O que o Autosport disse de Fernando Alonso no seu ano de estreia na F1


Fernando Alonso não marcou qualquer ponto e só por uma vez terminou nos dez primeiros, no seu ano de estreia na F1, em 2001, mas o AutoSport colocou-o de imediato no top 10 de pilotos do ano. Na altura, Luis Vasconcelos escreveu “um lugar nesta classificação pode parecer excessivo, mas ou muito nos enganamos ou Alonso vai ser uma presença permanente neste top 10 quando passar a dispor dum carro minimamente competitivo. Ao longo do ano, Alonso carregou aos ombros uma equipa Minardi que procurava encontrar-se, depois de ter mudado de proprietário e estrutura, mas que sofreu um rude golpe com a perda de Gustav Brunner muito cedo”.

“Se para o telespectador Alonso foi um piloto que só apareceu quando era dobrado pelos primeiros, quem pôde observar na pista o seu andamento só tem os maiores elogios para o jovem espanhol, verdadeiramente espantoso no controlo que tem sobre o seu carro. Mesmo com um chassis que deixou de evoluir muito cedo e dispondo do pior motor do plantel, Alonso conseguiu performances assinaláveis, como em Indianapolis quando se qualificou à frente de Villeneuve. Nas corridas Alonso foi evoluindo ao longo do ano, acabando por conseguir efetuar os 300 quilómetros dum Grande Prémio sempre a fundo e sem cometer erros, coisa que só está ao alcance dos pilotos que são, de facto, especiais. Será uma pena que Alonso pare de correr em 2002, mas espera-se que quando voltar aos Grande Prémios o espanhol tenha carro para andar nos lugares da frente, porque o talento e a maturidade estão lá”.
Pontos altos: Espanha, E. U. A. e Japão
Pontos baixos: S. Marino, Áustria e Hungria

Pouco depois, ficou a saber-se que Fernando Alonso passaria a ser o terceiro piloto da Renault em 2002, depois da equipa de Enstone ter decidido que necessitava dum piloto de reserva capaz de colocar Jenson Button sob pressão, pois as performances do jovem inglês este ano foram extremamente desapontadoras. O piloto espanhol, que efetuou algumas exibições fabulosas ao volante dos pouco competitivos Minardi-European, está sob contrato com a marca francesa por um largo período de tempo e não tem qualquer poder de escolha sobre o seu futuro.

Em Suzuka o piloto de Oviedo assumiu essa situação quando disse que “gostava muito de continuar a correr no próximo ano, mas sou piloto da Renault e vou fazer aquilo que eles me mandarem fazer. Acredito que a Minardi no próximo ano vai ser mais competitiva e gostaria de ficar aqui para tirar proveito de todo o trabalho que fiz ao longo deste ano, mas se for para piloto de reserva da Renault também não vem daí grande mal ao mundo. Poderei aprender muito com uma equipa de ponta e isso será sempre útil quando eu tiver a possibilidade de correr com um carro ganhador.”

Como se sabe, o espanhol ficou de fora em 2002, regressou em 2003, e o resto é história. Vai interromper a sua carreira na F1 no final de 29018, 15 anos depois…