
Fernando Alonso evidenciou em Zandvoort o que a Alpine está a perder e a Aston Martin a ganhar com as movimentações de mercado deste ano, tendo o espanhol se imposto na luta do Segundo Pelotão do Grande Prémio dos Países Baixos.
Uma vez mais, o bicampeão mundial de Fórmula 1 foi o mais forte entre os dois pilotos da formação de Enstone, tendo habitualmente cerca de 0,4s face a Esteban Ocon, uma enormidade num traçado que se completa em pouco mais de 70s.
Nas curvas rápidas que se sucedem vertiginosamente, é preciso ter confiança no carro e na sua própria habilidade e Alonso trucidou completamente o seu colega de equipa, que não aguentava o ritmo do espanhol.
Na qualificação, o veterano de Oviedo acabaria distraído por Sérgio Pérez na Q2, ficando atrás do seu colega de equipa, 13º. No entanto, o facto de a sua marca ter sido realizada com pneus usados, contra novos de Ocon, e de ter ficado a apenas 0,008s do gaulês demonstra, o ritmo que Alonso conseguiu impor e que o seu lugar seria bem dentro do top-10, muito provavelmente à frente de Lando Norris, que garantia o 7º posto atrás dos pilotos das três equipas da frente.
Numa pista em que as passagens não eram um dado adquirido, a qualificação desapontante do espanhol poderia ser decisiva para um longo domingo sem nada para celebrar no final da tarde.
A primeira volta do espanhol não foi brilhante, tendo sido obrigado a abordar a primeira curva por fora, onde havia mais tráfego, e, depois, duas escorregadelas de traseira a obrigarem-no a ceder a posição que tinha ganho a Pierre Gasly, ficando no mesmo 13º lugar em que alinhara para o arranque.
Alonso era claramente mais rápido que os dois Alpha Tauri que seguiam à sua frente, mas ultrapassar era um desafio completamente diferente, apesar da maior zona de DRS relativamente ao ano passado.
Ainda assim, o piloto da Alpine suplantou o francês, estavam decorridas 10 voltas, para duas voltas depois fazer o mesmo a Yuki Tsunoda, o que deixava na 11ª posição a 4s do seu colega de equipa e Mick Schumacher no meio deles, e a quase 9s de Norris.
Logo de seguida, na 12ª volta, o espanhol realizaria a sua primeira troca de pneus e, então, a sua prova sofreria um impulso que o levaria até aos lugares dos pontos.
Num circuito em que os pneus duros eram vistos como uma opção a evitar, a Alpine substituiu os macios com que o seu piloto arrancara pelas borrachas marcadas a branco e estes mostraram ter um comportamento bastante melhor que o esperado, permitindo atacar consistentemente, sem que se degradassem.
Alonso imprimiu um ritmo fortíssimo e no final da primeira ronda de visita às boxes, Alonso estava já em 9º, à frente de Ocon, tendo no seu horizonte Lance Stroll e Lando Norris, de quem distava menos de 4s.
Ultrapassar mostrou-se, uma vez mais, difícil e o espanhol não se conseguiu ver livre de Stroll, que estava com bom ritmo, conseguindo até reduzir a distância para o inglês da McLaren, 2,7s, mas sempre com o Alpine número 14 nos seus espelhos.
Alonso teve de esperar pela paragem do canadiano e o objetivo era agora Norris que rodava cerca de 3s à sua frente, mas ao pararem ambos na 47ª volta, aquando da situação de Safety-Car Virtual espoletada por Tsunoda (aparentemente terá parado em pista com problemas de diferencial), qualquer possibilidade de ganhar vantagem estratégica desaparecera.
Porém, agora ambos com pneus macios nos seus carros, Alonso era muito mais rápido que o seu adversário e depressa entrou na zona de DRS do jovem inglês, mas a ultrapassagem era uma vez mais um problema.
Com mais de 20 voltas pela frente, o piloto da Alpine estaria empenhado de todas as formas para desfeitear aquele que um dia foi o seu piloto de reserva, mas na 57ª volta o destino voltaria a interferir, quando Valtteri Bottas parava em pista com problemas no motor do seu monolugar.
A questão seria aproveitar a neutralização para trocar de novo de pneus para a parte final da corrida, apesar de isso obrigar eventualmente a ceder posição em pista.
Essa opção nunca esteve em cima da mesa para Alonso, que manteve os mesmos macios novos que montara 10 voltas antes.
Já Norris, que tinha montado borrachas marcadas a vermelho usadas, parava, perdendo uma posição para Alonso.
Seriam, portanto, 12 voltas até a bandeira de xadrez, o Safety-Car regressou às boxes no final da 60ª, em que não poderia haver erros da parte do espanhol enquanto rodava em ritmo de qualificação, uma vez que Norris teria pneus em melhores condições.
Como se poderia esperar de um bicampeão mundial e um dos melhores pilotos que chegou à Fórmula 1 nos últimos 20 anos, Alonso não deu qualquer veleidade ao seu perseguidor, cruzando a linha de meta encostado a Sérgio Pérez e com Norris nos seus espelhos, beneficiando da penalização de 5s de Carlos Sainz, por ter deixado a sua ‘pit-box’ sem segurança, para terminar em 6º, vencendo ainda a luta do Segundo Pelotão.
Uma vez mais, Fernando Alonso mostrava o porquê de ser um dos melhores pilotos da atualidade, sendo uma perda evidente para a Alpine e um ganho claro para a Aston Martin em 2023.












