Q&A com Laurent Mekies: “A Red Bull não é uma equipa que goste de desistir…”
À entrada para o fim de semana decisivo que pode coroar Max Verstappen como pentacampeão ou confirmar o título da McLaren, Laurent Mekies, Chefe de Equipa da Red Bull, exibe uma confiança serena.
Nesta conferência de imprensa, o responsável destaca a “reviravolta histórica” da equipa na segunda metade de 2025, o estado de espírito “incrivelmente relaxado” de Verstappen perante a desvantagem pontual e explica as decisões de futuro sobre Isack Hadjar e Yuki Tsunoda.
Tivemos o Max na conferência de imprensa ontem. Ele pareceu incrivelmente relaxado. É isso que também está a ver?
Laurent Mekies: “Ele está incrivelmente relaxado. Não há ali qualquer fingimento. Honestamente, ele tem estado assim… Pelo pouco que vi dele na segunda parte do ano, ele tem estado assim nos maus momentos e nos momentos positivos. Ele está a abraçar muito a abordagem que temos. Encaramos isto corrida a corrida. Nunca olhámos propriamente para os pontos do campeonato.
Sentimos sempre que vamos para uma corrida, tentamos colocar o carro na janela certa [de funcionamento], o que já é bastante difícil, e na segunda parte do ano, se o fizéssemos, significava que teríamos uma hipótese de lutar pela vitória.
E depois, no domingo à noite, olhamo-nos nos olhos e sabemos se estamos a fazer um bom trabalho ou não. E os pontos são apenas a consequência. E creio que essa abordagem deu, tanto ao Max como à equipa, a confiança para se focarem nas coisas certas e não sentirem pressão, mas sim o privilégio de estar numa luta histórica, numa recuperação histórica.”
Como estão a abordar o fim de semana?
LM: “Exatamente da mesma forma, na verdade. Tentamos colocar o carro na janela certa. Não conseguimos isso facilmente em nenhuma pista. O Qatar foi particularmente difícil. Vegas também não foi fácil. Se o fizermos, não significa que o Max fará a pole, ou que vencerá a corrida, mas significa que estará perto o suficiente destes rapazes para lutar por ela. E, nesse momento, o que acontece atrás dele não está sob o nosso controlo. Por isso, não pensamos nisso.”
Se o Max conseguir vencer, terá sido esta a sua melhor temporada?
LM: “São vocês que cá estão para julgar o quão histórica é uma temporada em comparação com as outras. Acho que, quer o Max ganhe ou não, é provavelmente justo dizer que o mundo descobriu um Max ainda mais extraordinário esta época, após o seu quarto título mundial. Um pouco devido à magnitude da recuperação. Um pouco porque, como dizem, ele tem estado tão relaxado, tão bem integrado na equipa. A abraçar tanto esse desafio com o espírito certo. Um pouco também porque o vimos a correr noutros lados. Acho que ocupou um pouco do nosso coração quando o vimos a passar os fins de semana livres a ser um novo pai, a correr com carros de GT pelo mundo fora. E não sei, cabe-vos a vocês dizer se, nesse caso, este se tornará o melhor dos seus títulos. Mas, certamente, em termos do que quer que aconteça a seguir, a escala da recuperação é algo que, esperamos, entrará em alguns livros de história.”
Podemos mudar de assunto e falar sobre o Isack Hadjar? Anunciaram-no como colega de equipa do Max para 2026 há alguns dias. Quais são as suas expectativas em relação a ele?
LM: “O Isack teve uma primeira temporada inacreditável. Não há dúvida de que, em termos de ponto de partida — ou seja, onde ele começou em janeiro —, o ponto de partida foi notável. Depois, acreditamos muito não só no talento bruto, mas também na capacidade de os pilotos se desenvolverem. Vimos tantos campeões a evoluir ao longo dos anos, a fazer coisas que não tinham feito no carro algumas corridas antes. Vimos isso com o Isack este ano também. Vimo-lo a fazer coisas no carro que não fazia três corridas antes. Portanto, para responder à sua pergunta, esperamos — gostaríamos que ele continuasse nesse caminho. Não vemos isto como um ponto de chegada. Vemos como um novo começo para ele continuar a desenvolver-se, continuar a impressionar-nos, continuar a surpreender-nos. E esperar-se-á isso no segundo ano. Esperar-se-á isso no terceiro ano, talvez no quarto. Portanto, essa é um pouco a nossa jornada juntos.”
O Zak Brown comparou o Max a um vilão num filme de terror que continua a voltar vezes sem conta. Ter alguém que é tão potente e não falha um passo, acha que isso é uma vantagem psicológica que ele tem para este fim de semana?
LM: “Não tenho a certeza sobre o filme de terror, mas isso foi uma boa ‘imagem’! Este rapaz nunca erra, sabe. O Max simplesmente nunca comete um erro. Digo isto porque ele continua a surpreender-nos todos os dias. Colocamo-lo lá fora, às vezes o carro está ótimo, às vezes está um pouco menos bom, algo que esperaríamos que fosse melhor, e ele não falha um arranque, não falha na gestão dos pneus, não falha uma ultrapassagem. Ele é simplesmente assim. É verdade que dá muita confiança a toda a equipa.
É verdade que se enquadra tão bem na abordagem geral que esta equipa tem sobre como correr — assumir o risco máximo, aceitar a dor quando o risco ultrapassa o limite.
Se pensarem nas 2000 pessoas em Milton Keynes que têm feito a magia na sombra, a tentar trazer aquele carro de volta à vida na segunda parte do ano — obviamente, isso cria uma grande ligação e, sim, dá uma grande confiança.”
Existe alguma situação que possa imaginar onde o Yuki possa desempenhar um papel na luta pelo campeonato para ajudar o Max?
LM: Acho que é bastante refrescante ver que nem sequer estamos a discutir se vamos correr de forma limpa ou não. É um dado adquirido que os rapazes vão correr de forma limpa. Precisamos de um Yuki forte para colocar o maior número possível de carros entre o Max e o resto do grupo, se formos fortes o suficiente para liderar com o Max? Sim. Portanto, precisamos de um Yuki forte. Precisamos de uma Mercedes forte. Precisamos de uma Ferrari forte. Precisamos de tudo forte. Mas, como disse o Zak, vai ser, tenho a certeza, uma luta fantástica, e vai manter-nos a todos bem acordados até à última volta.”
Refletindo apenas sobre a temporada de 2025 — desde que assumiu o cargo de Chefe de Equipa, a Red Bull tem estado numa recuperação mais forte e o Max está novamente a lutar pelo título. Na sua opinião, quais foram os elementos-chave que faltavam antes, e o que impulsionou esta melhoria notável de desempenho?
LM: O crédito pela reviravolta — a espetacular reviravolta de forma — é muito simples. Deve-se às 2000 pessoas que nunca se veem lá em Milton Keynes, que simplesmente não quiseram desistir. Não importou o quão difícil foi a primeira parte da temporada, o quão difíceis foram as mudanças feitas a meio da temporada para eles digerirem — não importou. Eles simplesmente não quiseram desistir. Foi isso que conseguiram alcançar — uma reviravolta histórica. Eles são os homens e mulheres por detrás do facto de tudo ter começado a encaixar. Desbloquearam um pouco de desempenho, e um pouco mais de desempenho levou a ainda mais risco. Caímos algumas vezes. Tenho a certeza de que se lembram de Budapeste. Tenho a certeza de que se lembram da qualificação no Brasil. Não se assume riscos de graça. Nada é de graça. Assume-se o risco, cai-se, levanta-se, e adora-se a forma como vamos correr todos juntos. E todos estão no mesmo barco. O Max está no mesmo barco, as 2000 pessoas estão no mesmo barco, os nossos acionistas estão no mesmo barco. É aí que está o segredo — um grupo unido que simplesmente não quer desistir.
Mencionou algumas vezes que o Max está bastante relaxado à entrada para este fim de semana. Retirando o lado da experiência disto — de onde acha que isso vem, e porque acha que é assim? LM: Difícil falar por ele, mas deixe-me colocar desta forma. Aconteça o que acontecer nestes próximos três dias, a reviravolta foi sensacional. Acho que a equipa deve orgulhar-se disso. O Max deve ter um enorme orgulho nisso. Portanto, acho que esse é o primeiro ponto. O segundo ponto é, como o Jonathan e o Zak mencionaram, todos nós trabalhamos toda a nossa vida — e isso aplica-se também aos pilotos — para estarmos envolvidos neste tipo de momento, onde a intensidade está nas alturas, a pressão está nas alturas. Mas é para isso que realmente aqui estamos — para estar nessa luta. Portanto, acho que se combinarmos isso com a experiência, e o facto de que mesmo agora, mesmo com uma reviravolta sensacional, ainda se chega à última corrida com um défice de 12 pontos — ganhar não é suficiente. O principal adversário precisa de ficar fora do pódio para nós. Portanto, ainda é muito remoto. A combinação de tudo isso e a abordagem com que vamos para as corridas — concentrar nesta corrida, colocar o carro na janela certa — faz com que estejamos todos a tentar desfrutar mais do que pensar na pressão.
Deve ter sido uma decisão muito difícil deixar o Yuki ir. Teve muitos elogios para ele esta temporada, e trabalhou com ele na VCARB, onde também apreciou o seu trabalho e contribuição. O que espera dele em 2026? Qual é a sua nova missão? E acha que há um caminho de volta à Fórmula 1 para ele?
LM: “Então, primeiro — sim, tem razão. Foi uma decisão muito difícil de tomar. O segundo lugar na Red Bull Racing não é fácil. Temos um carro difícil de pilotar. E, claro, tentámos tudo o que podíamos para apoiar o Yuki.
A certa altura, tivemos de tomar a difícil decisão entre onde víamos as coisas para os anos seguintes.
Espero, e penso, que o Yuki terá outra oportunidade. Ele será piloto de reserva connosco no próximo ano.
Nunca se sabe o que vai acontecer. Temos sido bastante famosos por tomar decisões rápidas sobre pilotos no passado. Recordo-me de um momento — no final da temporada de 2024, o Yuki estava a pilotar muito bem.
Foi muito difícil para ele digerir. O Liam estava a receber a promoção na Red Bull Racing.
Ele foi para o inverno a pensar se algum dia teria a oportunidade ou não. Voltou, e definimos com a equipa na altura o objetivo de maximizar tudo — apontar para as estrelas.
Três corridas depois, ele estava a pilotar na Red Bull Racing. Portanto, nunca se sabe o que o futuro reserva.
Tenho a certeza de que todos nesta sala e fora dela já passaram por contratempos — por vezes contratempos duros. Isso é um contratempo para ele. Mas estou confiante de que ele tem muito dentro dele que lhe permitirá ter outra oportunidade.”
A Red Bull foi uma das equipas que mais desenvolveu esta temporada. Foi porque sempre acreditaram na possibilidade de apanhar a McLaren, ou houve outras razões por detrás disso?
LM: “Acho que foi uma combinação de fatores. Primeiro, como dissemos antes, não é uma equipa que goste de desistir. O segundo aspeto é que não havia onde se esconder. O carro de 2025 não tinha começado a um nível suficientemente bom para nos permitir lutar pelo título.
Teria sido provavelmente uma ilusão [wishful thinking] nessa fase simplesmente virar a página e esperar por um melhor resultado em 26. Portanto, decidimos continuar a desenvolver — um pouco porque não desistimos, um pouco porque queríamos algumas respostas, porque sim, os regulamentos vão mudar drasticamente, mas fundamentalmente teremos as mesmas pessoas a usar as mesmas ferramentas, a mesma análise, os mesmos indicadores [KPIs] para saber como desenvolver um carro rápido.
Portanto, queríamos chegar ao fundo do que tinha limitado o projeto deste ano. Claro que, ao fazê-lo, perde-se tempo de desenvolvimento para 2026, mas sentimos que era o investimento certo a fazer.”
FOTO Red Bull ContentPool/Getty Images
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