GP da China de Fórmula 1: o que disseram os Chefes de Equipa

Por a 15 Março 2026 19:50

Mercedes confirma estatuto de referência com nova dobradinha

A Mercedes saiu do Grande Prémio da China com uma segunda dobradinha consecutiva, um primeiro triunfo de Kimi Antonelli e a confirmação de que o W17 é, neste arranque de época, o pacote de referência da grelha. Toto Wolff, diretor da Mercedes‑Benz Motorsport, afirmou que “este momento nunca esteve em dúvida para o Kimi”, recordando que “desde os dias do karting” a equipa sabia que o italiano “tinha todo o talento necessário para se tornar vencedor de Grandes Prémios”. Sublinhou o papel da família e da estrutura de Brackley e Brixworth no desenvolvimento do jovem, realçando que muitos “duvidaram dele, disseram que era demasiado cedo e que não tinha a compostura necessária”, mas que Antonelli “provou que estavam todos errados”.

Wolff considerou que “isto é apenas o início” para o italiano, garantindo que o piloto “vai manter os pés no chão e continuar a trabalhar duro”, embora possa “gozar a noite de hoje”. Admitiu, porém, que “não foi uma tarde fácil para a equipa”, com os Ferrari a manterem a Mercedes sob pressão e George Russell a ter de “lutar muito para voltar à frente deles”. Destacou ainda o simbolismo de ver Lewis Hamilton “no pódio com Kimi, George e o Bono”, lembrando que os quatro “são uma parte enorme da história da equipa”. O austríaco avisou, contudo, que “há muito trabalho pela frente”, prometendo uma estrutura “focada, a continuar a puxar” para manter a capacidade de lutar por vitórias.

Andrew Shovlin, diretor de engenharia de pista, descreveu a vitória de Antonelli como a prova final de um curso acelerado: “o primeiro teste em F1 foi há menos de dois anos e ganhar hoje mostra o quão longe chegou em pouco tempo”. Referiu que o italiano “sempre teve velocidade pura”, mas que piloto e equipa trabalharam “para a refinar” e que ele “continua a crescer”, classificando o dia como “mais um passo nessa jornada”.

Shovlin sublinhou a satisfação por garantir “o segundo 1‑2 no início da época”, num fim de semana em que “não foi fácil”, com “bastantes problemas nos carros” e uma “grande dose de sorte em pôr o George em pista na Q3”. Apontou o resultado como exemplo da filosofia da equipa de “nunca desistir” e lembrou que há “uma semana para reagrupar antes de ir ao Japão”, com “muito trabalho pela frente” e “novos desafios” pela frente, mas a confiança reforçada por sair de Xangai a “gozar os resultados das últimas duas semanas” com o W17.

Ferrari sai com pódio e confiança reforçada, mas mira Mercedes

A Ferrari animou o GP da China com a luta pela liderança na primeira volta, um pódio de Lewis Hamilton e um duelo intenso interno, mas reconhece que ainda está longe do ritmo da Mercedes. Frederic Vasseur, diretor da Scuderia, classificou o fim de semana como “positivo no geral” e disse estar “feliz pelo Lewis”, considerando que “este primeiro pódio com a Ferrari é um passo importante para ele”. Admitiu, no entanto, que “ainda estão muito longe da Mercedes” e que a equipa precisa de “trabalhar muito nas próximas semanas”, intervindo “em todos os elementos do pacote”.

Vasseur destacou que a unidade motriz é “mais difícil de evoluir” devido ao congelamento atual, razão pela qual a Ferrari terá de “progredir noutras áreas”. Sobre a corrida dos seus pilotos, sublinhou que Charles Leclerc também “fez um fim de semana positivo” e assumiu que o duelo entre Hamilton e o monegasco foi “tão entusiasmante” que teve de “verificar o ritmo cardíaco”. Explicou que “confia em ambos” e que não quis pedir-lhes para “congelar posições” porque “seria injusto”, frisando que são “profissionais” e que a batalha “foi boa para a equipa e boa para o desporto”. Vasseur terminou com uma palavra para Antonelli, dizendo estar “muito satisfeito” com o italiano, que “teve um fim de semana forte do início ao fim” e conseguiu uma primeira vitória “sempre muito difícil de alcançar”.

McLaren vive pesadelo com dupla desistência antes da partida

A McLaren protagonizou um dos episódios mais duros do fim de semana, ao ver Lando Norris e Oscar Piastri falharem o arranque devido a problemas elétricos distintos nas unidades de potência, num cenário que deixou a equipa sem qualquer representante na grelha e sem uma única volta em corrida. Andrea Stella, diretor da equipa, recordou que um fim de semana de Fórmula 1 “constrói‑se com o esforço e energia de muitos membros”, tanto na pista como na fábrica de Woking, a que se juntam parceiros técnicos e comerciais e adeptos que “acordam cedo ou ficam até tarde” para apoiar a equipa.

Stella assumiu que o objetivo “é vir para correr” e que, em Xangai, a McLaren “não estava em condições de o fazer” devido a “problemas elétricos distintos em ambas as unidades de potência”, o que classificou como “extremamente frustrante e dececionante” para todos. Explicou que “nada mudou entre a qualificação de sábado e o ‘fire‑up’ na garagem antes da corrida”, mas, ao preparar o carro de Norris para sair da box, “foi detetado um problema elétrico na unidade de potência” que a equipa, em conjunto com a Mercedes HPP, tentou resolver sem sucesso, levando à primeira impossibilidade de o britânico arrancar para um Grande Prémio na carreira.

Já na grelha, surgiu “outro problema elétrico” na unidade de potência de Piastri, “que não pôde ser resolvido”, obrigando a devolver o carro à garagem. Stella sublinhou que se tratou de “falhas elétricas separadas na unidade de potência, a ocorrerem ao mesmo tempo”, uma coincidência “extremamente infeliz” que impediu qualquer participação na prova. Garantiu que a equipa vai “investigar em conjunto” com a HPP para perceber o sucedido e que todos “avançam como uma só equipa, em pista e em Woking”, determinados em “aprender com o que aconteceu” e garantir que “não se repete”, antes de regressarem “mais fortes” para o Japão. O italiano fechou com uma palavra para Antonelli, congratulando o compatriota por “uma conquista especial que nunca será esquecida”.

Haas capitaliza oportunidade e Alpine confirma solidez com dupla nos pontos

Na Haas, o fim de semana terminou com um quinto lugar de Oliver Bearman e um 14.º posto de Esteban Ocon, deixando sentimentos mistos mas uma clara sensação de progresso. Ayao Komatsu, diretor de equipa, admitiu estar “quase sem palavras” e descreveu o resultado como “uma performance e esforço de equipa incríveis”. Relembrou o mantra adotado desde Melbourne: “manter as coisas simples, focar na nossa própria corrida e tirar o máximo em caso de algo acontecer à frente”, algo que considera ter sido cumprido “à risca” em Xangai.

Komatsu recordou que Bearman foi “muito azarado” com o pião de Hadjar na primeira volta, mas que o Safety Car “anulou essa má sorte”, permitindo recuperar terreno, e defendeu que o quinto lugar foi conquistado “absolutamente por mérito”, fruto de um “acumular de esforço de anos anteriores”, incluindo o desenvolvimento em paralelo dos carros no último ano e o facto de “estar a acertar no ‘shakedown’” e a “aprender todos os dias”. Sobre Ocon, destacou que o francês “também fez uma corrida muito boa” e lamentou um problema na paragem nas boxes que o colocou “numa posição em que não deveria estar”. Sem esse erro, Komatsu acredita que “teria estado também nos pontos” e que um duplo resultado pontuável seria “a cereja no topo do bolo”.

O japonês concluiu frisando o orgulho na “melhoria diária” da equipa para “compreender o carro e tirar o máximo deste regulamento” e mostrou‑se “muito feliz” por poder transformar esse esforço em resultados que “devolvem algo a todos os que estão a puxar como loucos”.

Na Alpine, a consistência foi premiada com um sexto lugar de Pierre Gasly e um décimo de Franco Colapinto, na primeira corrida de 2026 em que a equipa pontuou com os dois carros. Flavio Briatore, conselheiro executivo, considerou que “sair com nove pontos e ambos os pilotos a marcar é um grande resultado para a equipa”, elogiando Gasly e Colapinto por um “trabalho fantástico” e por darem “uma boa recompensa à equipa de Enstone” após um duplo arranque de época difícil.

Briatore destacou que este é “o primeiro fim de semana com os dois carros nos pontos” e a prova de que a Alpine pode “ser competitiva e lutar regularmente por pontos”. Lembrou que o campeonato será “uma corrida de desenvolvimento” e que “o trabalho duro não pára aqui”, garantindo que a equipa “vai continuar a puxar” antes do Japão e das provas seguintes para “seguir na direção certa”. Terminou com uma nota pessoal, ao felicitar Kimi Antonelli pela primeira vitória na Fórmula 1, sublinhando que se trata do “primeiro triunfo de um italiano e compatriota” desde Fisichella com a própria equipa, em 2006.

Racing Bulls, Red Bull, Williams, Audi e Cadillac focam-se em aprender com contratempos

Na Racing Bulls, a gestão estratégica e a leitura de prova permitiram somar oito pontos num fim de semana em que o ritmo puro esteve aquém do desejado. Alan Permane, diretor de equipa, considerou “excecional” o resultado num contexto em que o conjunto “claramente não era suficientemente rápido”, realçando que a corrida foi “muito bem executada”. Reconheceu o azar com o Safety Car, que apanhou Liam Lawson a parar uma volta antes, mas elogiou o neozelandês por uma “grande corrida”, sob “muita pressão de Hadjar”, sem “um único erro” e com um “resultado sólido”.

Permane explicou que, para Arvid Lindblad, a opção de arrancar com pneus duros foi comprometida pelo timing do Safety Car, tal como para “todos os carros” nessa estratégia, tornando o fim de semana “difícil” para o jovem, cujo processo de aprendizagem prossegue. Lembrou que um fim de semana ‘sprint’ numa pista nova, sobretudo com pouco tempo de rodagem em treinos, seria “sempre complicado”, e já apontou ao Japão, um circuito “com configurações e desafios muito diferentes”, que a equipa está “ansiosa por enfrentar”.

Na Red Bull, o GP da China confirmou um início de ano problemático. Laurent Mekies, diretor de equipa, descreveu o fim de semana como “muito duro desde sexta‑feira”, sublinhando que começar um evento ‘sprint’ “em desvantagem” é “o pior cenário possível” devido ao pouco tempo para reagir. Recordou que “só chegar à grelha em Melbourne com uma unidade de potência própria já foi um grande feito” e que seria “ingénuo não esperar problemas de fiabilidade”. Em Xangai, a Red Bull teve de retirar o carro de Max Verstappen por “uma falha de arrefecimento do sistema”, que se somou a outras lacunas de “performance global” do pacote.

Mekies afirmou, contudo, que a equipa “aprendeu imenso nas últimas semanas” e espera ser “mais competitiva” já na próxima ronda, no Japão. Acrescentou que o cancelamento das provas de abril dará “uma oportunidade para respirar” e trabalhar a fundo em Milton Keynes. Garantiu ter “total confiança” no grupo de talentos da estrutura, certo de que a Red Bull “vai ultrapassar as limitações atuais” graças a “um esforço massivo de todos” e melhorar rapidamente o monolugar.

Na Williams, o balanço misturou a frustração da desistência de Alex Albon na volta de formação com a satisfação pelos primeiros pontos do ano com Carlos Sainz. James Vowles, diretor de equipa, qualificou a prestação do espanhol como “incrível”, destacando um piloto “irrepreensível do início ao fim” e “merecedor” dos pontos conquistados. Explicou que Albon sofreu “um problema hidráulico” na ida para a grelha, que impediu o arranque da corrida, algo que a equipa tem de “resolver de imediato”, sobretudo porque “ambos os pilotos” tinham potencial para terminar nos pontos.

Vowles reconheceu que o monolugar “não está onde precisa de estar em termos de performance” e revelou que existem “planos para os próximos meses” para corrigir essa lacuna. A nível de fiabilidade, admitiu que há elementos “que têm de ser dominados com efeito imediato”, reforçando a necessidade de “unir esforços” em Grove para transformar a base atual em resultados consistentes.

Também na Audi o tema central foram os problemas técnicos. Jonathan Wheatley, diretor de equipa, começou por felicitar Emma Felbermayr pela “condução muito confiante e segura” que resultou numa primeira vitória da marca na F1 Academy, bem como Kimi Antonelli por uma “performance dominante” rumo à primeira vitória em Grandes Prémios. Sobre a corrida principal, lamentou o “dia difícil” de Gabriel Bortoleto, a quem pediu desculpa “em nome da equipa” pelo problema que o impediu de arrancar, prometendo perceber rapidamente o sucedido.

Quanto a Nico Hülkenberg, Wheatley reconheceu que a corrida foi “desafiante”, apontando a partida como uma área “a melhorar” depois de a equipa ter perdido “várias posições” logo no arranque. Elogiou, ainda assim, o alemão por uma prova “forte”, com “excelente ritmo e gestão de energia”, que foi estragada por uma falha na pistola de rodas, resultando numa paragem de 16 segundos que o retirou da luta pelos pontos. O britânico sublinhou que há “muito para rever e melhorar” antes do Japão, garantindo que a equipa vai “reunir-se, aprender com o fim de semana e concentrar-se em regressar mais forte” na próxima prova.

Por fim, na Cadillac, o objetivo principal foi cumprido: terminar com os dois carros num fim de semana ainda de adaptação a uma nova era. Graeme Lowdon, diretor de equipa, afirmou que o resultado “é motivo de satisfação”, lembrando que a complexidade dos novos monolugares tem trazido “problemas significativos” a estruturas bem estabelecidas, pelo que levar dois carros até ao fim “no segundo fim de semana de sempre” é “um grande feito” para todas as bases da equipa em Indianápolis, Charlotte, Silverstone e Alemanha.

Lowdon destacou que, além de fiabilidade, a equipa deu “um passo em frente” em ritmo e performance global, mostrando capacidade para “lutar com outras equipas”. Admitiu que foram “duas semanas duras” e agradeceu “a todos pelo trabalho árduo”, frisando que a Cadillac deixa o primeiro ‘double‑header’ com a “cabeça erguida” e com “uma base muito boa” sobre a qual pretende construir nas próximas rondas.

FOTOS MPSA Agency e Pirelli

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