World RX: A época mais competitiva dos últimos anos?

Por a 3 Abril 2019 10:14

É no mínimo irónico que depois de saírem tantos grandes nomes de uma competição como o Mundial de Ralicross, esta fique ainda mais competitiva.
Com a saída de cena no final de 2018 dos Campeões do Mundo FIA que militavam na caravana, a nova época do Mundial de Ralicross 2019 adivinha-se como a mais intensa dos últimos anos, apresentando um conjunto de jovens pilotos de nome já feito, ávidos por chegar à consagração mundial

Depois de um crescimento espetacular ao longo dos últimos 5 anos, quer em termos do nível competitivo das equipas, pilotos e viaturas participantes, quer em termos do nível de mediatismo e popularidade atingidos por todo o mundo, o Campeonato Mundial de Ralicross entra nesta temporada de 2019 numa nova era, sem o envolvimento direto dos construtores e órfão dos principais cabeças de cartaz que desde 2014 atraíram novos fans e curiosos para a modalidade.

Foi um Inverno difícil, com a saída das equipas de fábrica da Audi Sport, Peugeot Sport e Volkswagen Motorsport, que decidiram tomar a mesma decisão que a Ford Performance/M-Sport já tinha tomado no final de 2017, devido a um conjunto de vários motivos, onde se destacam o adiamento anunciado pela IMG (promotor) da introdução do novo campeonato de elétricos (adiada até ver até 2021), a escalada dos orçamentos (em virtude dos investimentos cada vez maiores por parte dos construtores nas suas estruturas e na preparação e desenvolvimento dos seus carros), bem como a política de calendário da IMG, assente na criação artificial de circuitos de Ralicross em populares pistas de F1 e MotoGP (apesar de funcionarem bem na TV, a maioria deles têm com pouco público a assistir e os traçados são parcamente interessantes), em detrimento dos clássicos circuitos que fazem parte do ADN desta disciplina como Montalegre, Lydden Hill ou Estering.

No cartaz do campeonato deste ano já não vão aparecer as estrelas Petter Solberg (continua sem futuro definido), Sébastien Loeb (regressou ao WRC), Mattias Ekstrom (também sem se conhecer o seu novo programa desportivo) nem Johan Kristoffersson (roubado pelo WTCR), cartaz que no passado já tinha tido também outras “cabeças” conhecidas como Jacques Villeneuve, Ken Block ou Gigi Galli.

Assim neste ano de 2019 o World RX vai ter outros protagonistas, alguns deles já bem conhecidos pelas suas exibições no passado recente do campeonato. As duas equipas que parecem partir um pequeno passo à frente da concorrência são a Monster Energy RX Cartel e o Team Hansen MJP, com a GRX Taneco, a GCK e o Team STARD a quererem definitivamente dar um passo em frente face a 2018.

Novas roupas para Audi e Peugeot ex-fábrica
Começando pela Monster Energy RX Cartel, esta é uma equipa que tem por base a estrutura EKS de Mattias Ekstrom e que apresenta os notáveis Andreas Bakkerud e Liam Doran ao volante dos Audi S1 quattro. No ano passado foram estes mesmos Audi quem mais incomodaram Kristoffersson, com Bakkerud a mostrar um nível de maturidade já elevado, factos que o apontam como candidato ao título mundial, depois de ter sido 3º em 2016 e 2018.

Apesar de polémico, Doran tem um talento reconhecido e volta a ter agora uma nova oportunidade, sendo esta a sua primeira temporada completa desde 2015. No ano passado Kristoffersson venceu 11 das 12 provas, escapando-se apenas o triunfo na prova da Bélgica para Sébastien Loeb e o Peugeot 208 WRX. Será precisamente com dois modelos similares á versão que Loeb conduziu em Mettet, que se apresentam este ano Timmy Hansen e Kevin Hansen.

Depois da saída de cena da Peugeot Sport, a antiga equipa familiar Hansen Motorsport uniu-se à estrutura MJP de Max Pucher para fazer alinhar um par de Peugeot 208 WRX ex-fábrica para os simpáticos irmãos suecos. Se Timmy conseguir estar mentalmente forte, é seguramente um candidato ao título, ele que já se sagrou Vice-Campeão em 2016 depois de uma luta intensa com Petter Solberg. Quanto ao seu irmão Kevin, até agora deu sempre muito nas vistas conduzindo um carro um ano mais antigo que a versão conduzida por Loeb e pelo seu irmão, sendo assim de esperar este ano um Kevin Hansen ainda mais forte, ele que é visto por muitos como o verdadeiro sucessor do seu pai Kenneth Hansen, pelo estilo perfeccionista da sua condução.

A GCK voltará a alinhar com um par de Renault Mégane RS RX para o dono da equipa Guerlain Chicherit e para o antigo Campeão Europeu SuperCar 2017, o sueco Anton Marklund. Mudança importante nesta equipa é a estrutura técnica que a suporta, com a conceituada Prodrive a ser substituída pela francesa G-FORS.

A equipa também inscreve este ano dois Renault Clio IV RS RX, sob a bandeira da GCK Academy, para o Vice-campeão RX2 de 2018, o belga Guillaume De Ridder, e para o Bicampeão RX2 de 2016 e 2017, o francês Cyril Raymond. Altas ambições tem este ano a GRX Taneco dirigida por Marcus Gronholm, que regressa com os Hyundai i20 N RX evoluídos face ao ano passado para a mesma dupla Niclas Grönholm e Timur Timerzyanov.

O mais jovem do clã Gronholm foi a revelação do ano em 2018, mostrando velocidade, rapidez de adaptação a novas condições e um nível de consistência no seu ritmo muito elevado, faltando apenas evoluir um pouco nas lutas porta com porta.

Poderá ser mesmo o piloto a incomodar mais os pares dos Audi e Peugeot na luta pelas vitórias. A GRX fará ainda alinhar um terceiro Hyundai para Reinis Nitišs, Campeão Europeu SuperCar 2018, nalgumas provas selecionadas.

Entre os restantes pilotos inscritos destacam-se ainda o alemão Timo Scheider, antigo Bicampeão do DTM, com um novo Seat Ibiza RX inscrito pela Munnich Motorsport e o letão Janis Baumanis, novamente integrado no Team STARD de Manfred Stohl, estreando um novo Ford Fiesta RXS preparado de raiz com o apoio semi oficial da Ford Performance.

Com uma face renovada face aos últimos anos, as expectativas sobre o World RX 2019 são no entanto elevadas, pois a procura pelo novo Campeão do Mundo adivinha-se muito aberta e certamente que a marca de sempre do Ralicross, assente na espetacularidade e lutas intensas, continuará bem presente nas 10 provas que compõem a temporada.

CALENDÁRIO
Abu Dhabi – Yas Marina                                      5/6 Abril
Bélgica – Spa-Francorchamps                       11/12 Maio
Grã-Bretanha – Silverstone                       25/26 maio
Noruega – Hell                                                   15/16 Junho
Suécia – Höljes                                                        6/7 Julho
Canadá – Trois-Rivières                                  3/4 Agosto
França – Lohéac 3                           1 Agosto/1 Setembro
Letônia – Riga                                            14/15 Setembro
EUA – Austin                                                28/29 Setembro
Africa do Aul                    30 Novembero/1 Dezembro

Inscritos World RX Abu Dhabi

Equipa Piloto Nac. Carro
5 Team STARD Pal TRY NOR Ford Fiesta RXS
6 Team STARD Janis BAUMANIS LVA Ford Fiesta RXS
7 GRX Taneco Timur TIMERZYANOV RUS Hyundai i20 N RX
13 Monster Energy RX Cartel Andreas BAKKERUD NOR Audi S1 quattro
14 ESmotorsport Rokas BACIUSKA LTN Skoda Fabia RS
15 GRX Taneco Reinis NITISS LVA Hyundai i20 N RX
21 Team Hansen MJP Timmy HANSEN SWE Peugeot 208 WRX
33 Monster Energy RX Cartel Liam DORAN GBR Audi S1 quattro
36 GCK Guerlain CHICHERIT FRA Renault Mégane RS RX
42 Xite Racing Team Oliver BENNETT GBR Mini Cooper SX1
44 Muennich Motorsport Timo SCHEIDER DEU Seat Ibiza RX
68 GRX Taneco Niclas GRÖNHOLM FIN Hyundai i20 N RX
71 Team Hansen MJP Kevin HANSEN SWE Peugeot 208 WRX
92 GCK Anton MARKLUND SWE Renault Mégane RS RX
96 GCK Academy Guillaume DE RIDDER BEL Renault Clio IV RS RX
113 GCK Academy Cyril RAYMOND FRA Renault Clio IV RS RX
123 EKS Krisztian SZABO HUN Audi S1 quattro

Duarte Mesquita




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Scb
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Scb

“Jacques Villeneuve, Ken Block ou Gigi Galli” uh uh loucura.
Se Ferrari Mercedes e Red Bull (e respectivos pilotos) abandonassem a F1 o autosport também diria que agora é que ia ser competitivo com pilotos como Lance Stroll, Kvyat ou Kubica.

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E não seria um campeonato competitivo ?

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