O mais recente capítulo da história da parceira McLaren e Honda que foi reeditada em 2015, surgiu com a revelação que os japoneses não conseguem fazer a correlação do que testam no ‘dyno’… na pista. A Honda revelou que estão a ver progressos na sua especificação de motor, mas quando vão para a pista… já não conseguem ver nada! E não percebem. “Não conseguimos criar boas condições no dyno,” disse Yusuke Hasegawa ao Motorsport.com. É mais um capítulo duma ligação que tem tudo para acabar mal.
O ano de 2015 foi mau, “problemas de juventude” diziam uns, 2016 “foi péssimo”, pois a evolução foi pouca ou nenhuma, apesar de trocas de chefia no seio da Honda F1, mas antes do arranque dos testes, Yusuke Hasegawa, encheu o peito e disse que a Honda iria ter um motor tão competitivo quanto o Mercedes do ano passado. Vê-se. Nos testes as coisas ficaram de imediato claras. A volta mais rápida de um McLaren-Honda nos testes de Barcelona foi 2.714 segundos mais lenta que a volta mais rápida dos testes, realizada por Kimi Raikkonen.
Depois de todos os problemas por que passou em Barcelona, os responsáveis da Honda já perceberam que com o que tinham ‘não iam lá’, e por isso puseram mãos à obra para desenvolver um novo motor. A nova versão pretende manter os aspetos técnicos da atual unidade motriz, mas supostamente teria melhorias de hardware, leia-se, peças que aguentem o esforço a que são submetidas sem partir. A Honda esperava que este novo motor estivesse pronto em junho, logo após o Grande Prémio do Mónaco. como se sabe, não aconteceu…
Entretanto, a Honda considera que não há erro algum no conceito dos seus motores de 2017, apesar dos problemas de fiabilidade denotados pelos propulsores japoneses nos primeiros GP de F1. “Em algumas áreas conseguimos ser bem sucedidos, reduzindo o peso e baixando o centro de gravidade, mas, em definitivo, não conseguimos retirar potência suficiente da combustão. Por isso, sim, é apenas uma desculpa, mas ainda precisamos de tempo. Mas não considero que tenhamos cometido um erro”, defende Yusuke Hasegawa.
O técnico japonês espeta que o potencial do motor de 2017 da Honda consiga melhorar o seu desempenho para o final do ano, porque considera que o conceito base é correto. Hasegawa também desmente que estes fracassos poderão levar a Honda a deixar a F1: “Parar a nossa atividade na Fórmula 1 causaria muito dano em termos de tecnologia, por isso temos de manter este envolvimento durante muito tempo. De momento estamos muito empenhados neste programa”.
Já no Mónaco, Eric Boullier afirmou que não está totalmente afastada a possibilidade da McLaren se separar da Honda. A ligação tem três anos, mas a falta de resultados e os problemas de fiabilidade estão a fazer esgotar a paciência, não apenas de Fernando Alonso, mas também da formação de Woking.
“O problema é que nós não compramos um motor. A Honda começou a partir de uma folha de papel em branco, com novos regulamentos e a marca a ter defender a sua boa reputação. Mas não temos garantias quanto ao produto final, porque não podemos esquecer que não pagamos os motores”, afirmou Boullier no Principado. Contudo os resultados continuam a não surgir e os rumores sobre uma separação vão crescendo, o que levaria a McLaren a ter de voltar a ser um cliente da Mercedes.
Ao jornal francês La Derniére Heure, Boullier admitiu ser possível à equipa recorrer a um advogado para a libertar do contrato com a Honda devido ao mau desempenho do propulsor japonês. “Antes de irmos para um advogado temos uma zona intermédia, tentando encontrar soluções. Passo o meu tempo entre a Inglaterra e o Japão tentando exercer a minha influência, mas é difícil”, admitiu Boullier. “Já é difícil para um europeu percebê-los, mas para um europeu das corridas é extremamente difícil. A sua abordagem à F1 é; quando tudo corre bem vamos pela esquerda. É extraordinário mas parece que no final funciona, porque o Japão ainda é uma grande potência mundial”, afirmou ainda o diretor da McLaren.
Entretanto, antes do Grande Prémio do Canadá ficou a saber-se que a Honda não iria estrear a sua mais recente unidade de potência. E mais rumores surgiram, com um alegado deadline. Se a Honda até ao GP da Bélgica de F1 não for capaz de dar a volta ao texto, a parceria da McLaren com a Honda é bem capaz de não sobreviver para lá do final deste ano. A Marca citou Zak Brown, que disse “A McLaren chegou aos limites com a Honda” enquanto o Diario Sport escreve que foi traçado um deadline de 90 dias. Contudo, o jornal AS, diz que esse deadline será ainda mais cedo: “O limite será o primeiro GP após o verão (Bélgica), mas Zak Brown e Eric Boullier esperam já ser competitivos na Hungria”. Segundo os espanhóis, caso a McLaren não chegue com facilidade à Q3 e lute perto do top 3, a McLaren recomeçará as conversações com a Mercedes”. Todas são fontes espanholas, isso poderá querer dizer algo, mas que a questão entre a McLaren e a Honda andará, tudo, menos boa, por isso talvez exista mesmo um fundo de verdade nisto tudo. De qualquer forma, o melhor é mesmo aguardar…
Do lado da Honda, a conversa do costume e Yusuke Hasegawa lamentou não conseguir convencer a McLaren em relação ao seu trabalho. “É uma pena não os conseguirmos convencer que estamos a ir no bom sentido, sei que não estamos perdidos. Precisamos de mais tempo, mas estamos a fazer o que é preciso. Talvez eles até acreditem em nós, mas temos de os convencer e mostrar”. Sobre o futuro o responsável da Honda para a F1 não tem dúvidas. “Podemos continuar a trabalhar juntos apesar das críticas, somos fortes como equipa. Vamos trabalhar juntos para passar esta situação”.
A mais recente acha para a fogueira surgiu do jornal britânico Daily Mail, que escreveu que o ‘divórcio’ entre a McLaren e a Honda é, neste momento, um facto consumado na Fórmula 1. “Apuramos que a McLaren se separou dos seus parceiros de motores Honda, depois da paciência com o construtor japonês, nada competitivo e pouco fiável, ter chegado ao fim”, lê-se na edição desta terça-feira, 13 de junho, daquele diário.
Segundo a mesma publicação acrescenta que esta separação deverá custar à McLaren perto de 80,2 milhões de euros e um acordo com a Mercedes estará a ser finalizado, sendo anunciado durante a habitual pausa de verão da F1, no final de julho ou começo de agosto. A confirmarem-se estas notícias, o ‘divórcio’ da Honda acontece após três anos frustrantes plenos de deceção para a McLaren. Mas o fim de maio não era a data limite para informar a FIA dos motores para 2018 ou esta vai ser mais um exceção que a FIA vai abrir?











