GP Japão F1: o que disseram as equipas e os pilotos
Kimi Antonelli voltou a impor-se em Suzuka e garantiu a segunda pole position da carreira, liderando mais uma dobradinha da Mercedes na grelha para o Grande Prémio do Japão, com George Russell a completar a primeira linha. O italiano rodou em 1m28,778s e manteve a vantagem sobre o colega em todos os segmentos da qualificação, enquanto Oscar Piastri colocou a McLaren em terceiro e Charles Leclerc levou a Ferrari a quarto, deixando Max Verstappen fora da Q3 e a Red Bull resignada ao meio do pelotão.
Mercedes: pole sólida, mas aviso sobre domingo
Antonelli descreveu uma sessão exigente, com o W17 “mais nervoso” do que em TL3 e problemas de sobreaquecimento de pneus, mas ainda assim “duas voltas sólidas em Q3” bastaram para assegurar a pole. “Sinto-me muito bem no carro, fui melhorando em cada saída”, afirmou, sublinhando que a chave será o arranque: “O objetivo é segurar a liderança até à Curva 1 e pôr o carro em ar limpo para usar o bom ritmo de corrida de sexta-feira.”
Do lado de Russell, a história foi mais complexa. Um ajuste de afinação “pequeno e standard” depois de TL3 deixou o carro “muito mais difícil de guiar”, com sobreviragem acentuada e gestão complicada das temperaturas dos pneus, obrigando a tirar bastante apoio de asa dianteira. “Com esse desafio, acabar em P2 não é mau”, resumiu o britânico, consciente de que “num circuito onde é difícil ultrapassar, o arranque será crucial”.
Toto Wolff admitiu que o tweak “teve um impacto muito maior do que o previsto”, mas elogiou o trabalho de Russell em assegurar a primeira linha. Ao mesmo tempo, avisou que “os pontos contam no domingo” e que Suzuka “pode castigar qualquer erro” ao longo da distância. Andrew Shovlin reforçou que a qualificação “está longe de ter sido simples”, mas destacou a “sessão limpa” de Antonelli e a confirmação de um bom ritmo em tandas longas como trunfos para a corrida.
McLaren: passo em frente confirmado, mas fiabilidade continua a morder
Na McLaren, o balanço é claramente positivo. Piastri qualificou-se em terceiro, a apenas 0,354s de Antonelli e 0,056s de Russell, batendo ambas as Ferrari. “Foi bom estar no top 3 e mais perto da equipa da frente”, avaliou o australiano, reconhecendo que “falta ainda aderência e ritmo para igualar a Mercedes”, mas sublinhando que o MCL40 tem mostrado competitividade consistente ao longo do fim de semana.
Lando Norris, por seu lado, voltou a viver uma preparação atribulada, com nova avaria no módulo de bateria a limitar o andamento em TL3, obrigando à montagem de uma terceira unidade de armazenamento de energia. Ainda assim, o campeão do mundo garantiu o quinto lugar. “Tenho de estar contente com P5, tendo em conta os problemas e as voltas perdidas”, admitiu, notando que chega à corrida “em défice”, sem qualquer simulação de corrida feita: “Muito do que vou aprender será em plena prova.”
Andrea Stella destacou “um passo competitivo claro”, fruto da “melhor colaboração com os engenheiros da Mercedes HPP” e de uma afinação mais eficaz do chassis, mas não escondeu as fragilidades: “Fiabilidade, em particular nos módulos de bateria, é algo que temos de estabilizar.” O italiano classificou o 3º e 5º lugares como um reflexo realista do momento da McLaren, “a lutar com a Ferrari, ainda um passo atrás da Mercedes”, e apontou já a necessidade de trazer evoluções aerodinâmicas na próxima prova para entrar “de forma mais estável na luta pelos pódios e, mais tarde, pelas vitórias”.
Ferrari: forte na largada, mas sem resposta em Q3
Ferrari e McLaren passaram o dia em duelo direto, com Leclerc a ceder por pouco a Piastri e Hamilton a ficar atrás de Norris. O monegasco lamentou um “snap” no segundo setor da última volta, depois de ter sido o mais rápido no primeiro, mas considerou que “não havia muito mais” no SF-26 em Q3. “Os nossos adversários parecem dar um passo extra em Q3 e temos de perceber o que fazem de diferente”, alertou, apontando a um foco claro: sair bem e “tentar manter a posição até ao fim”, embora admita que terá de “lutar do início à bandeira”.
Hamilton, sexto, descreveu a sessão como “ok, mas não onde gostaria de estar”, reconhecendo que o carro deu sinais encorajadores em alguns momentos, apesar de “ainda haver muito desempenho por desbloquear”. Fred Vasseur enquadrou o quadro como parte de um “processo de aprendizagem sobre como abordar a qualificação e progredir de Q1 a Q3 sem ser demasiado agressivo”, notando que a equipa precisa de compreender porque é que “teve um melhor Q2 do que Q3”. Para domingo, o foco passa por “um bom arranque, estratégia acertada e capitalizar um ritmo de corrida que tem sido sólido”.
Alpine e Audi lideram um meio da tabela mais compacto
No meio do pelotão, Alpine voltou a confirmar o papel de referência. Pierre Gasly, sétimo, foi “muito feliz” com uma qualificação em que sentiu “o melhor carro do fim de semana” depois de alterações profundas desde sexta-feira. “P7 é, realisticamente, o máximo possível hoje, tendo em conta onde estão as três equipas da frente”, avaliou, assumindo como objetivo “agarrar a posição na partida e qualquer eventual recomeço” e confiando num bom ritmo com alta carga de combustível. Franco Colapinto, 15º, reconheceu dificuldades persistentes na “janela de funcionamento” de baixa gasolina, mas lembrou que “com depósito cheio o carro é bem melhor”, deixando a porta aberta para recuperar lugares na corrida.
A Audi voltou a dividir protagonismo com a Alpine. Gabriel Bortoleto foi nono e festejou a segunda entrada em Q3 em três fins de semana: “Construímos confiança ao longo de Q1 e Q2 e fizemos voltas muito sólidas”, disse, confiante em estar “na luta pelos pontos”. Nico Hulkenberg, 13º, falhou a Q3 por margens mínimas e admitiu que “Q2 não foi suficientemente limpo”, embora considere que o carro está “no meio da luta” pela borda do top 10. Mattia Binotto classificou o fim de semana como “bom” e mostrou-se “muito satisfeito” com Bortoleto, lamentando que Hulkenberg “não tenha tido a volta perfeita” para entrar no top 10, antes de sublinhar que, em Suzuka, “a execução da corrida e o arranque serão chave”.
Racing Bulls e Haas: surpresa positiva de Lindblad, frustração de Bearman
Nos Racing Bulls, o destaque vai para Arvid Lindblad. O britânico, que perdeu praticamente todo o FP2 e parte de TL3, surpreendeu ao chegar a Q3 e roubar a vaga a Verstappen, fechando em 10º, a apenas 0,045s de Bortoleto. “Não esperávamos estar a colocar o carro no limite como fizemos”, confessou, orgulhoso pela forma como aproveitou a “boa base” do VCARB 03. Sem stints longos feitos, admite que a gestão da corrida será uma incógnita, mas está motivado para “lutar pelos pontos”. Liam Lawson, 14º, viu um problema na asa dianteira estragar-lhe a primeira tentativa de Q2 e comprometer o equilíbrio da segunda. Tim Goss falou em “emoções mistas”, elogiando o progresso de Lindblad e lamentando que, sem danos, “havia claramente mais ritmo” no carro de Lawson.
Na Haas, Esteban Ocon assegurou o 12º posto e mostrou-se “bastante satisfeito” com a forma como a equipa “foi construindo o fim de semana” e com uma última volta que considera “muito perto do máximo possível”. Oliver Bearman teve um dia para esquecer: um pião e um plano de pneus comprometido em TL3 deixaram-no sem rodagem relevante em macios; em Q1, um problema de seletores fez-lhe perder velocidade em reta na primeira tentativa e o britânico não encontrou depois ritmo para evitar a eliminação em 18º. Ayao Komatsu assumiu “desilusão” por não ter ambos os carros em Q2 e reconheceu que “ficou performance em cima da mesa” com Bearman, mas recordou que o VF-26 tem mostrado “bons arranques e ritmo em stint longo”, algo que pretende explorar para levar Ocon aos pontos e “abrir a corrida” para o jovem britânico.
Red Bull, Williams, Cadillac e Aston Martin: realidades distintas no fundo da grelha
Na Red Bull, a crise prolonga-se. Verstappen queixou-se novamente da condução do RB22 em TL3, com trocas de caixa e equilíbrio a deixarem-no “a deslizar demasiado” e com “muito subviragem a meio de curva”. Sem solução encontrada para a qualificação, o neerlandês foi eliminado em 11º, batido por Hadjar. “Por vezes o carro é mais previsível, outras não, o que torna tudo difícil de entender”, resumiu, prometendo “analisar tudo em detalhe” antes da corrida. Isack Hadjar fez o que pôde com um pacote “sempre no limite do top 10” e levou o carro a 8º, admitindo que as alterações para a qualificação o deixaram “mais rápido, mas muito diferente de guiar”. Laurent Mekies falou numa Red Bull “longe do sítio onde quer estar”, com problemas semelhantes aos da China e um caminho que “vai exigir tempo, análise profunda e desenvolvimento” ao longo da pausa de abril.
A Williams confirmou as dificuldades já antecipadas. Carlos Sainz cumpriu o “melhor cenário possível” ao chegar a Q2 e selar o 16º lugar, enquanto Alex Albon ficou logo em 17º, eliminado por Colapinto nos instantes finais, apesar de dizer que se sentiu “mais em sintonia com o carro do que em qualquer outro fim de semana do ano”. James Vowles foi taxativo: “Foi tudo o que o carro tinha hoje”, valorizando os “pequenos passos semanais” e projetando um plano de trabalho forte para as cinco semanas de pausa, com o objetivo de “voltar a uma posição sensata” face à concorrência.
Na Cadillac, a leitura é de progresso moderado. Sergio Pérez (19º) e Valtteri Bottas (20º) mantiveram-se à frente apenas das Aston Martin, mas o mexicano considerou o resultado “positivo” face ao ponto de partida da equipa, ainda que admita “problemas na entrega de energia” que espera otimizar para ganhar “tempo significativo”. Bottas falou num fim de semana “útil em termos de aprendizagem”, com um carro “melhor, mas ainda com carga insuficiente”. Graeme Lowdon vê “um passo em frente em ritmo e fiabilidade” e aponta como objetivo “converter potencial em corrida e trazer novamente os dois carros até ao fim”.
A Aston Martin voltou a ficar na cauda do pelotão. Fernando Alonso foi 21º, à frente de Lance Stroll, e admitiu que Suzuka “escancara as limitações atuais do pacote”. Apesar da eliminação em Q1, valorizou a quilometragem acumulada e garantiu que o foco é “maximizar tudo o que for possível” em corrida. Stroll referiu “problemas de gestão de energia” na última tentativa e assumiu que o objetivo passa por “ver a bandeira de xadrez e manter a fiabilidade” enquanto a equipa trabalha nas soluções. Mike Krack falou num fim de semana “sempre difícil”, mas destacou “melhorias incrementais” face a sexta-feira e reiterou que a prioridade, para já, é completar distâncias de corrida enquanto o projeto conjunto com a Honda procura respostas num horizonte de meses, e não de dias.
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