Muito se fala hoje em dia do facto da Fórmula 1 estar a perder adeptos e audiências televisivas, algo que muitos têm esperanças de ver revertido com a chegada da Liberty Media à F1. Isso não vai suceder para já, e para perceber um pouco melhor toda a envolvência, há que recuar um pouco no tempo. Como se sabe, a Mercedes acertou na ‘mouche’ com as novas regras das unidades motrizes híbridas e distanciou-se fortemente da concorrência, sendo essa a primeira razão pela qual a F1 perde adeptos, pois se os mais aficionados percebem o que se está a passar, sempre houve anos de domínio de equipas/marcas na história da F1, a verdade é que os que querem é ver grandes corridas e muitas disputas afastaram-se porque veem sempre os mesmos na frente. Por isso acaba por ser natural ter visto muita gente ansiosa por discutir as novas regras e mudanças ao atual formato da Fórmula 1. Mas Toto Wolff explica tudo na perfeição:
“Eu não penso que seja assim tão difícil chegar a decisões na F1. Toda a gente que está na mesa e voto na matéria tem diferentes visões sobre as regras e é justo que haja um processo democrático em que todos expressam a sua opinião. Mas há uma coisa em que a maior parte das equipas se sente unida nas opiniões que partilham: os motores. E não é porque a Mercedes ou a Ferrari ou os seus clientes acreditam ter uma vantagem competitiva, também a Renault e a Honda partilham esta visão. É que há três anos, a FIA, o Bernie Ecclestone e as equipas decidiram investir em novas regras. Num motor híbrido V6 turbo. Fomos nessa direção. E tu não podes matar os regulamentos apenas porque não gostas deles. Nós precisamos de proteger o nosso investimento, mas o que passou cá para fora foi que “nós controlamos o desporto”. É um absurdo. Estamos apenas a proteger um investimento” começou por dizer Toto Wolff que dá a sua visão relativa à perda de adeptos na F1: “Não acreditamos que seja a principal razão. Mas penso que devemos discutir se os motores são suficientemente ruidosos. Isso também é justo. No entanto, acredito que o processo é bastante robusto, e que esta história dos construtores de motores terem todo o poder é apenas uma coisa que está a ser assinalada. É muito fácil apontar para apenas um alvo e responsabilizá-lo por isso. Existem muitas razões para a F1 estar a perder audiências: temos um processo de decisão errático, em termos de regulamentos estamos a depararmos-nos com um ambiente informativo totalmente distinto, em que o conteúdo digital, e as redes sociais, estão a ser muitos mais acolhidas pelas gerações mais novas, e penso que estamos a ter um problema com a televisão e com os média tradicionais, a imprensa e a televisão. Depois, estar sentado às 13h à frente de uma televisão num domingo à tarde, no verão, é o horário correto? Não acredito que seja. E depois obviamente se uma equipa é dominante e não existe muita ação em pista isso também não ajuda. Portanto, eu poderia nomear 20 ou mais razões para que a Fórmula 1 e muitos outros desportos e conteúdos tenham hoje um problema”
Mas será que o Toto Wolff adepto do desporto automóvel, o antigo piloto, pensa que a Mercedes deveria ganhar menos para atrair mais pessoas? “Sim. Mas não sei como mudar isso. Penso que deveriam de haver mais luta em pista, mais equipas capazes de vencer corridas. O ‘underdog’ capaz de vencer a prova ocasional ou de conseguir o resultado impossível. Acredito que isso seria muito bom para o desporto. Mas não tenho a solução neste momento, até porque estou a pensar na “estrela” enquanto digo isto”, concluiu.










