Câmara Municipal de Cascais admite interditar Autódromo do Estoril

Por a 4 Março 2026 13:51

A ‘novela’ do Autódromo do Estoril prossegue, e desta feita a Câmara Municipal de Cascais revela não afastar a hipótese de vir a interditar o Autódromo do Estoril, apesar do circuito integrar a agenda de eventos do município para 2026, apresentada com a expectativa de ultrapassar um milhão de visitantes.

Em declarações ao ECO/Local Online, no dia da apresentação do plano de eventos para 2026, o presidente da autarquia, Nuno Piteira Lopes, sustenta que existe incumprimento das obrigações relativas a barreiras acústicas, referindo uma sentença judicial que impõe investimentos ao Estado, à Parpública e à entidade gestora do circuito.

Câmara quer assumir a gestão e avisa para riscos de segurança

O autarca defende que, se a situação se mantiver, o município poderá ser obrigado a actuar: aponta o incumprimento da lei do ruído e considera que o autódromo “não tem as mínimas condições” para receber pilotos, equipas e público.

Entre os problemas identificados, Nuno Piteira Lopes menciona a interdição da bancada A, alegando risco de colapso da pala, além de infiltrações nas boxes e falta de condições nas instalações sanitárias para acolher provas nacionais e internacionais.

Proposta de concessão por 75 anos e renda de 12,5 milhões

Cascais pretende negociar com a Parpública um direito de superfície até 75 anos, com uma renda total de 12,5 milhões de euros, assumindo a gestão do “ativo estratégico” e garantindo que a vocação motorizada se mantém prioritária. O presidente da Câmara afirma ainda ter mais do que um parceiro privado disponível para investir na requalificação, embora evite, agora, quantificar o montante global do projecto.

Requalificação prevê kartódromo, museu e “hub” nocturno

A ambição municipal passa por complementar o circuito com um kartódromo, uma escola profissional de restauro de clássicos, uma garagem-museu e um espaço dedicado à animação nocturna sob as bancadas A e B.

Agenda 2026 mantém forte peso do desporto motorizado

No calendário de 2026, o Circuito do Estoril volta a ser palco de eventos dos quais se destacam o Mundial de Superbikes, com Miguel Oliveira, marcado para 9 a 11 de outubro, Estoril Classics (18 a 20 de setembro), entre outros.

O que se tem passado nos últimos meses

O panorama do Autódromo do Estoril sofreu uma aceleração significativa nos últimos meses de 2025 e início de 2026. O resumo da situação atual aponta para uma tentativa de “resgate” da infraestrutura pelo poder local, com o objetivo de evitar a degradação total e devolvê-la à elite do desporto mundial.

  • A Ofensiva da Câmara de Cascais

    A autarquia, liderada por Nuno Piteira Lopes, cansou-se do “desinvestimento” do Estado (através da Parpública) e apresentou uma proposta formal para assumir a gestão.

    O Modelo: Um contrato de direito de superfície por 75 anos (50 iniciais + 25 de prorrogação).

    O Valor: 12,5 milhões de euros, pagos em rendas mensais ao Estado.

    A Estratégia: Diferente da tentativa falhada de 2015 (que visava a compra da empresa), esta fórmula jurídica permite à autarquia gerir o ativo sem ter de o comprar diretamente, contornando obstáculos do Tribunal de Contas.

    • O Plano de Investimento: 150 Milhões de Euros

      A Câmara não pretende gerir o autódromo sozinha, mas sim lançar um concurso público internacional para encontrar um parceiro privado.

      O Objetivo: Realizar obras estruturais de 150 milhões de euros.

      Prioridades: Modernização total das boxes, paddock, acessos e, crucialmente, sistemas de segurança para recuperar a Homologação Grau 1 da FIA, necessária para a Fórmula 1.

      • O Apoio do Setor (FPAK)

        Ni Amorim, presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, deu o “selo de aprovação” a esta transição para a Câmara de Cascais. No entanto, deixa avisos:

        Gestão Profissional: Não basta a vontade política; é necessária uma equipa técnica e de gestão com provas dadas no circuito internacional.

        Preservação: O grande medo do setor é que o autódromo fosse “engolido” pela pressão imobiliária da zona do Estoril. A gestão da Câmara é vista como uma garantia de que o espaço continuará a ser uma pista de corridas.

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