GP Japão F1: Oscar Piastri e a McLaren na frente do 2º Treino Livre
Quatro motores Mercedes, um McLaren a frente, o outro em quarto, com dois Mercedes pelo meio.
Ferrari em quinto e sexto, um segundo pelotão compacto e a Red Bull discreta.
Oscar Piastri (McLaren MCL40 Mercedes) foi o mais rápido da segunda sessão de treinos livres do GP do Japão de Fórmula 1, depois de bater Kimi Antonelli (Mercedes W17) por 0.092s. George Russell (Mercedes W17) foi terceiro a 0.205, seguido de Lando Norris (McLaren MCL40 Mercedes) a 0.516s. Depois, os dois Ferrari de Charles Leclerc (Ferrari SF-26) e Lewis Hamilton (Ferrari SF-26). Seguiram-se Nico Hulkenberg (Audi R26), Alexander Albon (Williams FW48 Mercedes), Oliver Bearman (Haas VF-26 Ferrari) e a fechar o top 10, Max Verstappen (Red Bull RB22 Ford)
Desde o primeiro momento, a segunda sessão de treinos livres em Suzuka contou a história de uma tarde dividida entre a velocidade pura e a fragilidade mecânica. No fim, o cronómetro entregou o protagonismo a Oscar Piastri, que colocou a McLaren no topo da folha de tempos, à frente das duas Mercedes, enquanto Lando Norris e nomes como Gabriel Bortoleto, Arvid Lindblad e Sergio Pérez lutavam mais contra a fiabilidade do que contra os rivais em pista.
O essencial da 2ª sessão de treinos livres
Lewis Hamilton cedo passou a liderar o pelotão, em pneus médios, seguido por Colapinto, Lawson e Bottas, com o asfalto de Suzuka a ganhar vida rapidamente. Falava-se já de um possível problema na McLaren, um potencial furo no coração hidráulico do carro de Norris, que o mantinha preso na garagem enquanto os outros desenhavam as primeiras linhas da tarde. A Pirelli tinha trazido compostos mais duros do que na ronda anterior, e via-se a diversidade de estratégias: pneus duros e médios em pista, com Alonso, regressado depois de ceder o carro no TL1, a ser a exceção imediata ao aparecer logo em pneus macios.
Nos primeiros minutos, os tempos começaram a cair. Piastri saltou para o topo com 1m31,495s, apenas 0,073s mais rápido do que Russell, ambos em médios, com Antonelli a seguir, Hamilton logo atrás e Lawson a completar o quinteto da frente. Norris e Pérez continuavam encostados nas boxes, Lindblad tinha feito apenas uma volta de instalação antes de estacionar o carro. Lá à frente, até a saída da via das boxes tinha drama: Albon foi largado para cima de Gasly, forçando o francês a reclamar pelo rádio enquanto o engenheiro se apressava a admitir o erro.
Pouco depois, Leclerc deixou o pit wall e entrou finalmente em ação em médios, ao mesmo tempo que os primeiros sinais de desgaste mecânico começavam a surgir como pequenas fissuras na narrativa do dia. Albon queixou-se de que o acelerador deixara de responder, imobilizando o Williams em pista. Bortoleto, na Audi, estava fora do carro com o monolugar desmontado na garagem, enquanto os técnicos procuravam respostas para mais um problema de fiabilidade. Em paralelo, as Racing Bulls também viam a sua tarde descarrilar: Lindblad estacionou o carro e saiu, a sessão comprometida quando ainda mal tinha começado.
A meio da trama, Leclerc ascendeu ao topo da tabela com 1m31,019s, ligeiramente à frente de Piastri e Antonelli, todos em médios, com Hulkenberg a destacar-se como o melhor em pneus duros no sétimo lugar. Albon, por seu lado, continuava a viver um treino de nervos: em plena sequência de “Esses”, encontrou um carro parado no apex e explodiu pelo rádio – “O que é que ele está a fazer? Isto é perigoso!” – antes de, pelo menos, evitar o contacto e seguir em frente.
À medida que o sol continuava alto mas o asfalto arrefecia, com a temperatura da pista a cair mais de 10 graus, a aderência tornava-se um quebra-cabeças. Quando a primeira vaga de voltas rápidas em pneus macios se aproximou, o enredo acelerou. Piastri lançou o ataque e foi ele quem colocou a bitola com 1m30,133s, Antonelli respondeu para ficar apenas 0,092s atrás, e Leclerc, mais distante, completava o trio da frente. Russell, ainda sem tempo em pneus macios, surgia em quarto, Hamilton fechava o grupo, a mais de um segundo.
Pelo caminho, a sombra da fiabilidade continuava a alongar-se. McLaren confirmava problemas hidráulicos que mantinham Norris longe da pista, Cadillac explicava que o choque com Albon no TL1 tinha danificado o fundo plano de Pérez, justificando a ausência prolongada do mexicano. Bortoleto tinha conseguido apenas duas voltas antes de regressar definitivamente às boxes, Lindblad limitara-se a uma única volta lançada.
Depois de uma primeira tentativa abortada ou transformada numa dupla volta de aquecimento, Russell lançou finalmente uma volta rápida. Sector após sector, foi pintando o painel de tempos com recordes pessoais até subir a terceiro, a dois décimos de Piastri, reordenando provisoriamente o topo da tabela. Atrás, o “pelotão do meio” também se organizava: Hulkenberg instalava-se no estatuto de “melhor dos outros” em sétimo, à frente de Albon, Bearman e Verstappen, com a diferença entre o alemão da Audi em sétimo e Ocon em 11º a ficar reduzida a menos de um décimo de segundo.
À medida que a luz natural se suavizava, Norris, ainda em médios, fez uma primeira declaração tímida ao subir a sexto, 1,297s mais lento do que o tempo de referência do colega em macios – um esforço considerável, para quem ainda não tinha tocado nos pneus mais rápidos e vinha de um início de sessão quase fantasma.
Só depois, já com o relógio a avançar, é que Norris regressou à pista com pneus macios. A McLaren deu-lhe pista livre e o britânico respondeu com uma volta até quarto lugar, meio segundo atrás de Piastri, num carro que ainda se mostrava algo nervoso e apanhou algum trânsito.
Lindblad já nem sequer colocava o capacete. Sentado no muro das boxes, o único rookie do pelotão observava o fluxo de carros a passar, perdendo praticamente toda a segunda sessão num circuito tão técnico equivalia a voltar à estaca zero na preparação.
Os comissários consideraram finalmente que o toque entre Albon e Pérez no TL1 resultara de um simples mal-entendido, sem necessidade de sanções, embora já tivessem outra investigação em mãos, desta vez envolvendo Verstappen e Colapinto. Norris tinha regressado à pista, o problema hidráulico aparentemente controlado, e Pérez finalmente quebrara o silêncio, juntando-se à ação depois de longos minutos à espera na garagem.
A bandeira de xadrez surgiu, Piastri mantinha-se no topo, a McLaren em alta rotação emocional depois do duplo não-arranque na China, os Mercedes solidamente colados logo atrás, e uma série de equipas a olhar para o ecrã não apenas à procura de décimos, mas a tentar perceber como é que se sobrevive a uma sexta-feira em que a fiabilidade começou a decidir quem corre e quem apenas assiste à história a partir do muro das boxes.

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27 Março, 2026 at 10:43
Acabou a ideia da língua portuguesa. Textos como estes, numa publicação nacional, não abonam nada em favor do Autosport. Este “portuleiro” passou infelizmente a ser o novo normal.
Senão veja-se “as Mercedes” e estamos a falar de carros (masculino) e “A meio da trama” que deve ser um filme que eu não vi. Mas há mais pérolas como é fácil de antever.
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27 Março, 2026 at 12:02
Publicidade gratuita para a Mercedes.O texto original não é mais que isso mesmo e o AutoSport replica.
Pity
27 Março, 2026 at 13:06
Olha a McLaren a aparecer… Já me esquecia, é sexta-feira 🙂
A fiabilidade continua a ser o maior calcanhar de Aquiles das equipas.