Autódromo do Estoril vai ser concessionado: Estado abre porta ao mercado

Por a 7 Março 2026 06:54

Concessão do Autódromo do Estoril avança com consulta ao mercado

A gestora do Autódromo do Estoril, CE – Circuito Estoril, S.A., anunciou que vai lançar “em breve” um procedimento de consulta ao mercado para a constituição de um direito real de superfície sobre o imóvel onde está implantado o Autódromo Fernanda Pires da Silva, abrindo a porta à concessão da infraestrutura a um novo operador.

O processo será conduzido no quadro legal aplicável e as peças do procedimento serão publicadas no site da sociedade, ficando acessíveis a qualquer interessado, o que coloca num plano formal a intenção do Estado de entregar a exploração do circuito a terceiros.

No mesmo comunicado, datado de 5 de março de 2026, a empresa assegura que continuará a desenvolver a atividade no autódromo “no estrito cumprimento das disposições legais”, garantindo a realização dos eventos motorizados previstos, apesar das atuais restrições e pressões políticas sobre a infraestrutura.

Esta opção pela concessão resulta de uma mudança de estratégia da Parpública, que deixou cair a venda direta da sociedade gestora após concluir que não estavam reunidas condições para uma alienação que salvaguardasse o interesse público.

A decisão surge numa altura em que a Câmara Municipal de Cascais insiste em assumir a gestão do autódromo através de um direito de superfície a 75 anos, no valor total de 12,5 milhões de euros, e em que o presidente do município admite mesmo a possibilidade de interditar a pista caso não sejam cumpridas obrigações em matéria de ruído e segurança.

A evolução do dossier coloca agora em confronto um modelo de concurso aberto ao mercado, liderado pelo Estado, com a ambição da autarquia de articular investimento privado de grande escala e devolver o Estoril ao topo do desporto motorizado internacional.

Em resumo, a CE – Circuito Estoril, S.A. procura um novo modelo de gestão para o Autódromo do Estoril através de uma concessão a longo prazo, mantendo a propriedade estatal. A Câmara de Cascais critica o desinvestimento e exige o cumprimento de medidas de mitigação de ruído, alertando para a possível interdição do espaço devido a infraestruturas degradadas, como forma de pressão.

O Estado abandonou a venda direta e pretende avaliar o interesse do mercado antes de decidir sobre a gestão futura.

Timeline da evolução recente do dossier Estoril

2015 e o negócio travado pelo Tribunal de Contas

2015 – Tentativa falhada de venda à Câmara de Cascais

Uma década antes da atual ofensiva, a Câmara de Cascais e a Parpública chegaram a acordo para a venda da sociedade gestora do autódromo por cerca de 4,9 milhões de euros, mas o negócio foi travado pelo Tribunal de Contas. A decisão obrigou o município a recuar, mantendo a gestão na esfera do Estado e adiando qualquer solução de longo prazo para o circuito.

Setembro de 2023 – Decisão judicial sobre ruído

Um tribunal decide limitar o ruído de eventos privados no Autódromo do Estoril, determinando o respeito pelos limites legais e prevendo a instalação de barreiras acústicas e de uma rede de sonómetros em articulação com o município. A decisão sublinha que, apesar de previstas no Plano Diretor Municipal, as barreiras acústicas nunca tinham sido instaladas, colocando pressão adicional sobre o Estado, a Parpública e a entidade gestora.

2023–2024 – Medidas de mitigação operacional

Na sequência da decisão, a empresa gestora adota medidas como limites de horário entre as 9h00 e as 19h00 para corridas e competições, bem como outras ações para reduzir o impacto sonoro. Paralelamente, avança a preparação, pela Parpública, de um concurso internacional para venda da CE – Circuito Estoril, S.A., enquadrando o autódromo como ativo para alienação.

Dezembro de 2025: ofensiva de Cascais e plano para a Fórmula 1

14 de dezembro de 2025 – Proposta formal de Cascais

A Câmara Municipal de Cascais apresenta à Parpública uma proposta para assumir a gestão do Autódromo do Estoril através de um direito de superfície avaliado em 12,5 milhões de euros, por um prazo de 50 anos, prorrogável por mais 25, até perfazer 75 anos. O valor seria pago em rendas mensais, permitindo ao Estado manter a propriedade do ativo e transferir apenas a exploração para a autarquia.

Justificação: desinvestimento e defesa da vocação desportiva

O presidente Nuno Piteira Lopes justifica a proposta com o “desinvestimento muito grande” do Estado na infraestrutura, que considera estratégica, e com a necessidade de garantir que o autódromo mantém a sua vocação desportiva, evitando cenários de reconversão imobiliária. O município defende que a gestão local, em parceria com privados, é a melhor forma de preservar o circuito como pista de corridas e de o recolocar no mapa internacional.

Plano de investimento de 150 milhões e ambição F1 2028

Se a proposta for aceite, Cascais prevê lançar um concurso público internacional para selecionar um parceiro privado disposto a investir cerca de 150 milhões de euros na modernização profunda do autódromo. O plano inclui a renovação total de boxes, paddock, acessos e sistemas de segurança, com o objetivo de recuperar a Homologação Grau 1 da FIA e viabilizar o regresso da Fórmula 1 ao Estoril em 2028.

Projeto complementar: kartódromo, museu e “hub” noturno

A autarquia admite expandir o conceito para além da pista, com a criação de um kartódromo, uma escola profissional de restauro de clássicos, uma garagem-museu e um espaço de animação noturna sob as bancadas A e B. A intenção é transformar o autódromo num polo multifuncional de desporto, turismo e entretenimento.

Início de 2026: ameaça de interdição e escalada política

3–4 de março de 2026 – Câmara admite interdição

No início de 2026, em plena apresentação da agenda de eventos do concelho, o presidente da Câmara de Cascais admite que o município pode ser obrigado a interditar o Autódromo do Estoril, caso se mantenha o incumprimento das normas de insonorização e das obrigações judiciais. O autarca aponta o incumprimento da lei do ruído, a ausência de barreiras acústicas e as deficiências de segurança, incluindo a interdição da bancada A, infiltrações e falhas nas instalações sanitárias.

Gestão proposta e investidores disponíveis

Nuno Piteira Lopes reitera a intenção de negociar um direito de superfície até 75 anos, com renda total de 12,5 milhões de euros, garantindo que a vocação motorizada se mantém prioritária. O município afirma ter mais do que um grupo de investidores disponível para cofinanciar a requalificação, embora evite, nesta fase, quantificar novamente o montante global do projeto.

5 de março de 2026: Comunicado I e viragem para a concessão

Lançamento da consulta ao mercado

A 5 de março de 2026, a CE – Circuito Estoril, S.A. publica o Comunicado I, anunciando o lançamento “em breve” de um procedimento de consulta ao mercado para a constituição de um direito real de superfície sobre o imóvel do autódromo. Este passo confirma que o Estado abandona a intenção imediata de venda e opta por um modelo de concessão, abrindo a porta a candidaturas de diversos interessados, incluindo potencialmente a Câmara de Cascais.

Continuidade da atividade desportiva

No mesmo documento, a sociedade garante que continuará a assegurar, “no estrito cumprimento das disposições legais”, a realização de eventos motorizados no Autódromo do Estoril, numa tentativa de transmitir confiança a promotores, equipas e público. A mensagem procura equilibrar a incerteza sobre o futuro da gestão com a necessidade de estabilidade no calendário competitivo de 2026.

Neste contexto, o próximo momento decisivo será a publicação das condições concretas da consulta ao mercado: delas dependerá saber se o modelo favorece uma solução liderada por Cascais, um consórcio privado ou outra entidade, e em que medida o futuro concessionário assumirá os investimentos exigidos em segurança, ruído e modernização da infraestrutura.

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