O último grande escândalo na F1 (fora das pistas) foi há 15 anos: Max Mosley
Numa altura em que o escândalo que envolve Christian Horner “atinge máximos históricos”, recordamos outro escândalo que sucedeu, já lá vão 15, quase 16 anos. Quando Max Mosley se viu envolvido em escândalo sexual, numa notícia dada à estampa pelo tabloide News of the World, que mais tarde acabou por ser processado por Mosley, entretanto falecido, com o antigo presidente da FIA a ganhar o caso em tribunal, (Mosley v News Group Newspapers) contra o jornal News of the World, que tinha noticiado o seu envolvimento naquilo que diziam ser um ato sexual de temática nazi envolvendo cinco mulheres, com o argumento de que tinha violado a sua privacidade.
É óbvio que neste caso de Christian Horner, apesar dos rumores, não se sabe se tem a ver com questões sexuais, não há informação pública credível que o corrobore, mas em termos de escândalos não relativos à F1 como desporto, este caso de Max Mosley foi um dos que mais agitou as águas na altura, até porque Max Mosley era presidente da FIA.
Recordamos a 1ª informação: “Na sua edição de hoje o tablóide britânico News of the World faz manchete com um alegado escândalo sexual que poderá envolver o Presidente da FIA, Max Mosley. Segundo o jornal, que documenta a notícia com diversas fotos e com um vídeo, Max Mosley ter-se-á envolvido em práticas sadomasoquistas num denominado “dungeon” (masmorra), localizado num apartamento em Londres.
Impressionante é o facto de, numa passagem do vídeo, ser possível assistir a uma cena protagonizada por uma prostituta vestida com um uniforme nazi e, alegadamente, com Max Mosley.
Recorde-se que o atual Presidente da FIA é filho de Sir Oswald Mosley, fundador do British Union of Fascists em 1932 e que esteve internado com a sua mulher durante a II Guerra Mundial devido às suas muitas simpatias com o regime de Adolf Hitler.”
Muitos avanços e recuos depois, quando o Supremo Tribunal recusou uma tentativa legal de Mosley para eliminar o vídeo extraído do site do News of the World e em que o Presidente da FIA estaria a praticar alegados actos sexuais, com matizes racistas, alegando que o conteúdo do referido vídeo era tão popular que Mosley dificilmente esperaria afastá-lo do domínio público.
Em consequência desta decisão, o vídeo, que tinha sido retirado do site daquele tablóide inglês, ficou de novo disponível, para grande “alegria” dos detratores e inimigos de Max Mosley. E que são, verdade seja dita, eram muitos…
Na altura, o Presidente da FIA manteve-se irredutível ao afastar-se da direção daquele órgão federativo, ignorando todas as pressões, oriundas dos mais diversos sectores ligados ao desporto e indústria automóvel.
Mas finalmente, o britânico assumiu o escândalo e pediu desculpas
Dois dias depois de ser conhecido publicamente o escândalo sexual onde esteve envolvido, Max Mosley, Presidente da FIA, reagiu em carta às entidades federativas de todos os países afiliados à FIA. O britânico não negou a sua participação na alegada orgia com cinco prostitutas, mas também não abriu mão do seu lugar na Federação Internacional do Automóvel.
Na verdade, Mosley referiu que recebeu grande apoio por parte de pessoas ligadas à FIA e ao mundo automobilístico em geral, estando preocupado agora em reparar os danos causados à sua família.
A carta enviada pelo britânico era esclarecedora:
“Após ter tomado conhecimento de informações de uma fonte segura da polícia britânica e dos serviços secretos, soube que nas duas última semanas ou mais, uma investigação secreta sobre a minha vida foi levada a cabo por um grupo especializado, por razões e clientes ainda desconhecidos. Recebi igualmente informações de origem francesa que atestam esta explicação, ainda que de fontes menos fiáveis”
“Infelizmente, todos já têm conhecimento dos resultados desta investigação secreta e lamento que este episódio vos tenha causado embaraço. Não contentes em publicar atividades pessoais e do foro privado, que são, no mínimo, embaraçosas, um tabloide britânico publicou afirmações que me conotam com ideologias nacionais-socialistas. Isto é inteiramente falso”
“Na maioria dos países, é contra a lei publicar detalhes da vida pessoa de alguém sem um aparente motivo. A reportagem do “News of the World” é uma devassa à minha vida privada e pretendo tomar medidas legais contra este jornal do Reino Unido”.
“Recebi um grande número de mensagens de apoio de membros da FIA e de pessoas ligadas ao automobilismo em geral, indicando que a minha vida particular não é relevante para o trabalho que desenvolvo, devendo continuar a desempenhar o meu cargo. Estou grato e, com este apoio, e pretendo seguir as suas indicações”
“Vou agora dedicar algum tempo pelos responsáveis que levaram este episódio ao domínio público, mas acima de tudo, preciso de reparar os danos causados à minha família, inocente e insuspeita neste deliberado e calculado ataque pessoal.
“Podem no entanto ter a certeza que não vou permitir que isto impeça o meu compromisso com a FIA”
Tanto o Spygate (McLaren, 2007), um escândalo envolvendo espionagem e fraude tecnológica com o objetivo de obter informações confidenciais do adversário. O caso levou à suspensão de pontos e multa à McLaren e o Crashgate (Renault, 2008), uma operação planeada pela Renault para que um acidente auto-provocado de Nelson Piquet Jr beneficiasse Fernando Alonso na corrida, o que sucedeu, foram escândalos diretamente ligados à parte desportiva o que não sucede agora com Christian Horner.




