GP Arábia Saudita F1: Máximo Verstappen para bater Leclerc

Por a 28 Março 2022 17:09

Max Verstappen venceu o duelo que protagonizou com Charles Leclerc para vencer o Grande Prémio da Arábia Saudita, tendo o seu primeiro triunfo começado a ser desenhado na sexta-feira.

O Grande Circo chegava a Jeddah depois da dobradinha da Ferrari em Sakhir, confir ando os indícios de competitividade deixados nos testes, ao passo que a Red Bull evidenciara velocidade, mas pouca fiabilidade e a Mercedes acordava com uma dura realidade, com o W13 a evidenciar-se difícil e pouco competitivo.

Esperava-se, portanto, que Charles Leclerc e Carlos Sainz pudessem estar de novo em contenção pela vitória, sofrendo a oposição de Max Verstappen e Sérgio Pérez, ao passo que Lewis Hamilton e

George Russell precisavam de um milagre para poderem entrar na luta pelos lugares do pódio na segunda prova da temporada.

Os treinos-livres de sexta-feira, para além do míssil que caiu perto da pista, deixou claro que seriam os Ferrari e os Red Bull os protagonistas do fim de semana, ao passo que os Mercedes teriam dificuldades em se ver livres dos melhores carros do segundo pelotão, o que acabou por se verificar.

No entanto, durante a sessão da noite, Leclerc e Sainz dariam ligeiros toques nas barreiras, que não provocariam muitos danos nos seus carros, mas impedi-los-ia de realizar as séries longas de voltas para preparar a corrida de domingo e isso acabaria por ter um impacto no desfecho do Grande Prémio da Arábia Saudita.

PRIMEIRA POLE PARA PÉREZ

O monegasco estaria novamente envolvido na luta pela pole-position, mas o seu adversário acabaria por ser um inesperado Pérez, ao passo que Max Verstappen queixava-se de falta de aderência dos

pneus novos que usou na Q3 e não ia além de quarto a 0,261s do melhor tempo da sessão e atrás de Sainz, que uma vez mais não conseguia acompanhar o andamento do seu colega de equipa.

Leclerc realizava uma volta impressionante e parecia ser capaz de permanecer imbatível em qualificação, este ano, mas o mexicano da Red Bull circulava atrás dos dois Ferrari e, com tempos extraordinários nos dois últimos setores, guindava-se ao topo da tabela de tempos, ao bater o líder do Campeonato de Pilotos por 0,025s.

Pérez conquistava a sua primeira pole -position na Fórmula 1 à 215ª tentativa, um recorde.

Após a qualificação era claro que, muito embora o Red Bull e o Ferrari realizassem tempos muito semelhantes, a forma como os obtinham era muito diferente. O RB18 era mais forte nos dois últimos setores, onde a velocidade de ponta é preponderante, ao passo que o F1-75 estava mais à-vontade no primeiro, onde o apoio aerodinâmico é mais importante.

Estas diferença não se deviam a uma superioridade da unidade de potência concebida pela Honda face à da Ferrari, mas antes uma divergência na abordagem à pista, preferindo os técnicos de

Maranello configuração com maior arrasto, mas com mais aderência, ajudando a proteger os pneus Pirelli – uma jogada no seguro depois de não poder ter realizado séries longas de voltas na segunda sessão de treinos-livres, devido aos erros dos seus pilotos.

A Mercedes passava por um verdadeiro pesadelo durante a qualificação, com Lewis Hamilton a ser eliminado logo na Q1 – arrancaria de décimo quinto com a opção da Haas em não fazer alinhar Mick

Schumacher depois do violento acidente deste – e George Russel a não ir além de sexto, vendo-se batido por Esteban Ocon. Era este o cenário para a segunda prova da temporada deste ano, esperando-se mais uma batalha intensa entre Red Bull e Ferrari num circuito que não admite erros e em que o Safety-Car tinha fortes possibilidades de entrar em pista, sendo esta a hipótese mais forte de a Mercedes liderar a corrida.

ARRANQUE SEM PROBLEMAS

Pérez arrancou bem da pole-position, levando consigo Leclerc, mas Sainz, apertado pelo seu colega de equipa, seria suplantado por Verstappen, que assim dava o seu primeiro passo rumo à vitória.

Todos com pneus médios novos montados, o objectivo era alongar o máximo possível o primeiro “stint” para beneficiar de um possível Safety-Car ou Safety-Car Virtual, mas um possível ataque através

do “undercut” não era também de colocar de parte.

Pérez estava no controlo da situação, mas Leclerc parecia andar aquém do seu potencial, rodando a cerca de 2,5s para proteger os seus pneus e poder espremer o máximo na volta de entrada nas boxes.

Foi na décima segunda volta que se registou a maior diferença entre os dois primeiros – 2,787s – mas a partir daí o monegasco começou a aproximar-se do mexicano, confir ando que rodara abaixo do potencial do seu carro, preparando-se para entrar nas boxes. Porém, na décima quinta volta, quando Leclerc se aprestava para trocar os médios por duros novos, Pérez antecipou-se, para prevenir o “undercut”, o que levou o monegasco a manter-se em pista. O ataque era repelido e dificilmente o mexicano perderia o comando em circunstâncias normais durante as paragens nas boxes.

Tudo parecia correr bem a Pérez, mas logo de seguida o azar abater-se-ia sobre ele. Nicholas Latifi batia na saída da última curva, imobilizando-se com danos extensos no seu Williams, o que implicava a entrada em pista do Safety-Car, depois de uma breve situação de Safety-Car Virtual.

O SAFETY CAR QUE MUDOU O RUMO DA CORRIDA

Subitamente, o mexicano, depois de liderar toda a corrida até então, caía para quarto e estava fora da luta pela vitória – rodou em terceiro durante a neutralização, ao passar Sainz quando este saía

das boxes, mas teve de ceder a posição. A vitória voltaria a ser disputada por Leclerc e Verstappen, tal como acontecera em Sakhir, com o espanhol da Ferrari a ser um espectador interessado daquilo

que se passava à sua frente. Os dois primeiros, uma vez mais, mostraram um ritmo avassalador, sem que Sainz conseguisse acompanhar, caindo para mais de seis segundos de atraso para o duo da frente. Até à segunda situação de Safety-Car Virtual – que ocorreu na trigésima oitava volta para recuperar os carros de Daniel Ricciardo e de Fernando Alonso, que pararam na entrada das boxes – Verstappen limitou-se a acompanhar o líder a cerca de um segundo e meio deste, poupando esforços para o seu ataque, que surgiria quando a corrida foi retomada.

O Campeão do Mundo colocou-se na zona de DRS e, na quadragésima segunda volta, suplantava o líder do Campeonato de Pilotos na travagem para a última curva. No entanto, esta era uma ultrapassagem permitida por Leclerc que, assim, ficava com DRS na recta da meta, o que lhe permitiu recuperar o comando. Duas voltas depois, percebendo o estratagema do seu rival, Verstappen evitou tudo para ganhar a liderança a caminho da última curva, queimando a travagem quando Leclerc reduzira substancialmente o andamento, mas este ao perceber a manobra do seu perseguidor, acelerava e, uma vez mais, mantinha o comando.

Só no fi al da quadragésima sexta volta Verstappen engendrou a melhor forma de superar Leclerc, realizando a última curva no seu encalço para depois, com DRS, lançar um ataque na recta a meta.

O piloto da Red Bull conseguiu ascender ao comando, mas Leclerc não desarmava e mantinha-se na zona de DRS do seu rival. No entanto, sem velocidade de ponta, devido ao maior apoio aerodinâmico do seu Ferrari, o monegasco nunca conseguiu lançar um ataque a Verstappen.

Para seu azar, quando saiu da última curva mais próximo do holandês, Alex Albon e Lance Stroll desentendiam-se na Curva 1, o que impediu o ataque de Leclerc que assim, apesar de manter o Campeão do Mundo sob pressão, tinha de se contentar com o segundo posto seguido de Sainz e de Pérez, tendo ainda assinado a volta mais rápida.

Verstappen conquistava assim o seu primeiro triunfo da temporada, depois do seu abandono de Sakhir, confir ando a performance da primeira corrida do ano. A Mercedes continuou longe, tendo George Russell ficado em quinto, a mais de 32s do vencedor, ao passo que Hamilton não reagiu à chamada às boxes aquando da segunda situação de Safety-Car Virtual e terminou num desapontante décimo lugar.

Momento: SAFETY-CAR

Pérez não cometera qualquer erro até às paragens nas boxes e parecia ser capaz de manter a liderança que conquistara e confirmara, depois da sua primeira poleposition na F1, mas a sorte não quis nada consigo e, pouco depois de montar pneus novos, o Safety-Car entrou em pista, retirando-o da luta pela vitória. Isto permitiu que Verstappen pudesse bater-se com Leclerc pelo triunfo. O holandês não enjeitou a possibilidade e foi o primeiro a cruzar a meta.

Figura: MAX VERSTAPPEN –

O holandês não esteve ao seu melhor nível na qualificação, mas na corrida esteve ao seu melhor nível. Arrancou bem, ganhando uma posição a Sainz, e foi estratégico na forma como guardou para

o fim o seu ataque à liderança. Leclerc vendeu-lhe cara a vitória, deixando Verstappen à beira de um ataque de nervos, mas este acabou por conseguir engendrar uma forma de suplantar o monegasco para conquistar o seu primeiro triunfo do ano.

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