Morreu ontem, aos 90 anos, um dos vencedores de um Grande Prémio da década de 1950. Tony Brooks foi o último piloto vencedor de um GP de 50 sobrevivente após a morte de Stirling Moss em 2020 e um dos pioneiros do desporto.
Stirling Moss, que é considerado o melhor piloto de Fórmula 1 que nunca chegou a ser Campeão do Mundo depois de quatro anos consecutivos em que foi vice-campeão e três terceiros lugares, apontou Tony Brooks como “o piloto mais completo da minha era”, mesmo depois de em três dos seus quatro vice-campeonatos ter sido batido por Juan Manuel Fangio.
Brooks realizou 38 corridas de Fórmula 1 e terminou no segundo lugar no campeonato do mundo de pilotos com a Ferrari em 1959, ficando a 4 pontos de Jack Brabham e vencendo o único Grande Prémio de Fórmula 1 no AVUS em Berlim em 1959. Em 1958 tinha já conquistado o terceiro lugar com a Vanwall.
Charles Anthony Standish Brooks nasceu no Cheshire, em 1932. Filho de um cirurgião dentário, ele próprio estudou para dentista – e, à conta disso, ficou conhecido por “dentista de corrida”, Brooks participou principalmente em corridas de clube, antes de participar numa corrida de F2 que teve lugar, em 1955, na desaparecida pista de Crystal Palace. Terminou num impressionante quarto lugar – atrás de três carros de F1.
Nesse ano, recebeu a oferta para pilotar um Aston Martin de fábrica e fê-lo com tão bons resultados que lhe deram a hipótese de participar no GP de Siracusa, uma das muitas provas de F1 que não contavam para o Mundial, com um Connaught. Perto de se tornar dentista foi para a Sicília e tornou-se o primeiro piloto britânico a vencer uma corrida na Europa, desde sir Henry Seagrave, que tinha ganho o GP de San Sebastian em 1924. Ao regressar à Grã-Bretanha, assinou um contrato com a BRM, estreando-se no Mónaco, em 1956. Em 1957 venceu a sua primeira prova, em Aintree e, nos dois anos seguintes, mais cinco.
Stefano Domenicali, diretor executivo da Fórmula 1, homenageou Brooks afirmando que “fazia parte de um grupo especial de pilotos que foram pioneiros e ultrapassaram os limites numa altura de grande risco. Vamos sentir a sua falta e os nossos pensamentos estão com a sua família neste momento”.
Em seis épocas na Fórmula 1, Brooks conquistou seis vitórias, 3 pole positions e 10 pódios. A morte de Peter Collins e Stuart Lewis-Evans em 1958, fê-lo questionar-se quanto aos riscos de ser piloto e, em 1961, abandonou as pistas, para se dedicar à profissão de dentista.










