do CPR 2RM, Júnior e troféus Peugeot Ibéria e Cup Portugal fizeram uma prova regular com a exceção do atraso na PEC2, terminando o rali em alta quando subiram de 12º para nono na última especial. Foram quartos nas 2RM.

Daniel Amaral/Joel Lutas (Toyota Yaris GR) fecharam o top 10 e ficaram no pódio da classe P3: “extremamente felizes por termos superado este desafio, enfrentando condições adversas ao longo da prova”, disse o piloto.

Em contraciclo à prova que fizeram, Paulo Cruz/Hugo Bentes (Mitsubishi Evo X), que tinham subido de 12º para nono na primeira passagem por Sintra, voltaram a cair, desta feita para 11º no derradeiro troço, que estava bem complicado com muito nevoeiro.

Outro dos grandes destaque do rali foram Gonçalo Boaventura/Diogo Leitão (Peugeot 106 Rallye) que `entrada do último troço eram oitavos da geral depois de quatro posições no top 10 dos troços em cinco especiais. Na sexta, a um quilómetro do fim do rali um toque com a frente e uma roda fora do sítio. Inglório, não mereciam o azar, mas isso não apaga, de modo nenhum, o que fizeram durante a prova.

Filme da prova

Fazendo um filme do que foi o evoluir da prova, Carlos Fernandes entrou ao ataque desde o primeiro quilómetro contra o cronómetro, registando vitórias nas duas especiais da seção inaugural matinal (Parque Natural Sintra/Cascais (11,66km) e Codeçal (7,99km)) e continuando a dominar na sessão da tarde, vencendo a dupla passagem por Tapada Mafra (11,33km), chegando assim à parte final do rali (percorrida no fecho de tarde e no início da noite) com um robusto avanço de 41,5 segundos sobre André Cabeças e Miguel Castro, com estes a estarem a protagonizar uma prova em crescendo, levando o Ford Fiesta R5 a galgar posições. Bem perto do piloto da Shore, um trio discutia taco-a-taco um lugar no pódio.

Pedro Clarimundo, navegado por Mário Castro, rodava então a apenas 12,7 segundos de cabeças, mas o piloto do Skoda Fabia R5 tinha ‘à perna` um endiabrado João Rodrigues, que estava a protagonizar, juntamente, com o seu navegador Bruno Carvalho, uma exibição de luxo aos comandos de um Renault Clio Rally4, com o qual para além de estar a discutir a geral, ousava ainda dominar por completo a questão das 2RM.

Entre Clarimundo e Rodrigues a diferença era de apenas 4,3 segundos e ainda tinham de olhar de forma bem atenta para os ‘mundialistas’ Rui Madeira e Nuno Rodrigues da Silva, que, usando o histórico Mitsubishi Lancer EVO III, estavam, como é seu apanágio, a discutir olhos nos olhos com as duplas dos carros mais recentes e competitivos, quedando-se a uns curtos 1,8 segundos de João Rodrigues e a 6,1 de Pedro Clarimundo, apesar dos problemas que tinham sentido com a caixa de velocidades na fase inicial do rali. E o melhor de Rui Madeira ainda estava para vir…

O desfecho do Bilstein Group teria como cenário a mítica especial de Sintra (9,68km), percorrida duas vezes, a espaços debaixo de alguma chuva e, sobretudo na segunda passagem, com o nevoeiro a aparecer para tornar a missão ainda mais árdua.

Se, na liderança, Carlos Fernandes entrou em modo de gestão e, levantando um pouco o pé, ultrapassou as dificuldades sem problemas, arribando aos Jardins do Casino do Estoril para comemorar mais uma vitória nas Camélias, na estrada os muitos milhares de espetadores assistiram a um recital de Rui Madeira.

O craque que deu a Portuga a primeira Taça do Mundo de Grupo N de Ralis, venceu os dois troços de forma sublime, saltando da 5ª posição para o 2º lugar da geral final, a que juntou ainda o triunfo entre os Históricos. E, mesmo sabendo que Carlos Fernandes esteve a controlar, é de realçar que Rui Madeira ‘devorou’ 32,6 segundos da desvantagem que tinha para os líderes e futuros vencedores, chegando ao Estoril a apenas 27,7 segundos. Notável!

Logo atrás, Pedro Clarimundo assegurava com dificuldade o último degrau do pódio absoluto, terminando a 48,1 segundos de Carlos Fernandes, tendo bem perto João Rodrigues, que viu o pódio à geral fugir-lhe por apenas 5,4 segundos, mas juntou a um excelente 4º lugar absoluto, uma vitória musculada entre as equipas que discutiram o triunfo nas 2RM. A exibição do piloto de Mafra com o Clio foi mais uma demonstração de que merece uma oportunidade no CPR2RM.

A noite sintrense foi aziaga para as pretensões de André Cabeças. O piloto da Shore sentiu muitas dificuldades no nevoeiro que se instalou na serra, mercê de uma má escolha nos faróis utilizados, caindo de 2º para 5º, concluindo a prova a 1:30,7 da frente.

Logo atrás, o 6º lugar foi reclamado por mais um dos pilotos em destaque nas Camélias. Diogo Mil-Homens ‘voou baixinho’ com o seu bem preparado Toyota Starlet, reclamando ainda o 2º lugar nas duas rodas motrizes, pecúlio mais do que merecido para os ‘milagres’ que o piloto navegado por pedro Oliveira faz aos comandos do pequeno carro nipónico.

Nesta refrega das 2RM, o pódio ficou completo com o Renault Clio Sport de Carlos Neves e João Reis, sempre muito consistentes e competitivos ao longo do rali, sendo disso também reflexo terem alcançado um muito positivo 8º lugar da geral.

Concluíram 49 das 65 equipas que alinharam à partida. Um naipe de participantes em quantidade e muita qualidade, que premiou a excelente organização do Clube de Motorismo de Setúbal e o esforço tremendo feito pelo clube sadino, juntamente com as autarquias de Cascais, Mafra e Sintra e os seus patrocinadores, para montar esta edição muito especial, dedicada ao malogrado Luís Caramelo, figura importante no regresso desta prova única no carisma e na relevância para os amantes da modalidade, que, aliás, corresponderam em grande número, contribuindo assim para o sucesso do raoi.

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1 comentários

  1. [email protected]

    9 Fevereiro, 2025 at 2:01

    Parabéns também ao João Rodrigues / Bruno Carvalho & Diogo mil Homens / Pedro Oliveira!

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