Ricardo Santos Carvalho, ou “Pewee”, como era carinhosamente conhecido, iniciou a sua carreira no início da década de 70 no jornal “Motor”, dando assim corpo à sua inata paixão pelos automóveis. Assinou algumas notáveis reportagens – nomeadamente aquela que fez numa carrinha de assistência da Pirelli acompanhando o Rali de Portugal – e esteve nos mais diversos palcos, noticiando as mais diversas modalidades do automobilismo. “Sou de clínica geral”, costumava dizer.
Dele escreveu o meu pai, seu colega naquela “fornada” do “Motor” – “Podia ter sido o melhor jornalista português de automóveis “. Podia, mas não quis. O Pewee nunca foi de gabarolices nem de se pôr em bicos de pés. Aliás, o “nome de guerra” deve-se a uma inscrição que fez num rali (com um Mini, o que mais haveria de ser), para depois os amigos não apertarem com ele.
Apesar do seu talento natural, que aliava um conhecimento quase enciclopédico das quatro rodinhas com motor a uma escrita desempoeirada e divertida, Pewee preferiu viver a vida como uma aventura. “Um belo dia, peguei na viola e fui com uns amigos para o Algarve. Fiquei lá 15 anos como entertainer”.
Depois dessa “paragem nas boxes”, Pewee regressou às lides a todo o gás no início da década de 90 colaborando na imprensa da especialidade: “AutoSport”, “Volante”, “Jornal dos Clássicos”. “Turbo” e mais recentemente “Motor” e “Topos e Clássicos”. Foi também por esta época que descobriu uma nova paixão – a televisão.
Ficaram célebres as suas reportagens no “Rotações” e no “Máquinas” na RTP, e mais recentemente no “Super especial” da SIC Notícias, onde o seu lendário bom humor emprestava às suas peças um espírito único e inimitável. Era esse bom humor, a rara humildade (cada vez mais rara) e o companheirismo que faziam de Pewee um homem querido por todos.
“Adoro o cheirinho a borracha queimada pela manhã”, costumava dizer antes de ir com o seu bloquinho perguntar aos pilotos dos “Clássicos do seu contentamento” como tinham corrido os treinos.
Pode nunca ter conseguido fazer um “Minoso” a partir dos três Minis podres que coleccionava à sua porta, mas coleccionou amigos que dele podem dizer “Era bom homem e um bom amigo”.
Vamos sentir a tua falta Ti Pewee.
Rui Pelejão











