Carlos Sainz veio a público dizer que é uma pena que um piloto que luta pelo 15º lugar todos os fins-de-semana, de repente, quando o colocam num carro vencedor, esteja a 20 milésimos da pole, alegando que isto demonstra o que falta à F1 e que teríamos um espetáculo muito melhor se pudéssemos nivelar um pouco mais as performances e permitir que o piloto faça mais a diferença.
Tem razão. Mas a única coisa que deve lamentar é que a Fórmula 1 não tenha pensado mais cedo em formas de equilibrar o plantel através das regras. O facto da F1 ser hoje em dia ainda tão desequilibrada deve-se única e exclusivamente ao facto da Mercedes ter olhado para a era híbrida que se avizinhava em 2014 de uma forma muito mais eficiente do que as suas adversárias que basicamente foram apanhadas todas a dormir.
Não é normal na F1 que as equipas adversárias não tenham olhado para o que foi a transformação da Mercedes como equipa de 2012 para 2013, independentemente da saída de Michael Schumacher e a entrada de Lewis Hamilton para o lado de Nico Rosberg.
Claro que ninguém imaginaria o salto competitivo que deram para 2014, mas a Mercedes não fez só isso. Cavou um fosso que ainda hoje os adversários procuram reduzir, sem grande sucesso. A Ferrari esteve quase a consegui-lo em 2018, mas alguns azares e depois más escolhas (que redundaram no super motor de 2019, o tal que perderam depois da intervenção da FIA) eis que chegamos a um ponto em que só podemos esperar pelas novas regras para que possamos ter equilíbrio. Porque são poucas as vezes que a Mercedes erra, como sucedeu no GP de Sakhir de F1. Claro que nenhum piloto pode fazer a diferença que hoje em dia separa a Mercedes das outras equipas mas isso não é culpa dos homens de Brackley. Ainda por cima quando lá têm um dos melhores, isto para não dizer o melhor.
Sou de opinião que foram tomadas as medidas certas, com o teto orçamental e as regras que vão permitir aos monolugares de Fórmula 1 rodarem bem mais próximos uns dos outros. Há muito que quem gere a F1 devia ter intervindo, dado um murro na mesa, e percebido que a F1, para lá de tecnologicamente ser a disciplina mais destacada, os seus responsáveis nunca deveriam ter permitido que o espetáculo caísse.
Percebo que o ‘fine-tuning’ da aerodinâmica da F1 é muito bonita de se ver, mas apela a muito poucos quando comparada com os muitos que se desiludem por não ver ainda mais corridas interessantes.
Esta corrida do GP de Sakhir é um bom exemplo do que seria uma F1 em que as diferenças entre as equipas não fossem tão acentuadas, e não falo de todo o plantel porque isso é utópico.
Não é preciso recuar ao século passado para encontrar oito pilotos distintos a vencer corridas (2003, 2012), seis em 2009, cinco em 2010, e verdade seja dita, apesar de tudo, nos últimos três anos, cinco pilotos diferentes venceram corridas. E este ano esse número ainda pode aumentar para seis. Não me esqueço também daquela sequência fantástica de oito vencedores diferentes de corridas entre os GP da Austrália e Canadá de 2012.
Portanto, não estamos aqui a dizer que “antes é que era bom”, porque isso é o copo meio vazio. O que estamos é dizer que o copo podia estar cheio, ou quase, podia ser bem melhor. Já tivemos várias corridas super entusiasmantes este ano, por exemplo Monza ou esta última de Sakhir, por isso imaginamos até onde poderia ir a Fórmula 1 caso pudesse ter uma percentagem bem maior de super corridas durante uma época…










