Malcolm Wilson recorda quando os Ford Escort WRC eram preparados num estábulo


Durante o Rali de Portugal 1997, Malcolm Wilson recordava os primeiros momentos do que se tornaria, e ainda é hoje, um bela história, o princípio da ligação à Ford, que entregou a Wilson a responsabilidade de ‘representar’ a Ford a nível oficial no Mundial de Ralis. Apesar de alguns ‘arrufos’, leia-se semi-divórcios pelo meio, o tempo foi passando: Já lá vão 23 anos. Recorde aqueles tempos e as palavras de Wilson: “Para os adeptos britânicos de ralis, Carlisle é um nome popular em termos de ralis, não só por se situar a escassas dezenas de quilómetros da floresta de Kielder, uma espécie de `Arganil inglês”, mas também por aí se realizar uma habitual neutralização durante o Rali do RAC. Mas é igualmente perto de Carlisle que fica Cockermouth, pequena vila rodeada de belos campos verdes, onde a tranquilidade de uma paisagem bucólica é o melhor remédio para o ‘stress’ dos grandes centros.
E é precisamente num cenário de rara beleza que se situa a M-Sport, a empresa do ex-piloto Malcolm Wilson, atualmente responsável pela participação da equipa Ford no Mundial de ralis. Para quem não conhece os antecedentes desta operação, o choque poderia ser grande. Na verdade, quando se pensa numa equipa oficial de ralis, imagina-se instalações de grande porte, sofisticados meios técnicos, gente a trabalhar em grande azáfama. Este poderá vir a ser o cenário da M-Sport no futuro mas, para já, a realidade é bem diferente.
“Quando tinha apenas a minha equipa, dispunha de 18 elementos. Desde que a Ford me confiou o programa, num contrato a três anos, já contratei mais funcionários e neste momento já somos 52. Mas creio que, em meados do próximo ano, poderemos chegar aos 200″. Mais importante do que isso, Wilson tem já um projeto para novas instalações, cuja construção deve arrancar em breve, local onde funcionará uma estrutura mais apetrechada e capaz de dar total resposta aos novos desafios colocados à M-Sport. Atualmente, os Escort WRC são preparados num antigo estábulo, devidamente transformado em oficina e dividido em três grandes setores: garagem, oficina e armazém de fabrico de peças. Na primeira ‘moram’ os Ford Escort WRC: as carroçarias chegam á M-Sport já devidamente preparadas em termos de reforços, sendo-lhe depois colocada toda a mecânica. Também neste setor os diversos elementos chegam praticamente terminados, sendo os motores trabalhados na Mountune. Trata-se de um trabalho meticuloso e, neste aspeto, os elementos da M-Sport são bastante profissionais, garantindo além de peças, com relevo para várias suspensões dos mais diversos tipos. Num departamento contíguo, outros elementos trabalham peças específicas em máquinas apropriadas, tentando fazer o mais possível em termos internos ainda que, como referimos, as atuais limitações não permitam grandes voos neste aspeto. Beneficiando da sua experiência, Malcolm Wilson alterou um pouco a atual lista de fornecedores da equipa, tentando conseguir as melhores soluções e reparar algumas situações menos interessantes no passado. Trabalhando em conjunto com o seu responsável técnico, Marc Amblard, Wilson está certo de conseguir dar uma resposta adequada às exigências de um piloto muito especial neste aspecto, como é Carlos Sainz, sempre ávido por trabalhar no desenvolvimento do Escort WRC. Com as novas instalações, Malcolm Wilson dará um importante salto qualitativo e quantitativo em termos de futuro, algo que pode ser decisivo no futuro da continuação de Carlos Sainz no seio da equipa, numa altura em que se especula cada vez mais na hipótese do seu regresso à Toyota.