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GP Abu Dhabi de Fórmula 1: Verstappen vence, mas não ajuda | AutoSport

GP Abu Dhabi de Fórmula 1: Verstappen vence, mas não ajuda

Por a 21 Novembro 2022 18:13

Max Verstappen venceu sem grandes dificuldades o Grande Prémio de Abu Dhabi, mas um dos grandes motivos de interesse na última prova da temporada era seguir a luta pelo segundo lugar do Campeonato de Pilotos e aí foi Charles Leclerc que se impôs, tendo o neerlandês não se preocupado muito com Sérgio Pérez.

A Red Bull estava em vantagem no circuito de Yas Marina e isso foi evidente desde cedo, quando o Bicampeão Mundial, apesar de ter cedido o seu carro a Liam Lawson na primeira sessão de treinos-livres, rapidamente se colocou no topo da tabela de tempos na segunda.
A confirmação surgiu na qualificação, com Verstappen a assegurar a pole-position seguido do seu colega de equipa, ao passo que Charles Leclerc não ia além de terceiro a mais de dois décimos de segundo do Bicampeão Mundial, mas a escassos milésimos de segundo de Pérez.
A competitividade dos carros ficou bem patente na qualificação, com as três primeiras linhas da grelha de partida a serem monopolizadas pela Red Bull, Ferrari e Mercedes, por esta ordem.
Tudo parecia se encaminhar para que Pérez pudesse assegurar o segundo posto no Campeonato de Pilotos, o que significaria que, pela primeira vez na sua existência, a formação de Milton Keynes garantiria as duas primeiras posições deste certame.
O arranque correu de feição aos homens da equipa de bandeira austríaca, que mantiveram as suas posições, seguidos de Leclerc, ao passo que Carlos Sainz via-se suplantado por Hamilton, o que acabaria por ter um impacto na sua corrida.
Para recuperar a posição, o espanhol teve de usar excessivamente os seus pneus, o que o colocava numa estratégia de duas paragens.
Estrategicamente, as equipas tinham em aberto a possibilidade de fazer uma ou duas passagens pelas boxes, dependendo do comportamento dos pneus, mas realizar apenas uma troca de pneumáticos poderia ser uma opção a deixar os pilotos no limite da vida das borrachas da Pirelli.
Verstappen estava confortavelmente no comando, mantendo uma vantagem de pouco mais de dois segundos para Pérez, tendo este uma vantagem semelhante para Leclerc, mas aqui terá acontecido a primeira desajuda do holandês ao seu colega de equipa.
O Bicampeão do Mundo estava a rodar o mais lentamente possivel para proteger os seus pneus, mas isso obrigava o mexicano a rodar no ‘ar sujo’ do Red Bull número 1, uma vez que tinha Leclerc no seu encalço e a manter-se a uma distância perigosa.
Isto significava que Pérez estava a exigir demasiado dos seus pneus médios, esfumando-se a possibilidade de adoptar uma estratégia de uma passagem pelas boxes.
O mexicano rumou ao ‘pitlane’ na décima quinta volta, momento em que Leclerc estava na sua zona de ‘undercut’, tendo este sido instruído pela sua equipa a fazer o contrário do que o homem da Red Bull fizesse, ficando em pista para contemplar a possibilidade de realizar a corrida com apenas uma paragem.
O mexicano estava obrigado a passar o resto da corrida ao ataque e quando parou pela segunda vez, estavam decorridas trinta e três voltas, ficou atrás dos pilotos que assumiram uma estratégia de apenas uma troca de pneus – Verstappen, Leclerc e Hamilton – tendo ainda dezanove segundos para recuperar face ao monegasco, caso quisesse assegurar o segundo posto no Campeonato de Pilotos, isto com uma ultrapassagem ao inglês pelo meio, que no ano passado tinha perdido o título, em parte, devido à forma como Pérez se defendera.
Com vinte e cinco voltas por realizar, a tarefa do piloto da Red Bull não parecia impossível, até porque inicialmente parecia ser capaz de ganhar um segundo por volta ao piloto da Ferrari, mas o seu esforço esbarraria no Mercedes número quarenta e quatro.
O mexicano ultrapassou o heptacampeão mundial na quadragésima quarta volta, quando estava já a apenas dez segundos de Leclerc, mas Hamilton retorquiu imediatamente, recuperando a terceira posição na zona de DRS seguinte. Só na volta posterior, a treze da bandeira de xadrez, Pérez suplantaria o inglês, mas mantinha-se nos mesmos dez segundos de desvantagem para o jovem da Ferrari.
Criticamente, Pérez, após assumir o terceiro posto, deixava de conseguir ganhar um segundo por volta a Leclerc e a possibilidade de poder alcançá-lo e ultrapassá-lo parecia cada vez mais dificil, sem que não fosse uma verdadeira impossibilidade.
Neste momento, a Red Bull poderia instruir Verstappen a ajudar o seu colega de equipa. Não precisava de fazer o monegasco perder tempo de uma forma evidente, bastava que reduzisse o seu andamento para que o Ferrari ficasse a cerca de dois segundos. Desta forma, o andamento de Leclerc ficaria condicionado e, sobretudo, ao rodar no ‘ar sujo’ do monolugar número 1, os pneus do monolugar de Maranello sofreriam mais, deixando-o exposto a Pérez.
No entanto, Verstappen manteve o seu ritmo, não interferindo na corrida de Leclerc, o que permitiu que este rodasse o mais rapidamente que lhe era possível sem danificar os Pirelli, o que foi suficiente para manter o segundo lugar, cruzando a linha de meta no segundo posto com uma vantagem de 1,3s para Pérez, que via a bandeira de xadrez no terceiro posto.
Leclerc garantia assim o segundo posto no Campeonato de Pilotos, não tendo uma vez mais o mexicano o apoio de Verstappen, o vencedor incontestável, que esperava.
Hamilton estava a caminho de perder o quarto posto para Sainz, a colocar em prática a sua estratégia de duas paragens, e deveria terminar em quinto, contudo, problemas hidráulicos lançaram-no para o abandono.
A Mercedes ficou assim no terceiro posto do Campeonato de Construtores, nunca mostrando capacidade ao longo do fim-de-semana para ganhar os pontos necessários para desfeitear a Ferrari na luta pelo segundo lugar.

FIGURA: Sebastian Vettel
Era a última prova do alemão e este, tal como tem acontecido desde que decidiu deixar a F1, voltou a mostrar o nível competitivo que se esperava do ‘verdadeiro Vettel’.
O piloto da Aston Martin parecia, pelo menos, ser capaz de bater os dois Alpine, o que poderia ser suficiente para que a sua equipa batesse a Alfa Romeo na luta pelo sexto lugar do Campeonato de Construtores, mas o erro estratégico dos homens de Silverstone deixou-o numa situação desfavorável. Ainda assim, Vettel deu o máximo que podia, salvando um ponto, o que se revelou insuficiente para a Aston Martin.

MOMENTO: Luta Pérez vs Hamilton
O mexicano parecia capaz de executar a estratégia de duas paragens que a Red Bull tinha escolhido e, assim, bater Leclerc e conquistar o segundo posto no Campeonato de Pilotos.
No entanto, Pérez teria de ultrapassar Hamilton pelo caminho e este não se revelou um adversário fácil, atrasando o homem da Red Bull, dando-lhe o troco do que acontecera o ano passado na mesma pista.
O tempo que perdeu atrás do heptacampeão foi determinante para que não conseguisse ultrapassar Leclerc, perdendo o vice-título.

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