» Textos: Guilherme Ribeiro

» Fotos: FOTO John Millar_Fickr

 

Vitórias Improváveis na F1: Jody Scheckter, Argentina 1977


A competição não vive só do domínio e da luta entre as grandes equipas pela vitória e pelos campeonatos. As lutas por categorias intermédias ou no meio do pelotão apaixonam muita gente, e no meio dessas contendas, descobrem-se grandes talentos que poderão, um dia, ascender ao Olimpo do desporto motorizado. Isto é transversal a todas as disciplinas do desporto automóvel. No caso da Fórmula 1, nunca faltaram vencedores inesperados. Aqui fica uma dessas histórias.

Naqueles tempos, era mais fácil os resultados finais apresentarem algumas surpresas, não só pela grande quantidade de equipas existentes, mas também pela fiabilidade dos carros ser muito menor da que se verifica hoje em dia. Além disso, aparte a Ferrari, Brabham-Alfa Romeo, Ligier-Matra e a decadente BRM, todas as equipas usavam motores Cosworth DFV, o que conferia um equilíbrio muito interessante ao pelotão da F1. O chassis e a preparação do motor, aliado às possibilidades económicas da equipa e à qualidade dos pilotos, eram o fator primordial. Quando o milionário canadiano de origem austro-jugoslava Walter Wolf decidiu investir na Fórmula 1, em 1976, optou por se juntar a um nome já estabelecido, um tal de Frank Williams que, entre carros de construção própria ou usando chassis de outra marca, tentava manter à tona uma equipa desde 1969, com mais baixos do que altos. No entanto, para 1976, a equipa tinha-se limitado a comprar a falida Hesketh, que tanto havia brilhado com James Hunt, e a modificar e renomear os chassis do 308C. Claro está que os resultados foram maus, principalmente para uma equipa que tinha como pilotos Jacky Ickx, vindo da Lotus, e o promissor francês Michel Leclerc. No final do ano, Walter Wolf, acionista maioritário, decidiu reestrutura a equipa e comprou os 40% restantes, dispensando Frank Williams. A equipa, renomeada Wolf Racing, contaria com os serviços do team manager Peter Warr (ex-Lotus) e do projetista Harvey Postlethwaite (ex-Hesketh), que já estava a trabalhar com a equipa em 1976. Focando-se num único carro, Wolf conseguiu atrair um dos melhores pilotos do momento, Jody Scheckter, que se tinha destacado com a equipa de Ken Tyrrell. E, para espanto de todos os seguidores da Fórmula 1, Scheckter aproveitou-se de um carro bem desenhado e de uma corrida muito atribulada para estar sempre nos primeiros lugares e, quando Carlos Pace começou a sofrer com o calor e os vapores da gasolina que emanavam para o cockpit a seis voltas do fim, ultrapassá-lo e conseguir uma magnífica vitória, logo na estreia do novo monolugar. Podia ter sido apenas “fogo de vista”, mas o Wolf era um carro bem-nascido e o sul-africano conseguiria vencer mais duas provas até ao final do ano e ser vice-campeão, tendo sido, juntamente com Mario Andretti e o revolucionário Lotus 78, um dos poucos que desafiou, até meio da época, a caminhada para o título de Niki Lauda.