A Liberty Media está a tentar encontrar formas de permitir que as equipas possam ter condições para participar em mais Grandes Prémios sem exigir em demasia das suas estruturas.
Num passado recente os responsáveis pela F1 tinha a tendência em adicionar datas ao calendário sem consultar as equipas e estas obviamente entravam logo em modo reclamação pois cada nova corrida implica novos desafios logísticos bem como novos gastos. O número de Grandes Prémios tem aumentado ao longo dos anos e se em 1950 a época teve apenas 7 corridas, em 1958 passou a ter 11, embora a média de GP nos anos 60 fosse de 10 por época.
Nos anos 70 o número de corridas por ano subiu à com a popularidade do desporto, tendo chegado a um máximo de 17 provas, embora 15 fosse a média dessa altura. Nos anos 80 o número de provas estabilizou e foram várias as épocas com 16 corridas, algo que se manteve nos anos 90. A partir de 2004 as épocas foram crescendo até chegarmos a 2016 onde o recorde foi batido com 21 corridas num ano.
Pode pensar-se que mais é melhor, mas isso está longe da realidade. A F1 é feita por seres humanos, por muito que as vezes custe acreditar, e se para os pilotos a tarefa é relativamente simples, para os restantes elementos das equipas, a vida antes durante e depois de um GP não tem o glamour que a TV passa. Há uma peça sobre a vida dos mecânicos de F1 e o ritmo de trabalho a que se sujeitam não é aconselhável a ninguém. Se multiplicarmos isso pelo número de provas por ano, temos pessoas que passam a maior parte do tempo fora de casa, enclausurados em pistas e com pouco tempo para sequer comer.
E depois há os custos. O Grande Circo é grande por algum motivo e a logística necessária para levar o material de um lado para o outro é considerável em tamanho e em preço. E depois há os extras que são os transportes de peças novas que tem de vir das sedes das equipas para as pistas. Aumentar o número de provas pode prejudicar as equipas mais pequenas e diminuir a qualidade das corridas.
Por tudo isso as equipas torcem o nariz a épocas com mais de 20 GP. Mas a F1 é um produto global e para isso tem de chegar aos quatro cantos do mundo e a Liberty Media quer tentar isso, de forma sustentada.
Ross Brawn afirmou que o plano passa por aumentar o número de corridas para 25/ano, mas compensando as equipas com a eliminação das sexta-feiras de treinos livres. Passaríamos a ter apenas dois dias de prova para que as 25 corridas sejam possíveis logisticamente. O problema desta decisão é que se está a retirar tempo em pista. Os treinos livres já permitem ver carros a rodar, algo que os promotores das provas querem (exigem) para poder atrair mais pessoas e assim receber mais dinheiro.
Se a sexta-feira ‘cair’ Brawn acredita que as equipas estarão mais recetivas em aumentar o calendário, mas ao fazer isso os promotores ficarão a perder, sendo que alguns pretendem um formato de quatro dias de provas, a começar na quinta-feira com categorias de suporte. Esta decisão iria contra a tendência e a vontade de quem paga para ter a F1.
É este um dos dilemas que a Liberty enfrenta. Se por um lado a sexta é facilmente dispensável por parte das equipas, por outro as TV e os promotores irão perder tempo de antena muito valioso. Uma coisa parece certa, Brawn não está interessado em mudar o formato da corrida e pretende manter o domingo como está, afastando assim o fantasma de duas corridas mais curtas que chegou a ser falado no ano passado.
Os adeptos terão por certo uma palavra a dizer. Será que se a sexta desaparecer os fãs vão sentir saudades? Vale a pena aumentar o número de corridas por ano? Vale a pena perder tempo em pista para encontrar a melhor afinação ou permitir que jovens tenham o primeiro contacto com os monolugares para poder ir a outras paragens? Será que a sexta pode ser usada como era no passado, com uma sessão de pré-qualificação e assim reacender o interesse pelo primeiro dia de prova? O primeiro instinto será dizer não, mas se nessas novas seis provas que surjam graças à medida, aparece um circuito de que gostamos e que há muito está fora do calendário? Aí o caso muda de figura. Mais uma vez os adeptos devem ter uma palavra a dizer. A caixa de comentários pode ser um bom inicio para trocar impressões… afinal estamos aqui todos pelo mesmo.
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