Lewis Hamilton: “A pessoa que se perdeu em 2025 não volta”
Na véspera do arranque da sua 20ª temporada na Fórmula 1 e já totalmente integrado na Ferrari, Lewis Hamilton apresenta-se renovado mentalmente e determinado a transformar um inverno de trabalho intenso em vitórias em pista. O sete vezes campeão do mundo elogia a preparação da Scuderia para 2026, fala da adaptação à cultura italiana, explica o processo de “redescoberta” pessoal após um ano difícil e revela a ambição clara: lutar para ganhar, enquanto aprofunda também o seu papel como produtor em Hollywood.
Lewis, o Oscar disse que a Ferrari teve uma pré-época muito sólida. Quão confiante estás tu e a equipa na abordagem a 2026?
Lewis Hamilton: Não é tanto uma questão de confiança cega. Fizemos uma quilometragem excelente nos testes de inverno, um trabalho incrível foi feito pela equipa na fábrica e conseguimos pôr tudo isso em prática na pista. Aprendemos muito com o ano passado, estamos a deixar para trás o que correu mal e a levar connosco o que fizemos bem. Estamos atentos, preparados e sabemos o que temos de fazer, mas também conscientes de que as novas regras e regulamentos representam um desafio enorme para todos.
Esta é a tua segunda época com a Ferrari. Quão diferente é chegar a este segundo ano em relação a 2025?
Lewis Hamilton: É uma diferença enorme e, sinceramente, uma sensação muito mais agradável. Passei um ano a perceber a cultura da equipa, a forma de trabalhar, os processos, e a encontrar maneiras de trabalharmos melhor em conjunto. Sinto que agora estamos num bom momento enquanto grupo e que estou verdadeiramente ligado à equipa. Estou muito mais feliz do que há um ano.
Ainda é cedo, nem sequer rodaram aqui em Melbourne, mas que objetivos traças para esta temporada? Qual é a ambição realista?
Lewis Hamilton: O objetivo é vencer. É para isso que trabalhamos e é para isso que todas as equipas trabalham, mas é claro que a nossa meta é aproveitar ao máximo cada oportunidade e estar a lutar no grupo da frente logo nas primeiras corridas, se possível. A Mercedes pareceu particularmente rápida, e não tenho a certeza se já vimos a Red Bull em modo totalmente “desbloqueado”, por isso tudo isto é muito entusiasmante. Seja como for, sinto que tenho um grande grupo de pessoas atrás de mim, focado em trazer performance e em maximizar cada fim de semana.
É a tua 20.ª época na Fórmula 1 e vais ultrapassar as 400 partidas até ao final do ano. Com toda essa experiência, qual é a lição mais importante que podes passar aos mais jovens?
Lewis Hamilton: Para ser honesto, não sinto que seja o meu 20º ano. Sinto-me mais jovem do que nunca. Sinto-me fresco, fisicamente muito bem. Sinto-me com 18 anos, é tudo uma questão de mentalidade. Se olhar para o meu primeiro ano, diria apenas: aproveita. Ao mesmo tempo, é ser lançado para o meio do furacão — compromissos, viagens, o circo todo — e demora a habituar.”.
Todos vimos as dificuldades do ano passado, mas nas redes sociais tens mostrado uma atitude muito positiva neste inverno. A que se deve essa mudança?
Lewis Hamilton: Foi uma combinação de coisas. A pausa foi muito positiva — o ambiente à minha volta, as pessoas com quem estive, o afastar da rotina. Não é a primeira vez que passo por isto, por isso já sei melhor como virar a página, embora nunca seja fácil. No inverno concentrei-me em cultivar uma mentalidade positiva, algo de que falo muitas vezes, e grande parte disso veio também do treino. Estive a treinar forte desde o dia de Natal. Saber que acredito em mim, que fiz mais trabalho do que qualquer pessoa à minha volta, dá-me confiança. E houve um processo de redescobrir quem sou. Senti que, em determinado momento, perdi um pouco a noção de mim próprio em 2025 e essa versão já não vai voltar. Não vão ver de novo essa pessoa.
Esse processo de “redescoberta” foi apenas resultado das dificuldades de 2025, ou houve um momento específico em que percebeste que tinhas de mudar algo? Isso contribui para chegares a 2026 mais feliz e equilibrado?
Lewis Hamilton: Foi algo que se foi acumulando com o tempo, não um único momento. É normal, muita gente passa por isso em algum ponto da vida. O importante é conseguires levantar-te, avaliar onde estiveste e regressar com uma mentalidade mais positiva. Chego aqui a sentir-me muito bem. O treino correu de forma fantástica, o trabalho com a equipa também. Fiz várias mudanças no meu espaço pessoal e na forma como interajo com a equipa, e isso tornou tudo muito mais fluido do que no ano passado.
Tem-se falado da adaptação às novas regras e de pistas com características muito diferentes. O que esperas desse desafio com o novo regulamento?
Lewis Hamilton: Acredito que isto vai ser dos maiores desafios que o desporto já viveu. Já enfrentei várias mudanças de regulamento, talvez cinco grandes ciclos, e esta parece-me maior do que todas essas. Vamos estar constantemente a aprender em cima do acontecimento. O que fizemos nos testes foi importante, mas, na prática, cada fim de semana vai funcionar quase como um teste adicional, com desafios diferentes consoante as características de cada circuito. Só espero que a Fórmula 1 consiga transmitir isso aos adeptos, porque, por dentro, é muita coisa para compreender. Seria bom que comentadores e meios de comunicação viessem falar mais connosco e com as equipas para perceberem melhor o que estamos a tentar fazer, em vez de apenas atirarem ideias para o ar, porque isto não é brincadeira — é mesmo, mesmo desafiante.”
Jerry Bruckheimer confirmou que vai haver uma Parte 2 do filme “F1”. Vais ter um papel semelhante ao da primeira produção ou ainda mais destaque? E, já agora, que prenda de casamento deste ao Charles Leclerc?
Lewis Hamilton: Ainda não dei nenhuma prenda ao Charles, para ser sincero. Nunca fui casado, por isso também não tenho grande conselho para lhe dar nessa área. Costumo atrasar-me com presentes deste tipo, portanto talvez só daqui a uns seis meses é que lhe ofereça alguma coisa.
Em relação ao filme, já estamos a trabalhar no argumento. Tivemos a primeira reunião ainda no fim do ano passado — eu, o Jerry e o Joe — para falar de ideias e possíveis caminhos para a história, e desde então já houve várias conversas, também com a Erin. Estou muito entusiasmado.
Agora que já passei por todo o processo, sei melhor o que esperar e onde podemos melhorar. É incrível ver o impacto que o filme teve, a quantidade de pessoas que me diz que só agora viu o filme e que isso lhes abriu os olhos para o que é realmente este desporto, levando-as a querer saber mais.
Quanto à sequela, os segundos filmes nem sempre correm bem, mas temos uma grande equipa, um grande elenco e um grande argumentista, por isso não estou preocupado. Vamos é ter calma e garantir que fazemos tudo como deve ser.
E quanto a aparecer mais à frente das câmaras? Vês-te a atuar ou preferes continuar nos bastidores?
Lewis Hamilton: Não tenho grande desejo de estar à frente das câmaras. Já tive imensas oportunidades para entrar em filmes, mas gosto mais da ideia de estar nos bastidores. A experiência foi incrível e é muito mais divertida, para mim, do que estar em frente à câmara. Tenho uma enorme admiração pelos atores, pelo ofício deles — é uma área muito difícil, assumir personagens é um desafio enorme, e não sei se seria algo em que seria particularmente bom. Já tive experiências giras, como dar voz em “Cars 2”, o que foi divertido. Mas o meu plano passa por produzir muitas séries, documentários e filmes. Tenho muita coisa em desenvolvimento e estarei mais focado nisso do que em aparecer como ator.
Disseste que agora estás completamente “ligado” à Ferrari. Que processo foi necessário para chegares a esse nível e que dificuldades encontraste pelo caminho?
Lewis Hamilton: Foi sobretudo uma questão de cultura. A forma como a Ferrari trabalha é diferente daquilo a que estava habituado em equipas britânicas. Era preciso tempo para nos conhecermos verdadeiramente — muitas reuniões, muitas conversas, melhorar a comunicação, estar presente na fábrica, algo em que investi muito no ano passado e continuo a fazê-lo.
Não se trata apenas de pedir mudanças, mas de criar alianças dentro da equipa, mostrar por que razão essas mudanças podem ser positivas para todos e fazer essa caminhada em conjunto. Começámos a ver esse processo a resultar no final da época passada e, sobretudo, na preparação para esta temporada.
O ano passado foi uma curva de aprendizagem muito acentuada, com muita coisa a ser feita “em andamento”, mas este ano chegamos muito mais preparados, o que me deixa realmente entusiasmado. E isso reforça exatamente o motivo pelo qual vim para a Ferrari: a crença no que posso fazer com esta equipa é hoje ainda mais forte do que quando assinei.
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