A ganhar músculo para as corridas

Por a 14 Julho 2011 09:56

Se há desafios aliciantes, participar numa corrida com Álvaro Parente e Gonçalo Gomes como adversários é um deles! Mas e se na corrida os ‘carros’ não tiverem rodas, volante, nem pedais? Hummm… talvez tivessemos hipóteses de vencer ou… nem por isso!

A ideia é vestir a pele de um piloto profissional e durante 90 minutos seguir-lhes todos os passos dentro de um ginásio, cumprindo um programa especializado de preparação física para pilotos ou, por outras palavras, substituir o volante por pesos, as rotações por pulsações e a adrenalina por valentes litros de suor testa abaixo! Sim, porque ser piloto obriga a estar em plena forma física e desenvolver um trabalho localizado e específico que um programa de ginásio ‘convencional’ não é capaz de oferecer. É por isso que Parente e Gomes recorreram a Nilton Bala, um conceituado personal trainer, que nos convidou experimentar a sua dura, mas eficaz metodologia.

Super-pilotos ou super-homens?

O plano de trabalho semanal (cinco sessões de 1h30m) do piloto da McLaren e do piloto do MINI Challenge inclui a realização de um circuito de manutenção específico (de oito voltas com 30s de descanso) onde cada um dos oito exercícios (de 40s cada) é pensado para desenvolver as áreas do corpo que, em determinada altura de uma corrida, são solicitadas. Desengane-se quem pensa que o objetivo é apenas reforçar a massa muscular ao nível dos braços, pernas e pescoço.

A resistência física e a concentração são também áreas de trabalho e de trabalho bem duro: “Procuramos fazer um trabalho global, não só ao nível da aeróbica, mas também trabalhando diversos grupos musculares para aumentar a sua resistência à pressão e fadiga, tanto nos membros superiores como inferiores”, começa por explicar Bala que apresenta no currículo uma certificação da MVF (Motricidade Voluntária Funcional).

O treinador brasileiro explica ainda que “concentramo-nos na parte posterior das costas, ombros, escápula e os músculos do pescoço cervicais e os vertebrais laterais, da mesma forma que também trabalhamos a coordenação motora (aceleração e desaceleração)”, numa metodologia muito específica pensada inicialmente pelo atual fisioterapeuta da seleção olímpica do Brasil e que, a posteriori, Nilton Bala adaptou para pilotos de alta competição. Como seguidor do método integrado ‘chegar ao cérebro pelo músculo e ao espírito pelo corpo’ do especialista Nuno Cobra, que preparou Ayrton Senna, Rubens Barrichello, Mika Hakkinen e Christian Fittipaldi, o atual responsável pela condição física de Parente e Gomes explica também que “os exercícios que planeámos para o Álvaro e o Gonçalo são variados para afastar a monotonia. Para além de fazer aquilo que chamamos de ‘circuito’, realizam também exercícios de contra-resistência ou seja, exercícios sem um padrão motor, mas sempre focalizados nas áreas que mais precisam desenvolver e muito trabalho de aeróbica”.

Sem dúvida, um método eficaz, carregado de ideias fortes e ações penosas, que o comum dos mortais não teria dificuldade em resumir numa t-shirt ensopada de suor, em dores musculares nos dois dias seguintes ou num ‘sorriso amarelo’ quando Gonçalo Gomes se atreveu a perguntar ironicamente se estaria preparado para repetir a experiência na semana seguinte, mas agora dando oito voltas ao ‘circuito’ (em vez de três) e com o ar condicionado desligado para simular o calor do habitáculo! A resposta “claro… claro… mas leva os aparelhos para perto da água!” saiu prontamente, sem disfarçar o olhar que já divagava pela praia mesmo ali à frente!

Resultados dentro do carro

Tanto Álvaro Parente como Gonçalo Gomes encaram a sua preparação física específica como ‘uma parte natural do trabalho de piloto profissional”. O piloto que este ano regressou à GP2, afirma que “nunca desisti em nenhuma corrida por fatores físicos, mas já senti que podia tirar 0,1s por volta se tivesse em melhor forma física pelo que já aprendi que este tipo de treino específico é muito importante para evoluirmos os nossos pontos fracos”. No caso de Parente que também pratica surf, futebol e ténis, as exigências de pilotar monolugares são maiores, mas o piloto considera que “atualmente e com este treino já consegui recuperar a plena forma física”.

Já para o piloto que há três anos participa no MINI Challenge, a aposta na nova metodologia também já surtiu efeito pois, como constata, “ajudou-me muito a ter rigor no exercício e a melhorar os pontos mais vulneráveis e, com isso, já noto resultados dentro do carro, ao nível da resistência física e concentração que, por sua vez, se refletem em termos psicológicos, ajudando a manter um ritmo mais elevado”.

Resta saber se o instinto competitivo, inerente a todos os pilotos profissionais e a que Parente e Gomes estão também aprisionados, fica à porta do ginásio ou entra! Gonçalo Gomes nem hesita na resposta: “se ele faz 10 flexões eu tenho que fazer 11! Mas essa competitividade ajuda-nos a evoluir ainda mais”.  

Filipe Pinto Mesquita

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