A corrida que teve lugar no fantástico circuito de Marina Bay no passado domingo trouxe uma nova dinâmica ao campeonato, com Nico Rosberg a superar o companheiro de equipa e atual tricampeão do mundo Lewis Hamilton no comando da tabela classificativa. Não é a primeira vez que o alemão ocupa essa posição: chegou a dispor de 43 pontos de vantagem até o #44 quebrar esse ímpeto de forma impiedosa, com Lewis a aproveitar o seu superior andamento em provas como o Grande Prémio da Grã-Bretanha e Hungria, e os erros cometidos por Rosberg na Áustria ou Alemanha, para transformar um aparente pesadelo num avanço de 16 pontos.
Hamilton tinha conseguido dar a volta ao cenário antes da pausa de verão, indo tranquilamente de férias. Só que Nico Rosberg veio mais determinado do que nunca, somando três triunfos consecutivos desde o retomar do campeonato: 75 pontos contra os 51 amealhados pelo inglês, para um total de 273 contra 265.
Olhando apenas a triunfos, o alemão está também na dianteira: igualados em número de pole-positions (7), Singapura foi também a corrida em que se distanciou neste registo, contando agora com oito vitórias, contra as seis de Hamilton.
ROSBERG MAIS FORTE
O equilíbrio do campeonato e ‘descolagem’ de Rosberg poderá sempre ser atribuída ao péssimo início de campeonato de Lewis Hamilton, afetado por problemas mecânicos nas primeiras corridas de 2016. Mas também é verdade que o campeão do mundo não tem conseguido maximizar todas as suas opções, vencendo apenas três das sete corridas em que partiu da pole-position. Já Rosberg tem um aproveitamento de 71,4%, marcando o máximo de pontos à sua disposição em cinco das sete vezes que largou do primeiro lugar da grelha.
As estatísticas valem o que valem, mas não enganam. E há outro fator curioso sobre Singapura que pode indicar que este será mesmo o ano do filho de Keke Rosberg: desde 2008, apenas campeões do mundo venceram no traçado asiático – Sebastian Vettel, por quatro vezes, Lewis Hamilton, por duas vezes, e Fernando Alonso, por duas vezes. A excepção é mesmo o alemão, (muito) a tempo de entrar nestas contas no final do ano, até porque na história da Fórmula 1 nunca houve um piloto que não se tenha sagrado campeão depois de vencer oito Grandes Prémios.
2016 representa ainda o melhor ano de Rosberg na Fórmula 1 e o melhor desde que tem Lewis Hamilton como companheiro de equipa: em 2014, o inglês foi campeão com 11 triunfos, contra 5 do germânico, e em 2015 com 10 vitórias, contra as 6 de Rosberg. Se olharmos apenas para o ponto em que se encontravam até o Grande Prémio de Singapura, vemos um registo de 7-4 (2014) e de 7-2 (2015) a favor do britânico. Não há dúvida de que o cenário é outro, e que efetivamente, como Lewis Hamilton disse no final da corrida, a luta entre ambos nunca esteve assim, com pendor para o alemão, neste ponto da temporada. Será que Rosberg irá continuar neste momento de forma ou poderá Lewis Hamilton dar a volta ao resultado nas seis corridas que faltam?
Olhando novamente para o passado, vemos que, em 2015, o inglês venceu no Japão, Rússia e EUA, enquanto o alemão fê-lo no México, Brasil e Abu Dhabi. Se a tendência se mantiver, 2016 será mesmo o ano do nº 6 da Mercedes.
André Bettencourt Rodrigues










