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GP EUA F1: FIA ‘retirou’ enorme ‘trunfo’ de Max Verstappen

José Luis Abreu by José Luis Abreu
22 Outubro, 2016
in Destaque Homepage, F1, FÓRMULA 1, Newsletter, Newsletter destaque
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Ensaio: JAGUAR XE S

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A FIA vai passar a impedir os pilotos de mudarem de trajetória em travagem para defender a sua posição, e alertou-os para possíveis penalizações caso algum piloto tenha que fazer uma manobra evasiva. A decisão foi tomada depois de toda a controvérsia em que se envolveu Max Verstappen, desde o GP da Bélgica de F1. Já antes desse ‘famoso’ incidente com Kimi Raikkonen, quando o holandês mudou de direção precisamente quando o finlandês ia meter por dentro na travagem para a chicane após a reta de Kemmel se tinha percebido que Verstappen utilizava muito essa tática para se defender, mas agora a FIA quer impedir definitivamente que a questão possa acabar mal.

No GP do Japão, Verstappen voltou a fazer uma manobra semelhante e fechou a porta a Lewis Hamilton na travagem para a chicane antes da reta da meta mas depois da Mercedes ter feito saber que ia protestar, acabou por não o fazer. Já na altura a FIA tinha protelado as decisões para os EUA, e pelos vistos, mesmo com o não protesto da Mercedes, a FIA decidiu atuar.

A questão foi debatida intensamente no briefing de pilotos de ontem, em que muito pilotos se queixaram do que Verstappen fez em diversas ocasiões e agora o Diretor de Corrida, Charlie Whiting e a FIA  decidiram impedir mudanças de trajetória.

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Assim sendo, Max Verstappen perde o que era o seu maior trunfo, pois o holandês tem a capacidade de o fazer num dos momentos mais complicados para qualquer piloto, que é alterar a trajetória do seu carro mantendo-o equilibrado, ao mesmo tempo que trava. Isto é muito complicado de fazer (ainda mais num F1) e ao conseguir fazer num só momento (ao mesmo tempo) algo que outros pilotos têm que fazer em dois, é uma vantagem que Verstappen não gostará nada de ter perdido.

Cronologia desde o GP da Bélgica, tudo o que se escreveu relativo a este assunto:

MAX VERSTAPPEN: “SE ME LIXAM A CORRIDA, NÃO LHES VOU FACILITAR A VIDA”

Abriu-se uma guerra ontem no GP da Bélgica de Fórmula 1, com os dois pilotos da Ferrari a insurgirem-se contra Max Verstappen, alegando que este tem vindo a ser demasiado agressivo em pista. Nas últimas corridas foram varias as vezes em que Verstappen e o pilotos da Ferrari têm passado por momentos mais ‘quentes’ nas corridas e em Spa não foi exceção.

Verstappen foi novamente criticado por Raikkonen no final da corrida por ter alegadamente defendido de forma incorreta a sua posição durante o GP da Hungria e agora novamente na Bélgica. Depois do toque em La Source, a gota de água foi quando Raikkonen se preparava para o passar em Kemmel e o holandês se colocou à sua frente no último momento, quando ambos rodavam a grande velocidade. Raikkonen teve que travar, e o acidente poderia ter sido feio.

“Estou sempre pronto para boas lutas e disputas leais, mas quando tenho que travar em Kemmel para não lhe bater, porque ele muda de direção depois de eu já lá estar, não é correto. Tivemos sorte de não ter um grande acidente. Ter que travar aquela velocidade não aconteceria com qualquer outro piloto. Se não tenho travado tinha-lhe batido com o acelerador a fundo. Não é correto, mas parece não importar…” disse Kimi Raikkonen. Na verdade, Verstappen só mudou de direção uma vez, e isso pode tê-lo salvo de uma penalização, mas é verdade que um movimento daqueles esteve muito perto de acabar muito mal.

Max Verstappen comentou a situação, falando primeiro do que se passou na primeira curva, onde foi apertado pelos dois Ferrari depois de ter partido mal e metido por dentro numa nesga de pista em La Source. Vettel tentava passar por fora, apertou Raikkonen e os três sofreram com o incidente. Mais tarde, Verstappen tapou Raikkonen em Kemmel, antes da travagem, e depois justificou-o: “É ridículo, mas fica sempre bem na TV alguém a queixar-se. Especialmente depois de me apertarem na curva 1, não iria ceder a minha posição com tanta facilidade. Estava só a defender a minha posição e se alguém não gostou problema é seu…”

Já hoje, o holandês disse que Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen deviam ter vergonha da forma como o criticaram depois do que diz terem feito na primeira curva da corrida: “Penso que deviam ter vergonha por ter causado um incidente daqueles, tendo em conta a experiência que têm e depois queixam-se de mim. Não têm que fazer um drama pelo que sucedeu depois, e têm que perceber que não fiquei feliz por me terem estragado a corrida” disse Verstappen, que continua totalmente convencido que a culpa do incidente da primeira curva é totalmente de Vettel: “Havia espaço para os três carros, quando eu estava ao lado do Kimi, que começou a apertar-me e se o Vettel não tem metido tanto para dentro, todos passávamos. No vídeo vê-se perfeitamente quando o Vettel mete para dentro aproxima-se do Raikkonen que bate no meu carro. Se me lixam a corrida, não lhes vou facilitar a vida. Eles têm que perceber isso. Se nada daquilo tivesse sucedido na curva 1, não teria sido tão agressivo face a Raikkonen. De qualquer forma, penso que ele tenha levantado o pé, e os Comissários não disseram nada, portanto está tudo bem” disse Verstappen ao Motorsport.

F1: COMPORTAMENTO DE MAX VERSTAPPEN EM SPA NÃO FOI ABORDADO NO BRIEFING DO GP DE ITÁLIA

O Grande Prémio da Bélgica realizado em Spa-Francorhamps ficou marcado pelo polémico comportamento de Max Verstappen, que motivou muitas críticas nomeadamente por parte dos homens da Ferrari, Sebastian Vettel e Kimi Raikkönnen. Contudo no GP de Itália quando se esperava que este assunto viesse à baila no habitual briefing dos pilotos, este não foi mencionado.

Tudo ficou sanado numa reunião na manhã de sexta-feira, onde esteve presente Max Verstappen com o Diretor de Corrida, Charlie Whiting, tendo sido discutido o comportamento do jovem Max perante Raikkonen e que o piloto da Red Bull mereceu a exibição da bandeira preta e branca. A Red Bull viu esta reunião como um conselho gentil por parte de Whiting.

O próprio chefe de equipa da Red Bull, Christian Horner, não escondeu que o comportamento de Max Verstappen esteve perto dos “limites. Ele é um piloto jovem, agressivo e com vontade de vencer, que fez dele alguém tão atrativo. Não nos podemos esquecer que tem apenas 18 anos e que este é o seu terceiro ano de competição. Está sempre num processo de aprendizagem e tenho a certeza que vai aprender com este episódio. Ele não quer saber das críticas apenas está focado no seu próprio trabalho”.

GP JAPÃO F1, MAX VERSTAPPEN: “NÃO VOU ABRIR A PORTA E DIZER ‘PODES IR’

Max Verstappen voltou a utilizar a sua tática de mudar de direção em travagem para tapar o caminho a Lewis Hamilton à entrada da chicane quando o inglês realizou a sua única verdadeira tentativa de passar o holandês na luta pelo segundo lugar. Hamilton teve que seguir em frente pela chicane, e as posições não se alteraram até ao final da corrida. Verstappen tem a capacidade que é única no plantel da F1 para travar eficazmente mesmo mudando de posição, mantendo o equilíbrio do carro e isso permite-lhe não ser surpreendido pois ao poder mover o carro ao mesmo tempo que trava, com isso, tapa os eventuais buracos que estão livres, e desta vez, depois de Kimi Raikkonen em Spa, agora foi a vez de Hamilton em Suzuka: “Não vou abrir a porta e dizer ‘podes ir’. Claro que vi o movimento dele e assim que o vi, fechei a porta. Penso que foi suficientemente longe para ele ver que ia fechar a porta. Estava com alguma dificuldade nas retas, penso que aí perdíamos facilmente três décimos, e por isso precisava de sair bem da curva 14 e da última chicane, e consegui-o. O Lewis chegava-se a mim mas depois ficava preso. Nada podia fazer para chegar ao Nico, mas pude suster o Lewis” disse Verstappen no final.

GP JAPÃO F1: FIA PODE ‘CORTAR AS PERNAS’ A VERSTAPPEN

É provável que a FIA atue quanto à forma como Max Verstappen muda de direção em travagem. De acordo com o Motorsport.com, o Diretor da FIA, Charlie Whiting questionou o holandês relativamente à sua manobra face a Hamilton, quando mudou a direção do seu carro à entrada da chicane que antecede a reta da meta, obrigando Lewis Hamilton a seguir em frente. Não houve investigação dos Comissários Desportivos, mas é provável que a FIA trave a situação e impeça que se torne um hábito os pilotos mudarem de direção quando já estão em travagem. Em Spa, a atitude de Verstappen ia resultando num grande acidente, na Hungria fez algo semelhante novamente a Raikkonen, e a FIA tem receio que isto acabe mal. Caso o faça, isso será um grande balde de água fria para o holandês, pois esse é o grande segredo da sua pilotagem, essa capacidade de, num momento muito complicado como são as travagens fortes – aquelas em que é possível ultrapassar na F1 – e se for impedido pela FIA do fazer, fica sem uma enorme arma que possui. A questão aqui é que não é nada fácil conseguir mudar a direção do carro ao mesmo tempo que se trava forte, mas Verstappen consegue-o com grande facilidade.

GP JAPÃO F1, MERCEDES PROTESTOU VERSTAPPEN, DECISÕES NO GP DOS EUA

A duas voltas do final do GP do Japão de Fórmula 1 e numa altura em que Lewis Hamilton perseguia de perto Max Verstappen na luta pelo segundo lugar, o piloto da Mercedes tentou a ultrapassagem na chicane que antecede a reta da meta, mas o holandês, tal como já tinha feito em corridas anteriores mudou de direção enquanto travava e isso obrigou Hamilton a interromper a tentativa de ultrapassagem e a seguir em frente na chicane. O piloto inglês protestou via rádio, mas no final da corrida entendeu não falar mais sobre o assunto preferindo “seguir em frente”. Contudo, a Mercedes entendeu protestar contra a atitude de Max Verstappen, alegando que o holandês bloqueou o seu piloto, forçando-o a ir pela escapatória, suportando a sua tese com o Artigo 27.5 dos Regulamentos Desportivos da Fórmula 1, alegando que o holandês pilotou “erraticamente e de forma perigosa”.

O assunto já tinha sido levantado no GP da Bélgica, aquando da manobra de Verstappen face a Kimi Raikkonen. Não existe regra específica que proíba um piloto de mudar de direção em travagem, mas é comummente aceite pelos pilotos que isso é uma manobra perigosa e por isso existe um acordo de cavalheiros entre eles.

A FIA não investigou na altura o incidente, após a manobra da corrida de hoje, mas ainda antes de ficar a saber que a Mercedes iria instaurar um protesto, Charlie Whiting e os Comissários Desportivos, encabeçadosp or Emanuelle Pirro, falaram informalmente com Verstappen depois da corrida, para trocarem pontos de vista.

Max Verstappen disse no final aos microfones da Sky F1: “Não vou abrir a porta e dizer ‘podes ir’. Claro que vi o movimento dele e assim que o vi, fechei a porta. Penso que foi suficientemente longe para ele ver que ia fechar a porta. Estava com alguma dificuldade nas retas, penso que aí perdíamos facilmente três décimos, e por isso precisava de sair bem da curva 14 e da última chicane, e consegui-o. O Lewis chegava-se a mim mas depois ficava preso. Nada podia fazer para chegar ao Nico, mas pude suster o Lewis” disse Verstappen no final.

Agora, com o protesto, a FIA protelou para os EUA posteriores ações relativas a este protesto – os pilotos já se tinham ido embora – o que significa que o assunto vai voltar à baila na semana antes do GP dos EUA de F1. Ambos os pilotos irão ser ouvidos. Os resultados do GP do Japão são, portanto, provisórios.

Tags: Charlie WhtingFIAMax Verstappen
José Luis Abreu

José Luis Abreu

Entre curvas e muito pó, descobri que o olhar treinado pela fotografia e a paixão pelos ralis só podiam levar a um destino: o jornalismo desportivo. E já lá vão mais de 30 anos…

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