MotoGP inicia ‘hostilidades’ na noite do Qatar
Além da abundância de talento que caracteriza o campeonato, os últimos meses de 2010 e os primeiros de 2011 provocaram uma mini-revolução na configuração do plantel. Valentino Rossi deixou a marca com a qual venceu quatro mundiais e (ironia numérica) 46 Grandes Prémios, rumando à Ducati para materializar o cenário onírico dos tifosi (ou pelo menos, de uma parte deles, como pode ler em separado). Na equipa italiana, Rossi ocupa o lugar deixado vago pelo único campeão do Mundo com as cores da Ducati, Casey Stoner, que não resistiu à milionária tentativa da Honda para recuperar um título que lhe foge desde 2006.
Por sua vez, a Yamaha colmatou a saída de Rossi com a esperada promoção de Ben Spies, que transita da satélite Tech 3 à procura de confirmar a reputação construída desde que atravessou o Atlântico em 2009.
Lorenzo, Pedrosa, Dovizioso e Simoncelli mantiveram os seus lugares… mas com ligeiras nuances. O campeão do Mundo é agora o líder incontestado da Yamaha, mesmo se já afirmou que Spies é um candidato ao título como os outros. Pedrosa e Dovizioso assistiram à chegada imperial de Stoner, um fator-extra de motivação para ambos mas sobretudo uma séria ameaça ao futuro de Dovizioso na equipa. E porquê? Porque o HRC já percebeu que Simoncelli é, no mínimo, tão rápido como o seu compatriota e fornecerá uma RC212V de fábrica à Gresini para colocar o ex-campeão de 250cc ‘à porta’ da equipa oficial.
Honda muito forte
Com os últimos ensaios no Qatar a terminarem já depois do fecho desta edição, os testes feitos em Valência (no final de 2010) e Sepang (duas sessões) permitiram ver que a Honda acertou em cheio no projeto de 2011.
A nova RC212V tem estado no topo das tabelas de tempos com quase todos os seus quatro pilotos de ponta, mostrando rapidez e fácil adaptação ao estilo de diferentes pilotos. Entre estes, o destaque vai para Stoner, a quem muitos já tinham augurado uma simbiose perfeita com a filosofia da Honda, colocando a RC212V a ‘voar’ logo desde os primeiros quilómetros em Valência. Pedrosa terá, finalmente, um rival de peso dentro da equipa apesar de também o espanhol ter demonstrado uma excelente forma, além de, aparentemente, ter passado pela pré-época sem os problemas físicos dos anos anteriores. Com o poderio demonstrado pela Honda, Stoner e Pedrosa são os principais favoritos à vitória no Qatar pois Dovizioso já admitiu que não está ainda ao nível dos seus companheiros e Simoncelli, apesar do material de topo, vai iniciar apenas a sua segunda época na disciplina.
Na trincheira da Yamaha ‘mora’ o campeão do Mundo em título, mas Lorenzo já avisou que a nova M1 está atrás da Honda em termos de potência e estimou uma perda de 8 km/h em velocidade de ponta. O espanhol pediu melhoramentos aos engenheiros japoneses mas também referiu que os upgrades dificilmente chegarão a tempo das primeiras provas. Além disso, Lorenzo terá de ter atenção ao seu novo companheiro de equipa, Ben Spies, que mostrou um bom ritmo em testes. O texano está motivado, mas poucos acreditam que tenha experiência para reeditar a rivalidade entre Lorenzo e Rossi nas últimas três épocas. Aos 26 anos, Spies tem um currículo invejável e um talento inegável – será suficiente para fazer esquecer Rossi.
Os outros
Se o ‘Doutor’ e a Ducati têm problemas que cheguem para ficarem preocupados, será curioso perceber qual dos pilotos da ‘segunda linha’ andará mais próximo das equipas oficiais. No ano passado, Simoncelli desempenhou esse papel (daí a promoção ‘silenciosa’ no interior da Honda) e o seu novo companheiro na San Carlo Gresini poderá seguir-lhe as pisadas. Hiroshi Aoyama não terá uma RC212V de fábrica, mas a competitividade da moto japonesa poderá ser um trunfo importante tanto para Aoyama como para Toni Elias (de regresso à LCR), pelo menos no início da temporada.
Claro que Colin Edwards e a Monster Yamaha Tech 3 são as eternas referências do pelotão que não luta pelas vitórias, com o veterano americano a ser acompanhado pelo rookie Cal Crutchlow, outra aposta da Yamaha. O pelotão das Ducati privadas terá os experientes Loris Capirossi e Randy de Puniet na Pramac, Héctor Barberá na Aspar e o rookie checo Karel Abraham (filho do milionário que detém o circuito de Brno). Longe dos tempos de glória com Schwantz e Kenny Roberts Jr., 2011 será um ano de contenção para a Suzuki que terá Álvaro Bautista a full time e promoverá o regresso de John Hopkins em algumas provas.
Ricardo S. Araújo
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