O ex-chefe de equipa da Ferrari, Stefano Domenicali, abandonou a equipa italiana em meados de Abril, com apenas três GPs disputados, e tem-se mantido longe dos holofotes, mas na Conferência Desportiva realizada anualmente pela FIA e que teve lugar ontem, em Munique, ressurgiu, e falou sobre a sua situação o presente e futuro da modalidade e da necessidade de atrair público jovem.
Quanto à atual temporada e ao domínio da Mercedes, Domenicali: “Era claro que as equipas que no início começaram fortes, iriam manter a vantagem ao longo da temporada porque deram um passo grande. A Mercedes tem feito um grande trabalho e vão manter esta vantagem muito tempo”, disse, afirmando ainda que “reduzir a diferença numa altura em que os regulamentos estão mais ou menos congelados é muito difícil.” No entanto, o italiano espera que “as restantes equipas sejam capazes de reduzir alguma diferença em breve, porque a esta altura precisamos de ter corridas que sejam atraentes. Se perdermos a paixão, isso não será bom.”
Numa altura em que Domenicali ‘goza’ o seu afastamento da competição, e da pressão inerente, lembra que é necessário aos investidores das diversas modalidades reunirem-se para chegar a um consenso face às melhores formas de atuação. “Temos que falar sobre uma base incrivelmente grande, que vai desde os detentores de direitos, equipas, construtores e adeptos, por isso seria errado dizer que existe apenas uma coisa a fazer – seria apenas olhar para uma parte de todo o bolo que é o desporto motorizado.”
Por outro lado, Domenicali acrescenta que é necessário atrair todos aqueles que são “puramente fãs de desporto e que querem desafiar o profissional ou o piloto através de jogos ou experiências interactivas. Uma coisa que aprendi no mercado americano, nas diferentes disciplinas, é que os fãs querem constituir um desafio para o jogador mais importante de basquetebol ou outra qualquer modalidade. Os fãs querem ser os protagonistas. Se pudermos fornecer isso, isso ajuda toda a nossa acção para estarmos ligados aos adeptos.”
Integrado no painel “Como fazer crescer o desporto motorizado num mundo em mudança”, o italiano explicou que os jovens são o público alvo da modalidade num futuro a curto-médio prazo. “Os jovens (…) têm de estar ligados ao desporto pela tecnologia. Têm de estar envolvidos. Há jovens que querem ser pilotos estando ligados – é tornar o desporto parte deles mesmos. Para os que querem estar envolvidos com os pilotos, isso tem de ser acessível, de outro modo é impossível. Existe aqui uma dicotomia. A nova tecnologia no início é cara. Precisamos de encontrar um equilíbrio. Se formos muito agressivos nas novas tecnologias, corremos o risco de perder a paixão pelo desporto motorizado. Precisamos de um cuidadoso equilíbrio”, finaliza o italiano.









