Sergio Pérez assegurou a sua primeira vitória na F1 num dia em que a Mercedes deu um “doce a uma criança” ao colocar George Russell no seu carro, e “roubou-lho” com um erro inacreditável. Esta história há-de ficar no livro de memórias da Fórmula 1, como um dos momentos de “partir coração” da história da disciplina.
Sergio Perez venceu depois duma série de ‘desastres’ tardios que sucederam à Mercedes, quando George Russell se preparava para vencer.
Voltando atrás, George Russell assumiu imediatamente a liderança da corrida ao fazer uma partida melhor do que Valtteri Bottas, passando na Curva 1 já na frente duma corrida que liderou sempre daí para a frente, até à ‘Lei de Murphy’ entrar em ‘vigor’ na Mercedes.
Passada a confusão da primeira volta que resultou num Safety Car, após o recomeço depressa Russell estabeleceu uma vantagem que oscilou entre dois/três segundos, na primeira metade da corrida.
Foi às boxes cinco voltas antes do Bottas, e quando o finlandês trocou de pneus, a diferença cifrava-se em oito segundos. Bottas recuperou um pouco, e quando a margem rondava os cinco segundos, a corrida foi virada do avesso depois duma saída de pista do piloto que substituiu Russel na Williams, Jack Aitken.
Com uma enorme vantagem, a Mercedes chamou os seus dois carros às boxes, para uma paragem de precaução, colocando pneus médios ‘frescos’. Aqui, deu-se o erro monumental pois a equipa colocou acidentalmente um conjunto misto de pneus no carro de Russell. Aperceberam-se rapidamente do erro, a meio da mudança de pneus de Bottas, que tinha ‘estacionado’ imediatamente atrás. A Mercedes recolocou os mesmos pneus no W11 de Bottas e mandou-o para a pista, após uns estonteantes 27 segundos. Logicamente, teve de chamar Russell de volta às boxes, pois o inglês tinha pneus que não eram dele. Com a confusão, Bottas e Russell caíram para quarto e quinto, é aí que Sergio Pérez surge na frente da corrida.
Com pneus novos, Russell ainda parecia ter oportunidade de recuperar posições e eventualmente chegar a Pérez.Já era segundo, depois de uma extraordinária ultrapassagem a Bottas, e de seguida a Lance Stroll e Esteban Ocon. Pérez tinha nesta altura 3.6s de vantagem, mas depressa Russell reduziu a margem para dois segundos quando foi novamente chamado pela equipa…devido a um furo. Caiu para 15º, recuperou depois até ao nono lugar, pontuando pela primeira vez na sua carreira de dois anos na F1. Há uma semana, pontuar teria sido uma alegria imensa para si, desta feita terminou o dia a chorar de tristeza.
Seja como for, George Russell fez uma estreia extraordinária pela Mercedes, merecia a vitória por tudo o que fez, não só na corrida, mas durante todo o fim de semana e deve ter deixado Toto Wolff a franzir bem o sobrolho. A classe com que George Russell fez tudo bem durante o GP de Sakhir de Fórmula 1, não só deve ter posto Valtteri Bottas à beira de um ataque de nervos, como mostrou a Toto Wolff o piloto que tem ali.
Para a história fica a inédita e excelente, claro, vitória de Sergio Pérez e o duplo pódio da Racing Point, mas o verdadeiro herói desta corrida é George Russell.








