
Mais uma vez a Ferrari errou e, depois de ter arrancado com os seus carros entre os três primeiros lugares na grelha de partida, terminou sem nenhum dos seus pilotos no pódio.
A ‘Scuderia’ parece inventar formas de conseguir perder corridas e ficar aquém do potencial do seu monolugar devido a decisões de validade duvidosa…
Não importa discutir sequer se hoje a formação de Maranello tinha o monolugar mais rápido em pista ou não, mas antes perceber como foi possível quem nem Charles Leclerc nem Carlos Sainz tenham conseguido terminar entre os três primeiros num dia em que o melhor dos Red Bull alinhou no décimo posto e Max Verstappen, que acabou por triunfar, fez até um pião que o obrigou a ultrapassar por duas vezes o homem do carro número 16.
Com a pista mais fria do que o esperado, os pneus duros foram quase unanimemente colocados fora da equação logo na sexta-feira, dado ser difícil gerar temperatura para que pudessem funcionar corretamente.
No entanto, os estrategas colocaram-se numa situação em que os tinham de usar com Leclerc, dado a forma como desenharam estrategicamente a prova do monegasco.
Os dois pilotos da Ferrari iniciaram a prova com pneus médios e, estranhamente, quando pararam pela primeira vez mantiveram-se no mesmo composto, deixando bem claro que iriam parar mais uma vez.
Desta forma mostraram o seu jogo às suas adversárias, Mercedes e Red Bull, mas havia ainda a expectativa de que seriam os macios os escolhidos para realizar o derradeiro ‘stint’.
Max Verstappen e George Russell começaram a corrida com as borrachas marcadas a vermelho e, muito embora tivessem os seus carros pesados com tanques cheios, conseguiram fazer dezasseis voltas.
Leclerc era o mais rápido dos pilotos da Ferrari e parecia caminhar para um triunfo, mas no seu segundo ‘stint’ realizou apenas 19 voltas com os seus médios, menos duas que no primeiro, quando tinha o carro mais pesado.
Os estrategas da formação de Maranello precipitaram-se na ânsia de responder à Red Bull e a Verstappen, quando este parou na 38ª volta, tendo chamado Leclerc na seguinte.
Com 31 voltas ainda por realizar, era demasiado cedo para montar macios, então foi decidido colocar duros com intuito de que o monegasco fosse até ao fim e apostar numa quebra de performance das borrachas amarelas do holandês.
O problema foi que os pneumáticos colocados no carro de Leclerc nunca atingiram temperatura, ficando exposto aos seus perseguidores e perdendo posições para Verstappen e George Russell.
Chamar o seu piloto a dezasseis voltas do fim para montar pneus macios foi a prova cabal do erro da Ferrari que o admitiu à frente de toda a gente.
Mais uma vez os homens da ‘Scuderia’ erraram e transformaram aquilo que poderia ser um bom resultado num desfecho penoso. Agora vem as férias e Mattia Binotto tem de refletir profundamente sobre o que se passou na temporada de 2022.
Terão de ser feitas modificações profundas na estrutura da equipa de estratégia da Ferrari, ou na forma como opera. Não precisam de rolar cabeças, mas é necessário que algo mude porque continuar assim é desaproveitar o carro e os pilotos.











