Poucos mas bons

Por a 14 Outubro 2007 14:56

Ao longo de três décadas, o AutoSport esteve sempre por dentro do Mundial de F1. A primeira reportagem, logo no nº 1, foi o GP da Holanda – e o enviado especial era o director de então, José Vieira: «Na altura, éramos credenciados pela IRPA. Era tudo muito mais fácil.»

Recorda ainda a sua Hermes Baby que levava para todo o lado e onde escrevia «nos hotéis e nas salas dos aeroportos. Então, os pilotos eram muito mais acessíveis que agora, podia-se falar com eles em qualquer ocasião. Pessoalmente, dava-me muito bem com a Lotus, desde os tempos do Jim Clark. Todas as equipas eram muito abertas.Aexcepção era, como ainda hoje, a Ferrari.»

José Miguel Barros, por sua vez, reforça como «é inacreditável a diferença que sucedeu nos circuitos de todo o mundo, em tão pouco tempo.» Repórter em duas temporadas distintas e distanciadas por duas décadas, insiste em
que «não há comparação possível. O local físico onde trabalhávamos é hoje muito melhor e mais amplo. Há 20 anos, tínhamos à nossa disposição salas incríveis, diminutas, onde o mínimo atraso na chegada significava que não tínhamos lugar onde trabalhar. Parece que passaram 100 anos!»

Rui Freire cumpriu três temporadas de reportagem nos circuitos do Mundial, com as “cores” do AutoSport. Salienta o facto desse período «ter coincidido com a ascensão de um senhor chamado Ayrton Senna», a cujo primeiro título de Campeão teve «a oportunidade de assistir. Talvez esse ano de 1988 tenha sido o mais gratificante de todos aqueles em que fiz F1.» Nessa altura, existia «uma credencial permanente, que permitia ter acesso a todo e qualquer local da pista. Durante alguns anos, vi na pista os treinos e os inícios dos GP. Algo que me ensinaram dois grandes jornalistas de F1 – o Johnny Rives, do L‘Équipe, e o Franco Lini – que sempre me disseram que só se conseguia perceber verdadeiramente o valor de um piloto e as virtudes ou defeitos de um carro se o víssemos ao vivo.» O actual director salienta ainda que «se ter feito a F1 para o AutoSport foi uma experiência gratificante, o acidente do Berger, quase no mesmo ponto onde mais tarde viria a morrer o Ayrton redundou num enorme susto. A todos nós pareceu uma eternidade o tempo que os socorros demorararm até tirarem o Gerhard do carro a arder, felizmente com poucas consequências físicas.»

Também para João Carlos Costa, que se estreou no GP dos Estados Unidos de 1991, em Phoenix, onde lhe fez «alguma confusão não poder ir onde queria », foi «um privilégio ter feito a F1 pelo AutoSport.» Desse tempo, recorda «o
meu primeiro GP do Mónaco, onde fui ver, na quinta-feira, os pilotos a fazerem a Curva do Casino. Todos a faziam da mesma forma, com excepção de Ayrton Senna. Nessa altura, eu era fã do Próst e, desde então, fiquei a perceber porque o Ayrton era um piloto diferente.»

Actualmente, é Luís Vasconcelos o repórter de serviço aos GP de F1. São mais de 15 anos de experiências, em que salienta como o facto mais complicado «quando o AutoSport, de repente e sem aviso, passou a sair à segunda-feira. Resmunguei, ameacei, mas afinal tive que me render às evidências e adaptar rapidamente às novas exigências.» E é precisamente esta capacidade de adaptação imediata e sempre evolutiva que salienta, ao longo destes anos todos.

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